O Vórtice Vital

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Uma vez que as ondas amadurecem e degradam-se, sob a dança das inestancáveis oscilações, elas sofrerão nova inversão dinâmica. O pulso de radiação tornará a centralizar-se, seguindo-se nova contenção de seus potenciais, levando a energia a condensar-se ativamente em torno de um novo ponto no espaço. Um novo ser fenomênico será gerado, que, assim como sucede ao ser vivo que desencarna, retornará à liça física, a fim de experimentar novas manifestações no mundo das formas. Denominemos essa nova e importante individuação da substância de vórtice vital.

Feito de energias prisioneiras de si próprias, altamente dinâmicas e concentradas em torno agora de um eixo, esse novo rebento fenomênico, o vórtice vital, continua carreando em si a consciência, ainda adormecida em suas malhas. Chamado por muitos de mônada celeste, ele traz, todavia, um novo e diferenciado anseio: manifestar-se como um evento pensante e senciente, ou seja, um ser vivo.

Logo a energia “desencarna” do redemoinho atômico por ação da degradação radioativa. Depois de amadurecida e aplainada, ela investe outra vez, movida pelo princípio cíclico da substância, no remanescente mundo de matéria bruta, a qual elevará à condição de matéria orgânica, a fim de servir-se à manifestação da vida.

A vida nasce, assim, de um processo de íntima maturação das mesmas energias que fecundaram o universo físico e não de uma nova e diferenciada criação, como antes julgávamos. E dessa forma, o cosmo biológico nada mais é que a perfeita continuação do reino material. Unem-se os princípios que movem a matéria com os fundamentos próprios do espírito, comprovando-se a veracidade, mais uma vez, do monismo substancial em todas as instâncias da Criação.

O turbilhão vital é a primeira expressão de um novo organismo dinâmico, o corpo perispiritual. Ele acompanhará a consciência, vestindo-a com um campo energético próprio, apto agora a libertá-la de seu longo sono na matéria bruta. Esse perispírito primitivo tinha a forma esférica, e por isso é chamado por muitos estudiosos de nosso plano de vórtice globular. E, em razão de sua peculiar irradiação, é também conhecido por raio globular ou raio vital.

Na escola do tempo, o vórtice globular crescerá e desenvolver-se-á até atingir a complexa conformação perispirítica animal, pronta a servir-se às múltiplas manifestações da consciência no palco da vida.

Apresentando-se inicialmente no plano dinâmico, o raio globoso inicia logo sua interessante aventura de arrebanhar, em seu caminho, átomos de matéria bruta, maleáveis à sua ação. Com esses átomos, ele irá entretecer diferenciados compostos capazes de lhe proporcionar uma nova vestimenta e gerar com ela um novo campo de experiências, o reino orgânico, domínio de futuras e grandiosas elaborações no seio da natureza.

Essa irradiação vital amadurecida difunde-se pelos espaços, transportando fecundos anseios de vida.

Seus raios, carreando em si a mônada celeste, o espírito “caído do Céu”, bombardeiam as atmosferas primitivas dos planetas preparados, pela sabedoria divina, para o milagre da biogênese. Em nosso orbe, eles se chocaram com os colchões gasosos que o envolvem, ricos de compostos carbônicos voláteis, vapores de água, oxigênio e gases nitrogenados. Em meio às intensas descargas elétricas das descomunais tempestades do início, eles iniciam prontamente as atividades a que se prepararam nos ensaios dos milênios. Devidamente orientados pela ínsita sabedoria divina, eles arrebanham então os elementos atmosféricos, justamente os mais leves e dóceis à sua ação, a fim de confeccionar seu primeiro corpo de matéria densa. Mediante admirável processo alquímico, fruto da inteligência que serve o espírito em evolução, a unidade globular sintetiza as proemiais moléculas aminadas, ou seja, os primitivos e rudimentares aminoácidos, base para a futura construção de proteínas, estas sim, os blocos essenciais de matéria orgânica constitutivos dos corpos de carne.

Formando tênues membranas globosas na atmosfera, à semelhança de diminutas bolhas de sabão, os torvelinhos vitais pesaram e caíram no seio dos tépidos mares primitivos. Seus débeis corpos desfaziam-se facilmente ao contato com a água, por não terem ainda a rigidez necessária para resistir às pressões do meio líquido. No entanto, começaram paulatinamente a alimentar os oceanos primevos com moléculas orgânicas elementares, e compuseram, de fato, o que a ciência terrena designou de “sopa pré-biótica” ou “sopa orgânica”.

 

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