No Reino das Ondas

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Com a morte da matéria, ressurge a energia nos mundos das formas, pronta a proporcionar novas experiências à consciência em evolução no entrechoque das potências físicas primitivas. A radioatividade fecha o primeiro ciclo da substância no reino físico, iniciando nova fase no roteiro de sua maturação evolutiva. A consciência, adormecida na contenção dimensional mínima, experimentará agora, em novo impulso expansionista, a fuga nas radiações livres, onde se desdobrará em novas individuações, diferenciadas nas multivárias expressões do complexo espectro das ondas.

Para compreendermos esse novo reino sucedâneo de exteriorização da consciência imortal, o reino dinâmico, examinemos, ainda que rapidamente, a anatomia das ondas. Orientados agora pela realidade do monismo fenomênico, identificaremos, irmãos, nas energias, exatamente as mesmas atribuições impressas na complexidade universal, desde o reino da matéria bruta às primícias do espírito.

Entendemos agora que a vibração de energia nada mais é que a mesma onda de matéria bruta expressa em bem menor frequência de íntima oscilação. Então a manifestação própria da energia, nada mais que matéria irradiante, é um potencial de realização que se propaga na linha do tempo, alternando um pulso de subida com outro de descida. Ou seja, toda onda de energia, em sua intimidade, está constituída de duas polarizações invertidas, a crista e a depressão, que devem se alternar para a produção de trabalho.

Para nós torna-se evidente que a onda nada mais é que a reverberação, na trajetória do tempo, de seus dois movimentos básicos: a condensação e a dilatação dinâmica. Como vimos, esses dois pulsos fundamentais, a compor o íntimo respiro da substância, abraçam-se para tudo formar no cenário cósmico.

Portanto, a onda é a continuidade do respiro da substância. Sua crista é o momento de predomínio da inflação; e a depressão, naturalmente, a proeminência da contração. Movimentos que, em última instância, como já vimos, refletem a queda e a expansão que se lhe seguiu.

Estiremos uma mola e a veremos desenhar círculos abertos em forma de subidas e descidas alternantes.

Dilatemos um pouco cada uma de suas volutas nessa sucessão de círculos e ver-nos-emos diante do desenho de uma espiral. E ei-nos, mais uma vez, perante o traçado típico das trajetórias fenomênicas do universo, que já vimos. Assim, o desenho de toda energia, em última análise, é uma espiral alongada que se abre na teia do tempo, alternando, mais uma vez, seus essenciais pulsos de contração e expansão, o retumbar dos dois grandes movimentos prototípicos de nosso universo derrocado.

Logo, na intimidade das ondas, deparar-nos-emos outra vez com a inexorável presença do binômio involução-evolução, em forma de criptas e elevações. Fato que nos leva a admitir que, ainda nas expressões físicas mais grosseiras do universo, encontraremos sempre as mesmas manifestações do espírito imortal, frutos de idênticas leis universais. E assim concluímos que o espírito é o elemento que tudo produz no palco da realidade, o único que de fato detém existência real. Por isso, da matéria ao arcanjo assistimos nada mais que a multivárias manifestações de um mesmo fenômeno, o espiritual, único filho do Divino.

A partir de sua derrocada, é então a consciência falida quem se precipita em forma de onda nas paragens físicas, adquirindo a oscilação que lhe é própria. Pela intensificação de sua condensação, ela gerou a matéria bruta. E pela morte desta, a consciência é outra vez libertada para irradiar-se, aparentemente livre nas dimensões do Relativismo.

Partindo de um ponto de convergência próprio de sua individuação, sua potência criadora se espalha em formas esféricas e concêntricas no espaço ao derredor, porém abertas e pulsáteis, compondo formações espiraladas, em direção ao infinito. Logo, as ondas são também formações nucleadas, assim como o átomo, do mesmo modo como todos os fenômenos da Criação, sob o domínio da lei de nucleação, que já vimos.

Copiando o modelo do Todo, Deus, centro máximo de difusão e ao mesmo tempo de centralização da Criação, toda onda é ponto de irradiação de potências próprias e de convergência de forças semelhantes. Por isso, a onda centraliza e irradia-se, da mesma forma que o núcleo atômico concentra a unidade do átomo, mas esparge forças a partir de seu cerne. Fenômeno que também vemos, por exemplo, nas estrelas que concentram em si a atração gravitacional, mas difundem irradiações diversas, em forma de luz, calor e magnetismo.

Pela mesma lei, o ego almeja sempre fazer-se o centro de todos os interesses humanos, mas deve espargir de si, em forma de doação, os próprios valores. Desse modo, vemos novamente como todos os múltiplos fenômenos do universo nada mais são que expressões da unidade substancial que a tudo fundamenta na Criação.

Todo fluxo de energia está constituído de duas pulsões básicas que se alternam na linha do tempo: a crista e a depressão. De modo que a identidade de uma onda será dada pelo ritmo com o qual esses dois pulsos contrários se invertem na unidade do tempo, o que se denomina frequência de onda, e comumente se mede em ciclos por segundo. O intervalo que uma onda demanda para repetir um ciclo completo de ascensão e queda chama-se comprimento de onda. Naturalmente que, quanto menor é o comprimento da onda, maior será sua frequência na ordem do tempo e vice-versa.

Além dessas duas propriedades básicas, comprimento e frequência, uma onda admite ainda o atributo de altura, que é a medida da distância máxima que uma espícula se afasta de sua linha central de progressão. A altura de uma onda não determina mudança em sua identidade, como é o caso da frequência e do comprimento, mas apenas indica a intensidade de sua força. Uma onda de maior altura tem maior potência que outra de menor elevação. Ambas, porém, serão ondas de idêntica qualidade e expressão. Compreenderemos isso ao perceber que duas notas musicais semelhantes, porém de alturas diferentes, emitem o mesmo tipo de som, embora em distintas intensidades.

O que define, portanto, a diferenciação entre duas ondas, em última análise, é exatamente a frequência com a qual elas oscilam na unidade do tempo. As ondas jovens possuem altas frequências e reduzidos comprimentos; já as envelhecidas têm baixas frequências e alongados percursos periódicos. No reino das energias, as ondas, então, nascem como entidades de altíssima frequência e baixíssimo comprimento, desenvolvem-se, estirando paulatinamente suas extensões e reduzindo suas frequências, até se extinguirem na retificação de suas oscilações.

Desse modo, na escala progressiva de frequências, as ondas sofrerão, por lei de diferenciação, o mesmo processo de individuação que observamos no reino da matéria. Amadurecendo e desenvolvendo-se através da progressiva redução de frequência e alongamento do comprimento, os seres dinâmicos formarão entidades próprias no espectro energético, deixando um rasto de elementos diferenciados. E no reino das energias, os elementos-ondas agrupar-se-ão em famílias e espécies, distribuindo-se em conjuntos septenários, segundo a mesma lei periódica dos octetos, que de igual maneira permitiu a composição da tabela periódica dos elementos químicos.

No universo das ondas perceptíveis pelos sentidos humanos, nossos ouvidos detectarão as sete notas musicais, e nossos olhos, as sete cores fundamentais da luz visível, como expressão da mesma lei de periodicidade que orientou a individuação da substância no reino atômico.

O percuciente orador projetou-nos então a série das ondas, começando pelas gravitacionais, as de menor comprimento e mais alta frequência; passando pelas ondas da radioatividade, os raios gama e os roentgen; chegando ao ultravioleta; logo alcançando o espectro luminoso, visível aos olhos humanos, as sete cores do arcoíris; caminhando depois para o infravermelho; para se atingir as micro-ondas e as ondas sonoras audíveis pelo ouvido humano e, finalmente, as ondas hertzianas, usadas nas transmissões radiofônicas.

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