A Imperfeição da Matéria

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Devemos estar cientes de que a própria ciência do mundo já constatou a presença da desordem na composição íntima da matéria. As diminutas partículas que formam o átomo movem-se em um oceano de imprecisões, por isso devemos conferir validade ao chamado princípio de incerteza, já constatado no plano denso. Assim, aqueles que estão acompanhando os mais recentes estudos sobre a composição do átomo já sabem que as partículas que o formam nada mais são que campos expressos em nuvens de imprecisões.

Não são corpúsculos circunscritos em delimitada região do espaço. Nesse reduzido nível das dimensões espaciais, não existe sequer uma nítida divisão entre o próprio espaço e a partícula que se fez massa. Assim, a matéria apresenta-se como uma perturbação do campo, um mero defeito do espaço, dizem, com razão, os estudiosos.

Defeito cuja presença quebra a perfeita simetria do campo estrutural do universo, o tecido cósmico, que se contorce, fazendo-se o reino das probabilidades, imprecisões e instabilidades. Essas são as verdadeiras bases em que se assentam os eventos físicos ao nosso derredor. A matéria, portanto, inserida nesse contexto fenomênico como produto de um inexato e hesitante emaranhamento, é uma deformidade no seio da perfeição divina, uma verdadeira aberração que somente a queda do espírito pode explicar-nos.

Sem essa derrocada nas origens de nosso cosmo, não compreenderemos exatamente por que a Inteligência divina, da qual flui unicamente ordem e perfeição, teria gerado uma realidade que se estrutura na desordem e na absoluta imprecisão de seus elementos fundamentais.

A matéria é um defeito impresso no campo divino.

A despeito de ser uma distorção, Deus a aproveita para que, ainda assim, produza benefícios em prol do espírito que caiu. Estejamos convencidos, a sabedoria do Criador jamais geraria o caos antes da ordem para reordená-lo através do labor evolutivo. Essa maneira de criar não corresponde à forma mais simples e lógica possível, logo não procederia da inquestionável inteligência de nosso Pai. Eis por que a ciência humana afastou Deus da história do universo, uma vez que o universo não é compatível com a impecável perfeição que naturalmente esperaríamos de uma obra de Deus. Logo, a navalha de Ockham leva-nos a concluir que a desordem só pode ser produto da queda do espírito e não da sapiência divina.

E agora se torna fácil compreender que, no infinitamente pequeno, a ação salvadora do Altíssimo promoveu o empacotamento da desordem, limitando-a ao domínio das partículas subatômicas para que o universo macroscopicamente se fizesse uma entidade sustentável. Assim, os caóticos movimentos oriundos da revolta e da falência do espírito puderam ser devidamente aproveitados em benefício do próprio ser que caiu. Eis por que nos entremeios de nossa realidade, a Lei de Deus luta contra a imposição da desordem, fazendo de nosso mundo um despropositado palco de batalha entre a ordem e o caos, a Lei e a antilei, estes últimos representados pelo conjunto de ações rebeldes que todos empreendemos.

Exatamente por isso, o mundo subatômico é o reino do absurdo e não da perfeição. Os corpúsculos atômicos, como já atestado pela ciência humana, realizam proezas que desafiam nossa lógica e a lógica da própria Criação. Detêm uma natureza permanentemente indecisa e não sabem se são partículas de fato ou ondas; ocupam dois lugares ao mesmo tempo; percorrem distâncias sem consumir tempo ou atravessar espaços; desaparecem da realidade concreta para surgirem em outros locais, ou nascem abruptamente do aparente vazio que a tudo permeia. Além disso, conectam-se entre si através de liames fantasmagóricos, trocando informações instantâneas entre si, a despeito da distância espacial que as possa separar.

Geram assim um reino que se sustenta em instabilidades e probabilidades, jamais em certezas. Curiosamente, aos olhos macroscópicos, vemos a matéria perfeitamente aquietada e estática, e não suspeitamos que uma desbaratada instabilidade e agitação a entretecem na intimidade ultramicroscópica. Fato que não podemos negar, por estar patente na realidade do mundo, irmãos.

Vivemos então no reino da imprecisão.

Essa descoberta certamente deixará atônito o hodierno homem de fé que acredita ser nosso universo produto unicamente da inteligência divina. Entendemos perfeitamente que nosso cosmo não é propriamente uma obra de Deus, mas sim o resultado misto da sabedoria do Criador com a ação dos espíritos que se revoltaram, representando o único poder capaz de criar, além de Deus. Sem essa proposição não teremos como explicar as inquestionáveis incertezas e desordens que configuram nosso mundo.

Entender que a matéria e o caos que a sustenta são produtos da desordem, oriunda da queda do espírito, jamais produto da inteligência divina, é para um imenso consolo. Dessa forma continuamos a crer que Deus é a perfeição absoluta e criou Seu Universo na mais perfeita e inquestionável ordem.

É por isso que, quanto mais penetramos no infinitamente pequeno, maior o quilate de desordem que encontraremos. E a evolução nada mais é que a reorganização dessa desordem promovida pela queda do espírito. Como um fator transitório no seio do Absoluto, o caos será definitivamente superado pela ação dirigida do progresso, que então restituirá à parte derrocada da Criação sua perfeição de origem. Portanto, acima do princípio de incerteza reinante no mundo da matéria, temos a segurança absoluta de que vivemos sob o impreterível e superior princípio de certeza. Se a imprecisão é a marca do nosso universo caído, a precisão é o rótulo do mundo divino, onde inexiste a mínima possibilidade de desordem e tudo tende à natural equilíbrio.

Absorver esse conhecimento sem dúvida alguma nos protege das agruras do niilismo que assalta todo estudioso que descobre ser o mundo fenomênico produto de verdadeiro caos. Com razão ele se perguntará onde estará Deus, uma vez que nada poderia escapar ao controle sábio e absoluto do Altíssimo.

Essa é importante conclusão a que o homem terreno deverá chegar em breve, quando descobrir a verdade oculta sob a cortina de matéria, a qual na atualidade permanece obnubilando-lhe o entendimento.

Devemos agradecer a bondade e a inteligência de nosso Pai magnânimo que, a despeito da desordem gerada pela insurreição original do espírito, através da espetacular ação da evolução, ou Lei de retorno, está cuidando de sanar devidamente suas terríveis consequências. Não fosse essa decisiva interferência da sabedoria divina, nosso universo seria inviável, pois existiríamos em uma fornalha de forças caóticas e destrutivas, impossibilitando-se o sustento da vida e o desabrochar da consciência. A inteligência de nosso Pai gerou uma ordem mínima e progressivamente crescente para que pudéssemos existir e evoluir de volta a Seu seio imaculado.

Isso nos leva a corroborar a curiosa informação de que a matéria é a prisão do espírito, apregoada na obra básica da doutrina espírita. Sem a explicação de que se trata de um produto indesejável e transitório na Criação, resultado de um movimento impróprio do ser, a revolta, não teríamos como aceitar que Deus a tenha criado, impondo-a como um peso para a alma. E não poderíamos explicar por que o Criador, depois de vestir-nos com a matéria, servir-se-ia depois da dor e de onerosas renúncias para obrigar-nos a dela nos libertar, a fim de alcançar Seu aprisco.

Elucida-se exatamente por que todos os grandes mestres de nossa humanidade ensinaram-nos que o espírito está em permanente luta contra a matéria e suas descabidas exigências. Estamos agora convencidos de que, apesar de servir-se dela para evoluir, a alma necessita abdicar-se de sua inadequada indumentária física e seus irrisórios prazeres, se quiser alcançar o Céu e suas eternas alegrias.

O que se refere igualmente às vestes dos desencarnados, pois o perispírito é tanto físico quanto nosso corpo de carne. Enquanto estiver trajando-o, não ingressaremos no Reino de Deus.

Assim, se a matéria é construção provisória e inadequada, então sabemos exatamente por que a felicidade não é do mundo das formas, como nos asseverou o Cristo. Toda construção que se fundamenta na ilusão é necessariamente falaciosa e fugaz. Somente no Reino da essência pura, onde fomos criados, viveremos a plenitude divina, diante de edificações realmente eternas.

Logo estamos convencidos, não nascemos para a realidade física na qual nos prendemos e de que precisamos urgentemente nos desvencilhar. Essa verdade inunda-nos com o mais extraordinário ímpeto de superação de nossos intermináveis conflitos com a realidade física e conduz-nos de forma brilhante ao Evangelho de Jesus. Enfim, não se pode mesmo servir a Deus e a Mamom, como nos recomendou o divino Mestre.

Matéria e espírito são de fato duas forças antagônicas em luta na provisória arena da evolução. Todas as religiões e filosofias elevadas demonstraram-nos isso no passado. Não obstante, essa grande batalha cósmica entre as forças da ordem contra a desordem está demarcada pela impreterível vitória das potências divinas sobre o império do caos. Sabedores disso, teremos doravante mais forças e renovado bom ânimo para superar as sombras que nos vestem no mundo das realidades transitórias, e ingressar mais rapidamente nos domínios divinos.

Somente essa nova visão da matéria pode favorecer-nos com a cabal aceitação das afirmações de Jesus e as conclusões de seus seguidores, anotadas no Novo Testamento. Lembro-me de que o Messias enfatizou que “o espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita”.

Todos os gigantes do cristianismo, seguindo as recomendações do Redentor, exortaram-nos a superar a carne e suas exigências para se ganhar os Céus, pois praticavam ativamente as lições que ministravam. Paulo, por exemplo, aconselhou-nos a “andar segundo o espírito e não de acordo com a carne, pois a inclinação pela carne leva à morte; sendo a carne inimiga de Deus, não se sujeita à Lei de Deus, nem à verdade, e não agrada a Deus”. “Se vivermos segundo a carne, haveremos de morrer, mas se pelo espírito mortificarmos as obras do corpo, viveremos, pois somente pelo espírito seremos Filhos de Deus.” Embora, ao longo da história do cristianismo, tais prerrogativas tenham sido motivo de exageros e infundadas renúncias, para as quais o homem comum não estava preparado, vemos nelas verdades profundas que somente podem ser perfeitamente compreendidas mediante a queda do espírito.

São velhas revelações que agora terminamos por revestir com ares da modernidade, fundindo com perfeição ciência e Evangelho. Isso é fantástico para nosso psiquismo, pois absorver todas essas admiráveis ideias pressupõe acelerar e muito nosso progresso espiritual, pois com maior clareza divisaremos o correto caminho a seguir, empenhando-nos com renovado afinco em alcançá-lo.

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