A salvação é a destruição do dualismo

queda-e-salva_ao-80_

O nosso universo representa o fato consumado da revolta e se nos apresenta imerso nas suas consequências. A primeira e maior foi a cisão da unidade do S, no dualismo S e AS. Este dualismo constitui o esquema fundamental do universo em que vivemos. Ele se apoia sobre duas posições básicas: a da positividade e da negatividade. Esta segunda, com todas as qualidades que a acompanham, apareceu como produto da revolta, porque na obediência dentro do S não pode haver senão positividade.

A desobediência gerou o que a Bíblia representa com a imagem da expulsão do paraíso terrestre, depois da qual nasceram todos os males e dores. Se acima de tudo ficou inatingível e inalterado o monismo de Deus que abrange tudo, incluindo o AS, o nosso universo dentro desse monismo representa a cisão dualista.

Todos os seres têm de viver nesta forma de existência despedaçada pela queda, até que o processo inverso da evolução tenha saneado esse estado que representa um verdadeiro estado patológico do existir.

A revolta gerou o caminho do afastamento expresso pela linha verde da figura, isto é, a posição emborcada da negatividade. A evolução, percorrendo a linha vermelha da positividade em obediência à Lei, tudo reconstrói até tudo reintegrar na perfeição do S.

O livro Queda e Salvação, analisa esses dois momentos ou processos inversos, em que o ciclo se cumpre e o dualismo se completa fundindo-se em unidade, que abraça num mesmo movimento, o primeiro de separação para longe do S, e o segundo de nova unificação no S. A salvação é a destruição do dualismo e a reconstrução de tudo na unidade e a sua função é exatamente a de eliminar a negatividade do AS e restaurar tudo na positividade do S.

Eis então que o problema nos aparece como uma situação de opostos, na qual lutam duas forças contrárias, uma para sobrepujar a outra e vencê-la. A análise do contraste entre esses dois impulsos, o da negatividade e o da positividade, nos permitirá equacionar e resolver vários problemas que se referem à nossa conduta e posição na vida. O impulso da negatividade é devido à vontade da criatura e gerou o processo da queda. O impulso oposto, da positividade, é devido à vontade de Deus, que com a evolução gera o processo de salvação.

No primeiro caso tudo é devido ao erro cometido pela vontade do ser, o segundo caso representa a correção desse erro realizada pela vontade de Deus.

O nosso mundo se nos apresenta como um campo de luta, em que se chocam esses dois impulsos gerados por duas fontes rivais, de um lado a criatura rebelde e pecadora, do outro, Deus que tudo retifica e redime.

Onde vence a desobediência, tudo acaba na destruição. Se o ser renunciar à sua vontade de revoltado e aceitar a de Deus, poderá encontrar a salvação.

O desenvolvimento desse processo é representado pela história dessa luta entre aquelas duas vontades opostas: a rebelde da criatura, e a da Lei de Deus. A primeira quer a queda no AS, a segunda quer a salvação no S. Eis os dois termos de nosso assunto atual. Do choque entre esses dois impulsos nascerão várias posições de luta, problemas e soluções, que iremos observando.

Estes conceitos nos explicam a razão por que o ponto de partida das leis civis e religiosas pressupõem que o homem seja um rebelde, e sua tarefa é a de subjugá-lo. Elas revelam essa luta entre duas vontades opostas. A primeira função do legislador parece que seja a de reprimir e domar, antes de tudo proibindo o que o homem queria fazer, como se o espontâneo instinto natural fosse só o de ser mau.

Os mandamentos de Moisés são uma lista das culpas humanas, que se presume o ser tenha muita vontade de cometer e que Deus ordena que não sejam consumadas, porque proibidas. Ninguém se pergunta por quê a voz de Deus se manifestou nesta forma de imperativo negativo. Mas isto se explica porque a Lei representa a positividade de Deus, que se dirige à destruição da negatividade em que a criatura com a revolta mergulhou. Eis o que a ética das religiões quer corrigir e porque ela assumiu a forma de condenação. Está claro que a Lei segue o principio do dualismo e encara o problema como nós o encaramos. Ela representa a positividade que impõe a luta contra a negatividade para destruí-la.

A história do mundo se baseia no dualismo, é a história do progresso, da evolução, da luta entre S e AS. Observemos como falou Deus nos dez mandamentos. A primeira frase é: “Eu sou”, a afirmação absoluta, que testemunha a completa positividade. Este é o terreno de Deus e do S, o ponto de partida da Lei. Quando Deus fala de Si, tudo é afirmativo. Assim que Ele se dirige ao homem começa a série de negações, que se repetem a cada passo: “não terás, não farás, não tomarás, não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás, não cobiçarás etc.”. O terreno do homem é o terreno da negatividade, o do AS. E logo se delineia a luta, porque como a afirmação do S é a negação do AS, assim a afirmação do AS é a negação do S. A primeira coisa que Deus tem de fazer na formulação da Sua Lei é a afirmação do S contra a revolta do homem, para vencer o AS a que ele pertence.

A estrutura das leis divinas e humanas nos faria pensar que, por sua natureza, o homem seja mau, nascido pecador, cuja regra é uma conduta errada. A tarefa da Lei, impondo com sua ética uma conduta correta, é a de corrigir essa criatura má que, senão admitirmos a sua revolta e queda, como tal teria saído das mãos de Deus. Seria o mesmo que dizer que Deus, arrependido por esse Seu erro, procura agora remediar, tudo retificando com a Sua Lei.

Este seria o significado da ética e da Lei, se não aceitarmos a teoria da queda pela qual o mal, que mancha o ser e satura o mundo, foi devido à desobediência da criatura, não sendo obra direta de Deus.

Se a causa de tudo isto estivesse em Deus, então, para remediar o Seu malfeito, Ele não teria condenado ao trabalho duro da evolução a criatura inocente, injustamente julgada responsável e por isso forcada a pagar à sua custa. Então Cristo, em vez de redimir o homem, deveria ter redimido Deus que, com o Seu erro, gerou tanto mal.

É verdade que o homem é mau e a Lei está aí para corrigi-lo. Mas se o homem é mau, é porque ele quis cair no AS, e não porque Deus o criou mau. De Deus não pode sair o mal. E, se o homem não é mau pela maldade de querer ser assim, mas só por ignorância de involuído, também esse estado de involução é consequência da queda e por isso representa uma responsabilidade.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s