Filho do Átomo

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Irmão, caíste, por imprevidência e revolta, nos abismos inclementes da matéria bruta onde encontraste tua morte. Poderosas forças divinas, entretanto, soergueram-te do lodo físico, despertando tua consciência para a vida.

Ao estenderes os olhos para a longa noite dos tempos, horroriza-te o passado de lutas, padecimentos e sangrentos enfrentamentos que viveste. No entanto, quantas limitações superaste! Quantos esforços já não necessitas mais despender para sobreviver no mundo das formas!

Venceste a selvageria atroz em que te consumias. Já não mais te servem as garras com que antes dilaceravas as carnes de teus irmãos para saciar-te a fome. E não mais requeres músculos vigorosos para escapar dos predadores. A arte do ataque e da defesa já não integra teus arsenais na grande batalha da vida. És um vitorioso da evolução, irmão, pois saltaste da atroz animalidade para a vida humana plena.

Agradece à sabedoria da Lei que te reergueu dos túmulos de pedras para a realidade do espírito e resgatou-te da barbárie para a alteridade. E honra as potências divinas que ainda lutam e trabalham avidamente para elevar-te às alturas celestiais, de onde precipitaste, realizando com alegria o esforço que te compete na dura ascensão evolutiva.

Caminha, irmão, sem te deteres nos malogros da estrada. Já vislumbras a intensa luz que fulgura nos horizontes do futuro. E conheces hoje a necessidade do bem para seguires alhures rumo à Pátria definitiva.

Todavia, careces ainda libertar-te de ti mesmo, pois tua consciência jaz até então contraída sob o império das formas. Lembra, o egoísmo é o grande vilão que te algema no espaço, sob as intempéries do tempo, e mantém-te cativo do torvelinho de energias em que te constranges. Quebra as amarras do ego inferior onde te prendes, irmão. Deixa tua alma planar nas lhanuras divinas e verás quanta paz inunda os campos superiores da vida.

Ainda que atribulações permaneçam visitando-te o coração e lágrimas insistam em lavar-te a alma, não te demores nos charcos das lamúrias. São recursos divinos que trabalham sem descanso para corrigir teus desvios da Lei e educar-te a consciência.

Ainda que o cinzel da dor continue a lapidar-te a felicidade, e o martelo das aflições maltrata-te o sossego, louva o sofrimento que o mundo oferta à edificação de ti mesmo. São os ferramentais que o Artista divino maneja para esculpir sobre o mármore bruto de tua inferioridade a magnânima angelitude.

Ainda que sorvas, sem que o queiras, o amargo fel de tua própria animalidade, devorando-te as entranhas do ser, recorda que a prática do excelso bem está disponível como a chave miraculosa capaz de abrir-te as portas para as alegrias do amor e arremeter-te às claridades do amor.

Ainda que o peso das iniquidades praticadas no pretérito siga vergando-te os ombros, a foguear-te a consciência já desperta para as benesses da bondade, lembra-te de cultivares o bom ânimo, pois feliz é o devedor considerado digno do pagamento definitivo de seus débitos.

Ainda que inimigos persistam estreitando-te os passos, a cobrar-te o mal que lhes fizeste, corre a acolhê-los na sublime compreensão, sem exigir-lhes o perdão que ainda não podem conferir-te. Trabalha com sinceridade pelo bem de teus desafetos e encontrarás teu lugar nas benesses da concórdia.

Mesmo que a ignorância insista em anuviar-te o espírito, atordoando-te a alma com a dúvida e o desespero, não olvides que o sol divino jamais deixou de irradiar-se sobre ti, fartando-te de conhecimentos. Abre-te aos seus benéficos raios e alçarás a galeria dos sábios.

E, enfim, mesmo que pesados envoltórios ainda te constranjam à permanência nos planos grosseiros, não te detenhas no lamento. Apressa-te a desfazeres do fardo de egolatria que adensa teus veículos de manifestação e então o amor restituir-te-á a veste nupcial, doando-te as potências do Infinito.

Avança, irmão, na certeza de que não tardas a encontrar-te com a grande realidade que te inunda os recessos do ser. Não demoras a descobrir que tua verdadeira natureza é divina, que não és um amontoado de carne e ossos ou sequer os vórtices energéticos em que ora te manifestas no exótico mundo das formas. Acredita, és um genuíno deus, entretecido em substância sagrada, pleno de inimagináveis poderes, momentaneamente distanciado da grandeza com que foste agraciado.

Vem para a luz, irmão. Volta para os domínios do amor. Nosso Pai nos espera com o amplexo do Infinito, para conferir-nos a Eterna Ventura.

Glorificado seja Deus nas alturas e que a paz verdadeira fecunde de boa vontade o coração de todo homem da Terra!

 

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