O justo lugar

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Quando a agressividade tenta por a vida em perigo, ela se defenda com todos os meios mais aptos, de conformidade com a elevação do plano em que tenham de funcionar. A mentira, de fato, desaparece espontaneamente no plano do evolvido, onde o dominante espírito de sinceridade elimina  automaticamente o espírito da mentira, caindo este de per si, não havendo mais, naquelas condições nenhuma necessidade do mesmo para viver.

Assim é que a luta torna o plano de vida do involuído um terreno repleto de traições, uma rede de enganos, uma ficção contínua. Para melhor enganar protesta sinceridade. A convivência social, num regime que embora não aparente, é substancialmente feito de luta, continuamente educa e obriga a esta ficção.

Isto permite, a possibilidade de múltiplas interpretações dos aspectos bifrontes de todos nossos atos, levando à formação de uma nossa segunda personalidade fictícia, sobrepondo-se a verdadeira para escondê-la, a qual é a mais considerada no julgamento da opinião pública baseia-se sobre ela e é este julgamento que, em nosso mundo, estabelece o valor do indivíduo.

A opinião pública inconsciente, irracional explosão de instintos elementares quase sempre egoístas e agressores, incompetente a julgar por ignorar as verdadeiras causas, mas assim mesmo sempre pronta a fazê-lo, embora, pela própria ignorância, esteja exposta a ser enganada pela astúcia dos mais espertos e menos honestos.

A vida é utilitária e neste ambiente convém mais aparentar, o que produz estima e confiança, do que realmente ser.

No ambiente do evolvido demonstrar as próprias debilidades significa receber compaixão e ajuda, não desprezo e condenação e, .por isto, é possível a sinceridade. Mas é natural que, num ambiente onde se vai à procura das fraquezas do próximo para destas fazer alvo, a vida se afaste de uma sinceridade que para ela se torna perigosa. Seria absurdo pretender que a vida ande contra si mesma.

No plano do involuído o egocentrismo isolacionista dominante separa cada indivíduo do outro, encerrando-o nos seus problemas pessoais, ignorando os problemas dos outros. Aí os defeitos e respectivos males dos outros não são os próprios. Torna-se por isso legítimo desinteressar-se e perseguir, quando disto pode resultar um acréscimo de si mesmo com o esmagamento do próximo.

O contrário dá-se no plano do evolvido, em que o estado orgânico dominante une todo indivíduo ao outro, situando-o como parte co-interessada na boa solução dos problemas do próximo. Neste plano, os defeitos e respectivos males dos outros valem os próprios, e, portanto é dever e útil interessar-se por eliminá-los uma vez que representam defeito e mal para todo o organismo de que se é parte e, pois, mal de todo seu elemento componente. É natural, assim, que o modo de comportar-se dos dois tipos biológicos seja completamente diverso quando o problema da vida nos dois planos está implantado de modo completamente diferente.

Tudo tem sua razão de existir e esta no seu justo lugar. Devemos ter em conta o fato de que no plano do involuído dominam insensibilidade e ignorância. Para poder efetivar-se a. evolução nestas condições, em pleno regime de separatismo e de luta, é que se tornam necessários os duros golpes que os involuídos se desferram reciprocamente, já que é nesta reciprocidade agressiva que eles cursam a escola necessária. Este é o duro pão indispensável para a dureza dos dentes dos involuídos.

A escola da evolução deve usar meios proporcionados a sensibilidade dos alunos. Tratados com espírito de sacrifício próprio poderia, em determinados casos, representar um convite á inércia e à exploração. Muitas vezes a condenação da opinião pública, a feroz acusação do vizinho, de que se ressentem os malefícios, representam o único meio que consegue se fazer sentido e percebido pela insensibilidade dominante.

Quantos não procuram deixar-se arrastar, e explorar o sacrifício de Cristo? Mas, com isto, não se pode enganar a vida. O resultado é que esta deixou o mundo, que recusou os argumentos da bondade, debaixo do látego dos duros argumentos dominantes e de todos conhecidos, por serem os únicos adaptados a sua sensibilidade.

Cada coisa está em seu lugar na ordem universal.

Quando o evolvido anunciou a sua verdade, deu o exemplo, completou o seu sacrifício, então basta. A sua tarefa esta cumprida. A cada qual pertence o esforço da própria evolução e não se pode explorar a dos outros para que efetuem a nossa, em nosso lugar. Se, depois, o involuído quer subir deve pôr-se em movimento com as próprias pernas.

Na justiça da Lei, a cada qual o próprio trabalho e tarefa.

Ao evolvido pertence redobrar-se em missão de sacrifício sobre os mais atrasados, ensinando e guiando, mas, depois, pertence ao involuído efetuar o esforço para mudar-se, seguindo as marcas dos mestres. Se não quiser fazê-lo, o dano será todo seu, e o martírio dos evolvidos que se sacrificaram por ele, ficará inutilizado para ele, uma vez que não quis colher o fruto oferecido.

Os involuídos poderão mesmo martirizar os evolvidos que descem na terra em missão, uma vez que a Lei o permite por ser esta a forma com que os primitivos tomam conhecimento das coisas. Mas se, depois, eles não aceitarem e não seguirem este conhecimento, ninguém poderá constrangê-los a isto, ou fazer e respectivo trabalho em seu lugar, trabalho necessário para alcançar com a evolução a própria felicidade. E assim eles, que se têm por fortes e astutos por haver sabido esmagar o evolvido que se sacrificou para eles, perdem a oportunidade de evasão que lhes foi oferecida e permanecem submergidos no pântano de seus males.

Os perseguidores de Cristo acreditaram conseguir vantagem mas fizeram seu próprio dano. Desse mesmo modo, todos os que põem entraves à missão dos homens superiores, acreditam vencedores, mas são vencidos; imaginando alcançar ganhos com a liquidação de um inimigo, deslizam cada vez mais para trás, para a ignorância e a dor.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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