O afastamento da Lei

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A revolta foi um desvio da posição correta.

Esse foi o primeiro erro e o maior, que gerou todo o processo da queda.

No longo do caminho da evolução, o ser pode voltar a realizar o seu impulso de desobediência, com afastamento da Lei, gerando semelhantes, mas pequeninas quedas, porém, com relativa recuperação. Desta vez o afastamento não é representado pela linha verde XY que sai do S, para o AS, e o caminho de volta não é representado pela linha vermelha YX, que do AS leva tudo novamente para o S; mas é representado na figura por afastamentos laterais longe da linha central vermelha da Lei.

A vontade de Deus é que tudo o que decaiu no AS seja reconduzido salvo para Ele no S e, assim todo o erro do ser seja reconduzido a Lei, isto é, à linha vermelha que a expressa. Eis, então, que a nossa figura nos mostra, utilizando o caso  maior da queda e salvação, como se realiza e depois se corrige o repetir-se de todos os outros casos menores que pode acontecer a toda hora e altura da escala evolutiva, ao longo do seu caminho. Isso se verifica com o mesmo processo.

Teremos então, em lugar da linha XY e YX, outra linha, lateral à linha vermelha da Lei, com igual movimento de ida e volta, de erro e correção, de doença e saneamento, de afastamento e recuperação. O ciclo involução-evolução se repete nestes casos menores, seguindo o mesmo modelo da grande queda, no qual tem de equilibrar-se os dois impulsos opostos: o do ser para a desordem, e o impulso corretor da Lei para a ordem.

Neste caso também temos uma linha verde que expressa o afastamento para a negatividade, e uma linha vermelha que expressa a aproximação de volta para a positividade; isto é, temos a linha da queda gerada pela vontade da criatura, e a linha da salvação gerada pela  vontade da Lei. Tudo se desenvolve com o mesmo método da retificação do erro ou correção da desordem reconstituída na ordem. Contra a vontade destruidora do ser se levanta sempre a vontade reconstrutora de Deus, que trata e cura toda doença.

Como no caso da grande queda o ponto de referência é o S, nestes casos menores laterais o ponto de referência é a Lei. Como antes o ponto de partida e de chegada era o S, agora é a Lei. Neste caso também há um ciclo completo de ida e volta, isto é, um processo dividido em duas partes inversas e complementares, que em forma dualista constituem uma unidade.

Como o ponto de referência é o S, em função do qual no fenômeno da grande queda tudo se movimenta, assim o ponto de referência, em função do qual no fenômeno desses afastamentos parciais tudo se movimenta, é a Lei, expressa pela linha vermelha YX, que significa o caminho da evolução, representando a norma a seguir para atingir a salvação. Ela expressa então o princípio da ética, ou norma de conduta certa. Afastar-se dela significa erro e culpa, tendo-se depois de voltar e para recuperar o que foi perdido, o que não pode ser realizado senão com o trabalho e o esforço do ser, como dever, penitência, sofrimento.

É assim que se trata de um trabalho de reconstrução, que tem de ser realizado pelo mesmo ser que, em sentido oposto, fez a obra de destruição. E isto pelo fato que o nosso universo, apesar de estar pela revolta decaída na desordem, está sempre regido pela ordem de Deus, que impõe um princípio de equilíbrio, pelo qual não são possíveis afastamentos definitivos e gerais, com resultados permanentes, somente deslocamentos temporários e locais, logo corrigidos, contrabalançados e restituídos ao equilíbrio de origem; não são possíveis senão desordens parciais que, por fim, têm sempre que acabar sendo reconduzidos à ordem geral.

Vemos assim o dualismo equilibrado nos seus dois momentos opostos, de modo que é possível até calcular a posição de débito ou crédito em que, em cada momento, o ser se encontra a respeito da Lei, que é o ponto de referência universal estabelecendo os valores e as normas da vida. Eis como pode despontar a ideia de uma regra de vida, ou norma de conduta baseada sobre princípios que mergulham as suas raízes na própria estrutura do universo.

Começamos assim a vislumbrar desde agora a possibilidade de estabelecer uma ética positiva, racional, poderíamos dizer científica, independente da fé e das religiões, obrigatória porque demonstrada, uma ética exata, suscetível de cálculo, cujos valores se podem medir, qualidades que as éticas vigorantes estão bem longe de possuir.

A ética humana atual, tipo fundamental, a que se podem reduzir as éticas nas várias religiões atualmente vigorantes na Terra, não é universal, mas particular a esta humanidade e relativa ao nível de evolução por ela atingido. Como acontece com todas as verdades que o homem consegue possuir, trata-se de uma ética relativa em evolução, da qual o homem só conhece a sua aproximação do ponto final, perfeição do S.

Mas as transformações evolutivas dessa ética nos dizem que ela é progressiva e se transforma ao longo de sua trajetória numa ética universal, que abrange e disciplina não somente uma posição relativa do ser ao longo do caminho da evolução, mas igualmente todas as suas posições possíveis.

Essa ética universal, que abraça todas as restritas éticas relativas que o ser atravessa na sua ascese para o S, está acima das éticas particulares e transitórias de nosso mundo. Essa ética universal é a Lei, cujos prinípios sintetizam as normas que dirigem o ser em todos os níveis de evolução, proporcionadas a cada um deles. Sem ficar fechados em nenhuma posição particular, possuiremos a chave para compreendê-las todas, porque, ao invés de concebê-las como completas e definitivas, as veremos como uma ética progressiva em evolução; ao invés de concebê-las separadas, as veremos no seu conjunto num colar que as uno todas, quais momentos sucessivos da mesma ética universal.

Cada uma dessas éticas relativas contém as normas de vida adaptadas para o ser evoluir em relação a cada nível em que ele se encontra no seu caminho evolutivo, para superar este e entrar num outro mais adiantado. Assim a ética do homem de hoje não é a de ontem nem de amanhã. O homem atual julga crime o que o selvagem do passado julgava lícito e normal. Assim o homem mais civilizado do futuro julgará crime muitos atos que o homem atual julga lícitos e normais.

Cada período de evolução possui o seu dado tipo de ética que se vai transformando e que, o progresso, tem de ser continuamente superada. Tudo está proporcionado ao grau de sensibilização e inteligência atingido. Constrói-se assim o sentido moral, que é fruto de duras e longuíssimas experiências.

Em todo plano de existência o ser fica sempre enquadrado em um jogo de princípios e forcas, proporcionado ao trabalho que a Lei o faz cumprir, para atingir um determinado escopo, percorrendo o trecho do caminho evolutivo que a ele pertence naquele dado momento. Isto é lógico. Se o nosso universo se baseia no princípio do relativo em evolução, tudo, e também a ética, não pode deixar de ter que acompanhar o movimento desse transformismo universal.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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