O mundo de rivalidade

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Os princípios descidos do plano do evolvido na forma de ideais, religiões, normas morais, leis sociais etc., representam um fardo que a animalidade procura alijar de si. Esta anela permanecer na plenitude de seu estágio e não se quer mutilar com a evolução que procura destruí-la. Todo progresso para o alto, no plano da animalidade, representa uma renúncia a vida.

Nesse mundo de rivalidade é natural que cada qual procure fazer com que a renúncia seja praticada pelo próximo, o seu rival, antes de ver-se constrangido a praticá-la ele mesmo. Assim é que se explica, em muitos casos, a exaltação dos ideais, uma vez que estes representam um meio para induzir o próximo a esta renuncia, a qual, limitando o seu espaço vital, aumenta o nosso.

Com isto não se quer dizer que não haja sinceros afirmadores dos ideais; mas, fato é que, se disto não decorresse alguma vantagem, muitos não os sustentariam. Nesses casos exige-se que as renúncias sejam vividas pelos outros em nome dos princípios ideais, porque limitando os apetites, quando não eliminam um rival, conseguem distanciá-lo como concorrente do mesmo prato onde preferimos comer sozinhos.

Para o evolvido tudo corre de modo completamente diverso. Uma vez que o seu centro vital esta situado em outro plano, é natural que a vida alcance os seus objetivos  em forma orgânica unitária, pois está situado mais perto do Sistema.

No plano do involuído, a plenitude da vida alcança-se com o triunfo da animalidade, enquanto no plano do evolvido alcança com o triunfo da espiritualidade. Para o involuído, contra as vantagens oferecidas pela prática dos ideais e das virtudes, interpõe-se a barreira representada pelo esforço necessário a subida até aquele plano em que o evolvido, que o alcançou, colhe naturalmente aquelas vantagens. Assim é que, no plano deste, as virtudes que tanto pesam para o involuído, são praticadas espontaneamente, sem esforço, como se verifica com todas as qualidades adquiridas no estado de instinto.

Para o evolvido as virtudes representam uma norma de vida das quais experimentou a utilidade, uma disciplina que valoriza o que a segue, uma lição bem assimilada.

Para o involuído, em vez disso, as virtudes representam uma norma nova que pretende inverter o seu mundo para construir um outro, prometendo efeitos dos quais não se experimentou ainda a utilidade, conhecendo-se, entretanto, o peso do sacrifício necessário para alcançá-los. Assim é que, se o evolvido se encontra em face dessas normas na posição de aceitação natural, o involuído vem a achar-se em posição de rebelião e de defesa. Desse modo este último defende-se contra as normas superiores da ética, da mesma forma como se defende contra todos os outros perigos que o ameacem, sendo esta a atmosfera do seu ambiente.

Entretanto o mundo está repleto de harmonias maravilhosas, cuja compreensão é fonte de imensas alegrias; está repleto de potencialidade gratuita para quem for digno de possuí-la, do mesmo modo como os espaços estão cheios de energia que gratuitamente move massas incomensuráveis de matéria. Estas harmonias e alegrias são desconhecidas pelos primitivos que vivem submergidos num mundo de agressão recíproca, e, portanto, de perigo e ansiedade continuas. Aqui a potência é disputada e fragmentada por não sermos dignos de possuí-la.

O evolvido é como um bólide que, liberto da material atração terrestre, pode livremente viajar pelos espaços usufruindo da energia gratuita a que tem direito todo aquele que se tornou  digno de captá-la. Então, o mundo, que para os primitivos está repleto de terrores, manifesta-se sob aspecto de todo diverso, como um mundo de ordem e de harmonias, em que a vida é garantida por um Deus, não mais iracundo e vingativo, mas verdadeiro pai de todos.

A nossa grande habilidade de saber vencer o próximo para usufruir neste inferno uma vida bem dura, torna-se um esforço sem sentido, uma condenação reservada aos inferiores, embora necessária para acordá-los de sua insensibilidade e ignorância.

O erro psicológico do involuído esta em acreditar que a disciplina das normas superiores constitui uma restrição da vida, enquanto esta disciplina representa somente o esforço necessário para alcançar condições de vida mais elevadas e melhores.

A ignorância do primitivo está em não compreender que a luta para sobrepujar o próprio semelhante não produz senão resultados imediatos e transitórios, enquanto a verdadeira luta que deveria ser travada é a da superação do próprio plano de evolução, por ser esta a única luta produtora de resultados decisivos, embora longínquos.

O permanecer encerrado na própria psicologia constitui a maior condenação do involuído, mas este é o natural e inevitável efeito de sua ignorância. Esta é própria do seu plano e ele não poderá sair enquanto não souber efetuar o esforço da superação. Em face da disciplina que deseja coordená-lo num sistema orgânico, ele se sente prisioneiro, rebela-se como faria uma fera posta a viver num dos nossos apartamentos.

Se o homem civilizado acha-se muito melhor na casa do que na floresta, o primitivo, sentindo-se engaiolado, praticará os esforços para evadir-se. Para este, permanecer nesse ambiente civilizado representa algo fora do seu concebível. Ele está inexoravelmente amarrado à lei do seu plano, os seus esforços desenvolvem-se conforme esta lei e para ele sua posição relativa tem valor absoluto. E não compreende que, pregando e não praticando, o ato de querer encerrar o próximo, em vez de si próprio, na gaiola das virtudes, não constitui astúcia em seu favor, mas prejuízo para si próprio. Se quisermos verdadeiramente ganhar, cada um de nós deverá tomar o seu fardo e carregá-lo para evolver.

É tão só para o primitivo ignorante que pode parecer, uma vez que está projetado para o Anti-Sistema, que o mundo seja um caos, em que a vida pertence ao mais prepotente que sabe impor-se.

O que tudo regula, também nos planos inferiores, é a lei de Deus, que é ordem e justiça. Somente quando se progride ao longo da escada da evolução, começa-se a compreendê-lo, porque subindo, o ser avizinha-se ao Sistema.

Eis o que fica sendo o mundo do evolvido transferido para o plano do involuído. Eis porque o produto das religiões e dos ideais está feito, praticamente, mais por pregadores de virtude do que por virtuosos. Eis como as normas de uma vida superior, movimentadas pelos astutos, servem muitas vezes para apanhar os ingênuos, os honestos, todos os fracos que não sabem defender-se.

Deus não pode ser enganado e Ele vê também atrás dos bastidores. Assim é que, pela Sua Lei de justiça, a humanidade sempre pagou,  está pagando e pagará os seus erros.

Somente depois de haver feito a diagnose do mal, é possível compreender qual deve ser a cura. Tão só depois de haver compreendido quais os erros perpetrados, se pode ver como são justas e merecidas as suas consequências, que a humanidade está suportando.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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