A moral de agressão

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A natureza predominantemente egocêntrica e isolacionista do involuído, devido a sua posição retrógrada ao longo da escada da evolução, mais próxima do anti-sistema, manifesta-se em toda sua atitude.

A natureza predominantemente orgânica e unitária do evolvido, devido à sua posição mais avançada, mais próxima do Sistema, igualmente manifesta-se em todos seus atos.

A moral do involuído é predominantemente egocêntrica: começa de seus próprios direitos em relação aos outros e dos deveres dos outros para consigo. O regime de luta em que vive o involuído não pode deixar de aparecer a todo seu passo. Disto segue que a sua, porquanto externamente envernizada com a mentira de nobres ideais, é substancialmente uma moral de agressão. O que distingue e revela o involuído, é exatamente o espírito de agressividade, enquanto o que distingue e revela o evolvido, e o espírito de amor.

Num ambiente em que tudo é luta, qualquer coisa que venha a nele cair não pode deixar de ser transformado e utilizado como instrumento de luta. Não se pode dizer que no plano do involuído não existam ideais, religiões, morais, princípios de todo gênero. Leis não faltam. Mas tudo isto não representa a realidade biológica, vivida neste plano, mas a realidade biológica de planos superiores a serem alcançados no futuro, mas, hoje, ainda longínquos. Sua prática na terra é forçada, obtida somente por meio da ameaça das sanções. Nada tem da espontaneidade instintiva que aqui gozam os atos da animalidade.

Os princípios superiores aparecem na terra com um capuz imposto mais ou menos à força, sobre a natureza humana que, sendo bem diversa, procura rebelar-se, lançar longe o pesado fardo e, para evadir, tenta toda contorção possível. Enquanto o desejo primordial do evolvido é o de aderir à Lei, o primeiro desejo da involuído é o de dobrá-la a si mesmo.

Em nosso mundo, tudo é consequência lógica da posição retrógrada ocupada pelo involuído ao longo da escala da evolução. É uma série de elementos conjugados em corrente: revolta contra a ordem, estágio de desorganização, separatismo, isolamento egocêntrico, egoísmo, luta, agressividade, contra-agressívidade por necessidade de defesa. Torna-se desse modo um regime de incompreensão e de antagonismos que arrasta a todos.

Para corrigir os últimos efeitos, tornar-se-ia necessário remontar com a correção até as causas primeiras, estabelecidas pela natureza mesma do biótipo do involuído. Tão logo este conseguisse evolver até um mais elevado plano de vida, ingressar-se-ia num regime de compreensão que; com o reconhecimento dos direitos alheios, pacificaria todos os antagonistas.

Mas na situação atual, como pretender que a critica alheia, se esta é movida não por amor e para melhorar, mas sem amor, para acusar, venha a ser recebida de boa mente, sem que haja, em quem a receba, a explosão do espírito de agressividade de que aquela está repleta?

Quem é que não estaria pronto a aceitar e agradecer a intervenção do próximo, quando isto fosse feito a fim de bem?

Como podemos pretender que a vida dê ao indivíduo o instinto contraproducente de aceitar o que lhe resultaria em dano por ser movido por espírito de agressividade?

Como podem ser diversas a crítica e a reação que ela provoca, quando se vive num regime de luta?

Quando nos encontramos em face de tais reações, a culpa estará em quem as cumpre ou em quem as provoca, colocando a outra parte na necessidade de defender-se?

Por vezes acontece, nestes casos, de usar-se um Evangelho invertido. Este, de fato, prega a paciência e o perdão, desarmando o homem no terreno humano. Coisa ótima para quem se move contra aquele, no mesmo terreno. Levanta-se então a bandeira do Evangelho por ser, este o melhor meio para desarmar o inimigo. E se este não se deixa assim desarmar, deixando-se esmagar, pode-se encontrar nisto uma nova razão para condená-lo, frente aos nobres e santos ideais que este, com grande escândalo dos seus críticos, demonstra evidentemente não respeitar.

Então, em nosso mundo, onde tudo pode ser invertido e falsificado, alcança-se este “esplêndido” resultado: o de que as virtudes e os ideais que  deveriam tornar o homem melhor, vêm a ser usados como termo de confronto para mostrar os defeitos do próximo e para acusá-lo em causa disto.

Tal é a natureza do involuído, tal é o seu instinto que ele procura satisfazer, tal é o caminho para o qual o impele o espírito de agressividade de que está saturado o seu ambiente, pelo que tudo, em suas mãos, torna-se arma de luta para vencer e dominar.

Quem procura verdadeiramente a virtude, a procura em si mesmo e não nos outros e, se a possui, não a exibe para honrar-se. Quando assim fosse não seria mais virtude, mas exploração da virtude, e quem a procura somente nos outros, dela faz um meio para figurar esplendidamente enquanto está esmagando o próximo. Este método é muito usado para conseguir honra de virtuoso, é muito barato, causa muito incômodo alheio, mas bem pouco para si.

O involuído é prático e utilitário, e é parte de sua lógica conseguir fruto de tudo. Pode-se tornar este método mais seguro e proveitoso, acrescentando, a pregação da virtude, o escandalizar-se de quem não a pratica, distanciando-se mesmo, com repugnância, dos pecadores.

Tudo decorre sempre do primeiro fato, isto é viver o involuído num regime de luta em que a agressividade para o ataque e a defesa é uma condição necessária para a conservação da vida.

Num ambiente constituído de egocentrismos rivais, esmagar o próximo representa uma vantagem, a libertação de um concorrente, espaço vital conquistado. Para o involuído, ideais e virtudes constituem um impedimento nesta luta.

Como, pois, deixar de procurar, dada a psicologia utilitária dominante, de jogar este impedimento sobre os ombros do vizinho, para amarrá-lo o mais possível, se isto constitui vantagem própria?

Estamos, aqui, situados num terreno onde reina o egoísmo separatista. Cada um por si. E se o indivíduo não aproveitar a fraqueza do vizinho para sobrepujá-lo, este aproveitara de sua bondade para esmagá-lo.

Tudo isto evolvendo, cai de per si por ser contrário a lógica da vida no plano orgânico do evolvido, onde tudo isto não tem mais razão de existir. Entretanto, é lógico que a lógica da vida seja diversa no plano do involuído isolacionista.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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