O Triunfo do Bem

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A psicologia da condenação e da polêmica é própria da mentalidade do involuído e queremos exatamente superar essa atitude costumeira. É neste plano de vida que é usual sobrepujar o próximo, constituir-se em juízes para encontrar-lhe os defeitos, demonstrá-los e vencê-lo. Desse modo pensamos com uma forma mental em que não interessa a própria supremacia, mas interessa a compreensão, sem a luta para vencer, mas o saber coordenar-se na harmonia da lei.

A verdade não é um produto individual a ser imposto, mas é uma substância universal situada na lei e que todos podem ver, já que, para quem tem olhos, a lei sabe mostrar-se de per si, e todos quantos possuam intelecto podem compreendê-la. Então quando alguém erra, ainda contra nós, a sua condenação ou punição de nossa parte, não só não tem sentido, como ainda é contraproducente, uma vez que para esse trabalho de endireitamento existe a lei, que o sabe fazer muito melhor, já que ela é mais poderosa e mais sábia do que nós.

Compreender que o plano do evolvido é o plano orgânico em que tudo corre bem, desde que cada qual permaneça plenamente disciplinado em seu lugar, diferindo da  divergência de nosso plano, no regime do individualismo desorganizado, onde há de ser conquistado a cada um de per si, de modo que a posição não exprime sua função no organismo, mas a força que o indivíduo possui e com a qual conseguiu afirma-se.

Assim é que, no plano do evolvido, em face da ofensa reage-se com o perdão, tal como aconselha o Evangelho que é próprio daquele plano. O involuído acredita, se ele perdoar desse modo, fica sem defesa, e assim pensa e erra por causa de sua miopia. Entretanto esta é a melhor defesa, poder-se-á dizer mesmo a maior vingança, porque então, se deixarmos tudo nas mãos de Deus, intervém a lei e não há poder ou astúcia humana, nem tempo algum que possa fazê-la parar.

Quem conhece a lei sabe muito bem que justiça será feita, sem que haja possibilidade de escape. Somente a ignorância dos primitivos pode supor escapatórias e que o sistema do Evangelho deixe o indivíduo sem defesa e que, quando este não recorre aos seus próprios meios, está abandonado e perdido. Isto pode acontecer nos planos inferiores onde reina a desordem, mas não nos superiores onde reina a ordem e a justiça.

Estamos no mundo humano, mundo, predominantemente, do involuído, dirigido não pela Inteligência, bondade, justiça; mas pelos instintos da animalidade. Baseado no princípio do triunfo do mais forte, nele toma-se natural e contínua a luta para o triunfo desse mais forte. O estágio normal é o da guerra, de todos contra todos, visando o sobrepujamento recíproco e a vitória do mais forte; por isso um estado armado, em que a paz é condição excepcional e a agressão torna-se possível a todo momento.

A paz não é senão a trégua entre duas guerras, um descanso para a preparação de outra. Isto é verdadeiro tanto para as nações como para os indivíduos.

O que permanece é o fato da agressividade contínua. Como se comportam em face desse fato os dois tipos, o involuído e o evolvido? O primeiro mantém-se permanentemente armado, calcula o poder do vizinho e procura superá-lo, armando-se cada vez mais. É bem conhecida a corrida dos armamentos.

Entre os indivíduos, cada qual procura superar o vizinho em poder econômico e posição social etc. Neste plano, o ser conta exclusivamente consigo mesmo, já que tem conhecimento de que, não sabe defender-se de per si, ninguém o defende e estará perdido. Esta é a consequência natural do princípio do separatismo vigente neste plano.

A posição do evolvido é completamente diversa. Se, de acordo com o ensinamento do Evangelho, ele jogou fora todas as armas humanas, todavia mantém consigo, para sua defesa, uma arma diversa e bem mais poderosa. O ponto fraco do involuído está no seu separatismo que o torna um ser isolado, circundado em toda parte de inimigos e perigos. O ponto forte do evoluído está em sua organicidade que o toma um indivíduo unitário, circundado em todo lado por amigos e auxílios. Não possui ele egoísmo que o separe do próximo, e este não é seu inimigo, mas seu amigo. Assim, aquele estado de guerra que toma a terra um inferno, cai de per si; assim como cai a necessidade de viver sempre armado, em luta permanente, e caem todas as suas consequências. Eis, então, como se toma possível o abandono de todas as amas, aconselhado pelo Evangelho e que, para o mundo, parece loucura.

O que acontece, em face de uma agressão?

Como se comportam os dois tipos diversos?

O involuído aponta todas as suas armas e apresta-se para a batalha, desenvolvendo o máximo todo o seu poder destrutivo, para aniquilar fisicamente a parte adversa. Do egoísmo separatista não pode nascer senão esta revolta contra a vida, continuação da primeira revolta, causa da queda. A batalha cria uma atmosfera da destruição, de onde emerge o grande vencedor, pronto a continuar o lance sobre outros menos fortes do que ele, para destruí-los. O sistema da luta não resolve a luta, vencer não significa afirmação de paz. O mundo tem sempre acabado uma guerra para recomeçar com outra.

Qual é, ao invés, o comportamento do evolvido?

Como pode vencer com a reação do perdão?

Qual a significação da não resistência?

Como pode ser de maior vantagem o sistema de não resistir ao mal?

O mal é uma dívida humana que é preciso pagar, e as dívidas não se extinguem criando dívidas novas, com as quais, ainda quando se alcança prorrogação, a dívida aumenta e não se resolve.

Um estágio qualquer não pode ser eliminado senão por uma ação contrária.

O mal é carência do bem, o ódio carência do amor. Quando caímos no negativo por inversão do positivo, não conseguiremos sair dessa condição continuando a inverter do positivo ao negativo, mas, tão só, iniciando o caminho oposto, do negativo ao positivo.

É absurdo acreditar que o mal possa sarar com um mal maior. O mal só pode sarar com o bem, o ódio não pode sarar com mais ódio, mas, tão só, com o amor.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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