A fecundação dos ideais

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Eis como se verifica o fenômeno da descida dos ideais na terra. Trata-se de um processo que lembra o da fecundação, pelo qual é sempre o elemento positivo, mais poderoso porque está a testa do caminho da evolução, que agarra e arrasta consigo o elemento negativo que, como mais fraco, é arrastado e dessa forma conduzido para frente. Evolvido e involuído são os dois termos desta união.

São três as grandes finalidades da vida que as alcança através de três formas de união, pondo no ser, para esse fim, instinto adequado.

1º) a conservação do indivíduo, pelo que este se une ao seu alimento, impelido pelo instinto da fome.

2º) a conservação da espécie, pelo que o macho se une à fêmea, impelido pelo instinto no amor.

3º) A ascensão do tipo inferior, pelo que o evolvido se une ao involuído, impulsionado pelo instinto da evolução.

Três finalidades a alcançar, três uniões a serem efetivadas, três instintos a serem saciados. Em cada caso há um recobramento do mais para o menos, estendendo a mão, ajudando a levantar-se para o alto. E, então, o menos torna-se instrumento do mais, como meio para sua realização. Isto mostra-nos como a vida é uma, não obstante os seres se distanciem nos seus diversos planos. Mostra também como, dividida nos seus particulares, permanece compacta por ser regida por princípios uniformes que estabelecem uma rede universal de relações que entrelaçam tudo a tudo.

Estamos no reino do relativo, em que todo ser é um fragmento e, como tal é incompleto, sendo, por isso mesmo, continuamente impelido à procura do seu termo complementar do qual necessita para completar-se.

O termo complementar do evolvido é o involuído.

Por isto Cristo amou, mais do que todos, os humildes, os pecadores, a ovelha perdida. Este é o destino fatal dos mais adiantados: o de se sentirem atraídos pelos mais atrasados, por ser esta exatamente a função biológica do evolvido, isto é, de os fazer progredir. É esta atração que explica o seu instinto de sacrifício em prol dos piores, os que, exatamente, mereceriam menos tal sacrifício. A vida é lógica, econômica e utilitária. Se ela cumpre este contra-senso, havemos de presumir que ela possui seus bons motivos, que aliás, são os acima referidos.

Podemos, assim, compreender também racionalmente porque Cristo tomou sobre si os pecados do mundo e o que isto significa em face dos princípios positivos da vida.

De outro lado, o termo complementar do involuído é o evolvido. Aquele persegue este, mata-o depois rebela-se, mas o seu ponto de referência, seja mesmo em forma negativa, é sempre aquele, o evolvido.

Quem blasfema contra Cristo, afirma sua existência e poder. Esta é a manifestação do inferior, ávido de destruição. É com a agressão que ele pode manifestar o seu maior grau de interesse. Sendo inferior, submergido no Anti-Sistema, o involuído é negativo e, sendo tal, assim como ama bestialmente com a violência, assim mesmo une-se com a revolta. É a sua maneira de expressão, conforme a sua natureza.

O mundo está unido a Cristo para enganá-lo, traí-lo, explorá-lo, mas mesmo assim, a seu modo, está unido a Ele, que permanece sempre, para todos, tanto para quem o ama, como para quem o odeia, o termo de referência, a unidade de medida dos valores, o farol que indica o caminho, também para os que não querem andar.

Agora podemos dizer que temos sob as nossas vistas a exata posição do evolvido e a do involuído em face das leis da vida. Podemos compreender suas, diversas atitudes em frente aos ideais que representam o, futuro da evolução. Encontrando-se os dois tipos em posições opostas, é natural que seja oposto o seu comportamento.

Situados em face desses ideais, o evolvido é levado espontaneamente a vivê-los; o involuído, contrariamente, procura escapar-lhes. Este o índice revelador da natureza do indivíduo. Na posição avançada dos ideais, o involuído encontra-se deslocado, enquanto o evolvido encontra-se bem, no seu ambiente natural.

A natureza do indivíduo é imediatamente manifestada claramente pela atitude por ele tomada em face desses ideais, positiva para o evolvido, negativa para o involuído. O primeiro procura subir para melhorar-se cada vez mais, é levado, por isto, a praticar mais do que pregar, mais a querer ser, do que querer aparecer. O involuído procura submeter os outros sob o peso de todas as virtudes, impor aos outros o esforço da ascensão que a ele não interessa; é, por isso, levado mais a pregar do que a praticar, a querer aparecer mais do querer ser.

Cada qual age conforme a própria natureza e com isto revela-se.

Colocado diante de seus próprios defeitos, o evolvido não se sente ofendido, mas procura corrigi-los uma vez que seu escopo é o de melhorar. Se observa defeitos dos outros, procura advertir particularmente para aconselhar e melhorar, não para acusar, procurando o bem do próximo e não uma ocasião para desacreditá-lo. Aviso que é aceito, por trazer o bem e ser feito com amor.

Contrariamente, o involuído, posto em face de seus defeitos, ofende-se e não procura corrigi-los; justifica-os e defende-os, eis que seu escopo é o seu triunfo egoísta, a afirmação do eu; se encontra defeitos nos outros, procura acusar o próximo, sem buscar compreender a sua fraqueza, a sua luta para melhorar, as dificuldades para superar a própria animalidade; acusa-o, por estar em culpa e defeito contra os grandes ideais, exaltando-os, assim, ao negativo, como meios de agressão e condenação. Nenhum aviso particular oferece para ajudar a melhorar e corrigir, mas escandaliza-se, como e direito dos puros, dos juízes, a cujo lado o involuído gosta de colocar-se.

Na sua astúcia, o involuído, gosta de tomar a veste de integérrimo, porque isto o situa na posição privilegiada de defensor do ideal e o autoriza à condenação, em que o seu eu triunfa, erigindo-se em modelo para o esmagamento do próximo. É o completo triunfo do instinto egocêntrico, oposto ao instinto altruísta do evolvido. Desse modo revela-se o involuído. Seu terreno é o da luta, em cuja função desenvolvem-se os seus  pensamentos e atos. Encontrando-se em ambiente hostil, que o mantém continuamente na necessidade do ataque e da defesa, o problema de seu melhoramento é sobrepujado pelo problema mais premente da luta para a sobrevivência. Neste ambiente de rivalidade, o deixar que outro descubra os seus defeitos significa pôr a descoberto o ponto fraco a ser tomado por alvo pelo próximo, pronto a agredi-lo.

Assim é que se explica como em nosso mundo esteja difundidíssima e instintiva a mentira, que se torna arma de primeira necessidade para a defesa própria.

Condena-se este tão difundido espírito da mentira, mas é forçoso reconhecer ser isto uma consequência lógica, poder-se-ia dizer necessária, do espírito de agressividade que o gerou, sem a qual a mentira não teria finalidade e, pois, nenhuma razão de existir.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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