Gênese do Universo Físico

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Reerguido da fornalha de caóticas forças do início, nasce nosso universo físico. E já sabemos, perfeitamente, que o Senhor, na Cosmogênese original, não formaria antes uma barafunda de forças para ordená-las sob a paciente ação do tempo. O caos que denotamos no começo do nosso cosmo é o que resultou da revolta inicial, empreendida por aqueles que se rebelaram contra o primado do amor na primeira Criação.

As forças em queda dimensional no cenário relativista formaram um imenso buraco negro, contendo em si todas as potências herdadas do Reino puro, reduzidas agora à mínima dimensão na máxima condensação do espaço. Essa estrutura contida, de altíssima densidade e reduzidíssimas medidas, por íntimo rebote, em resposta à Lei de ação e reação, explodiu para gerar a realidade em que vivemos.

Na poética palavra do Gênese bíblico, esse torvelinho de forças desordenadas foi denominado de “trevas do abismo”, e sobre ele, segundo o relato mosaico, “plainava o Espírito de Deus”.

Nesse báratro efervescente do começo, interfere a inteligência divina com a sabedoria de Suas leis, a fim de impor-lhe uma mínima organização, de modo a viabilizar seu ulterior e adequado desenvolvimento. Seus princípios físicos fundamentais, condutores de sua fenomenologia, foram sabiamente estabelecidos nesse crucial instante, de modo a possibilitar, muito mais tarde, a manifestação da consciência, agora contraída nas reduzidas manifestações da substância, presa nas terríveis contorções do espaço e do tempo.

A consciência, o maior atributo divino da substância, com a queda ocultou-se no cerne infecundo dos adensados vórtices de matéria, onde experimentou sua aparente morte. Sua primeira e rudimentar manifestação, sob a orientação da Lei divina que não a abandonou, será o arranjo atômico.

Exatamente por isso, a revelação espírita informou-nos que o anjo começou por ser átomo, onde se encerrou pela eleição do egoísmo. Deus não iria projetá-lo em tal reduzido e inerte túmulo apenas para que crescesse, fato que hoje se nos torna evidente.

Uma vez confinado no sarcófago físico, a Lei de evolução apressa-se a resgatá-lo, estimulando-o a desenvolver uma organicidade mínima que lhe permitisse expressar-se da maneira mais conveniente possível no novo palco fenomênico formado pela queda.

Em meio ao intenso caos do começo, a complacente e sábia voz de Deus determina então que as potências fundamentais inseridas na substância dividissem-se nos impulsos essenciais do cosmo físico, separando-se em força nuclear, força eletromagnética, força gravitacional e força expansiva fundamental, prontas para distender o espaço, deflagrar o tempo, fundir corpúsculos mínimos, organizar o redemoinho atômico e sedimentar os grandes acúmulos de massas siderais, indispensáveis ao sustento da nova realidade que se formara.

Sob a coalescência dessas forças básicas nascem os átomos primevos do mundo físico. Embora bipartidas em seus cernes, em decorrência dos pulsos de queda e expansão que agora as embala, a extraordinária capacidade dessas forças pode ser reconhecida em parte, no mundo, através da explosão atômica, demonstrando-nos o incrível poder de que a substância está dotada, por herança divina.

Impulsionadas por essas potências fundamentais, a substância sofre progressivo aumento de sua frequência interna, adensando-se cada vez mais na mais reduzida porção de espaço possível, entretecida no novo cenário que surgia. Feita unicamente de pensamento puro, submetida agora à intensa oscilação, a substância avoluma-se no espaço, sob o império do tempo, gerando a ilusão de concretude nas instáveis paisagens do Relativismo. Surgem as três dimensões do volume, nas quais a substância se conforma, adquirindo as propriedades de massa. Estabiliza-se a matéria, e com ela nasce o exótico mundo das formas.

Sob a regência magnânima da Lei, a energia se fez matéria, base para as iniciais manifestações do ser,  preso em si mesmo e aparentemente morto pela queda. Ordenadas pela sabedoria divina, formam-se colossais adensados amorfos de protomatéria, em cujo seio logo se individuam as partículas de massa mais diminutas capazes de existência individual. Essas mínimas migalhas de matéria, agitadas intensamente pelas potências fundamentais, deixam os titânicos choques na bipartição de pulsos opostos, na caótica ebulição de protomatéria do início, para se estabilizarem como os corpúsculos básicos do universo físico.

A substância finalmente pesou no espaço e tomou forma. Reduzidíssimas frações de segundos haviam decorrido desde que se deu a grande queda. O espaço dilata-se vertiginosamente, impulsionado pela força expansiva fundamental, a fim de conter o novo e exótico rebento, que então nasce para fecundar o vazio sideral com uma descomunal profusão de partículas primordiais.

Pela lei de nucleação, esses estilhaços diminutos convertem-se em ponto de atração das forças emaranhadas ao derredor, agregando e fundindo-as a outras massas mínimas para formar, enfim, a trindade basilar do mundo atômico: o elétron, o próton e o nêutron.

Com o nascimento dessas partículas, compõe-se o átomo de hidrogênio, o elemento mais simples, feito de uma única unidade nuclear, o próton, ao redor do qual gira um só elétron. Este será o protótipo para o ulterior desenvolvimento de todos os demais elementos constitutivos do universo físico.

No cerne desses gigantescos conglomerados de protomatéria, no abismo das eras, enormes massas de hidrogênio ajuntam-se, sob a ação da força gravitacional, dando nascimento às primeiras galáxias. Berços de estrelas e mundos, elas não demoram a fecundar os canteiros cósmicos com os “luzeiros do céu”, edificados pela Lei para receber e nutrir, em futuro ainda distante, a consciência, quando, enfim, despertar de seu longo sono nos ergástulos atômicos.

Na tela ectoplasmática à nossa frente, uma janela abriu-se na paisagem marinha que nos deleitava os olhos, mostrando o universo em seus primórdios, revolvido por descomunais nuvens de hidrogênio ainda jovens, inflamadas e convulsionadas por ciclópicas forças.

As mãos invisíveis do divino Arquiteto, no entanto, facilmente as dominam, moldando majestosas formações galácticas espiraladas, que então iniciam seus elegantes bailados no cenário fenomênico.

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