Nasce o Evolvido

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O método do involuído corresponde ao sistema elementar dado pelo principio da ação e reação, funcionando no campo dos elementos isolados pelo seu separatismo, pelo que eles não se conhecem um ao outro. Agem eles independentemente, agindo e reagindo nos recíprocos embates com simplicidade, ignorando qualquer técnica mais complexa.

O método do evolvido corresponde ao sistema mais elevado dado pelo princípio da reabsorção, possível onde, no mesmo campo, os elementos estão fundidos num estado orgânico, pelo qual bem se conhecem um ao outro. Agem e vivem numa contínua interdependência recíproca, na posição de elementos comunicantes, própria do estado orgânico. Sua vida, derivando do estado fragmentário, coordenou-se no estado unitário.

A grande diferença entre involuído e evolvido qual todo o resto depende, é o estado de separatismo individualista no primeiro caso, e de coordenação unitária no segundo. Dados estes dois princípios opostos, é lógico que deles decorram consequência opostas, isto é, o método da reação para o involuído, e o método da compaixão e perdão para o evolvido. É lógico, no primeiro caso, considerarem-se inimigos os estranhos, como o é, no segundo, considerarem-se amigos os membros da própria família.

Tudo depende da atitude mental dada pela própria psicologia, dada pelo plano biológico em que se vive.

A diferença está no fato de o involuído considerar os seus problemas isolados dos outros, enquanto o evolvido os considera todos fundidos, cada um como parte do mesmo problema de todos. Assim é que o involvido permanece irremediavelmente separatista, enquanto o evolvido permanece orgânico unitário.

Devem existir, pois, mundos de maior progresso, em que o Evangelho, com os seus princípios de convivência fraterna, deve constituir uma posição já alcançada, uma realidade vivida e não uma meta longínqua a alcançar, uma realidade futura. Os companheiros do evolvido estão nesses ambientes e a distancia espacial não pode impedir que eles permaneçam espiritualmente seus vizinhos.

Mantém-se ele em comunhão com estas grandes coletividades espirituais, e é deste mundo mais elevado que descem as forças para defender o evolvido feito inerme por haver deitado fora todas as armas.

A ignorância do involuído é tamanha que ele não só consegue acreditar que o homem evangélico é um débil, quando, em vez disso, é o mais forte, o único vencedor verdadeiro, assim como supõe que a vida é tão pobre de meios e de tão reduzida inteligência, que deixa os seus pontos mais vitais desprotegidos, ao dispor da prepotência dos menos evolvidos.

Este estudo conduz a compreensão da significação profunda do Evangelho e da estranha estratégia  usada por ele para vencer a batalha da vida. Nossa tarefa não é apenas a de contar uma história, mas, acima de tudo, a de compreender os elementos sobre os quais ela tem apoio, as forças que a movem e a sustêm, a lógica que a guia, a sua profunda significação moral e espiritual.

Continua a Grande Batalha entre involuído e evolvido. A história que iremos contar é a de um cordeiro que anda entre os lobos e vence, sem armas, com o perdão e o amor.

O involuído responde: “Não, não é possível. Sei por minha experiência, que, se ainda estou vivo, devo-o ao fato de ter sabido defender-me. Sei, ainda, que se quiser continuar a viver, não há outro meio senão o de continuar com o mesmo sistema”. O raciocínio permanece verdadeiro enquanto se tratar de involuídos. Se um deles passa a fazer-se cordeiro, é natural que venha a ser devorado, porque é a lei do plano ao qual pertence. Mas isto não quer dizer que não possa haver o outro tipo, o evolvido, de cujo plano é a lei diversa, e pode permitir-lhe vencer lá onde o outro perde quando usa os mesmos sistemas.

A vida, observada do lado do evolvido, não pode parecer ser a mesma daquela observada do lado do involuído. Os dois modos podem conduzir até a conclusões opostas, especialmente quando, encontrando-se os dois tipos a conviver no mesmo terreno, surge entre eles o problema de relação e os julgamentos tomam características de reciprocidade. Todos julgam: o evolvido julga o involuído, o involuído julga o evolvido, cada um com a sua tábua de valores e moralidade diversa, naturalmente condenando o outro, como por coerência e interesse condena-se tudo o que esta fora das próprias unidades de medida.

Em nosso mundo vigora uma ética estandardizada, de medida média, adaptada à sensibilidade e exigências da maioria. Acima desta média, no alto há os santos, os gênios, os heróis, embaixo os primitivos permanecidos ainda selvagens, os delinquentes. Uns e outros estão fora da medida média. Formam eles para si uma ética adaptada à sua sensibilidade e às exigências de suas vidas. Enquanto a ética geral procura enquadrar todos nas suas normas, todo indivíduo, de seu lado, procura adaptá-la o mais possível ao próprio temperamento, defendendo-se contra aquelas normas, com o fim de ser por ela incomodado o menos possível.

O moralista, que dita as leis da conduta humana, deve fazer suas contas com esta resistência por parte do material vivo sobre o qual aquelas leis devem incidir. Se as contas forem erradas, se a resistência for demasiado forte, quando as leis exigem mais do que a maioria pode dar, então, é o legislador e a sua ética que vão para o ar. Poderão ser descuradas as minorias, que terão de resolver de per si o seu problema, mas não se poderá pretender possuir a força de dobrar as massas, exigindo delas o que não podem dar.

O mundo está repleto de leis, religiosas e civis, de costumes sociais, de normas de todo quilate, que estatuem qual deve ser a conduta do indivíduo. Deixando de lado o evolvido, que exceção não faz número, a massa vem a encontrar-se em face de uma série de imperativos éticos que encerram como num torno a sua natureza animal inferior para impeli-la a evolver. Por isto, então, as massas anelam a liberdade. Mas a liberdade que elas invocam não é a que cria seres livres, mas a que faz escravos, eis que elas desejam somente livrar-se do esforço que lhes é imposto pelas normas éticas para evolver, sendo ansiosas de continuar a refestelar-se na animalidade.

O moralista, o legislador que se propõe a ditar normas de vida, nunca deve esquecer a natureza involuída do tipo biológico a quem as dirige e de quem exige adesão. Em nosso plano de vida tudo é luta, também entre as leis e o indivíduo, entre os princípios e a sua atuação, entre a teoria e a prática. Em nosso mundo usa-se a inteligência não para aderir ao ideal, não para imitar os modelos apresentados a humanidade, mas para refinar-se cada vez mais na arte da evasão do peso da disciplina e de reduzir tudo, mesmo invertendo-se, em seu próprio favor.

Eis, então, que, quando um evolvido desce na terra, trazendo aqui, do seu mais elevado plano de vida, novas normas de conduta para guiar a humanidade, educando-a e impulsionando-a ao progresso, assistimos ao estranho fenômeno representado não por uma adesão consciente, na vantagem própria de evolver, mas pela procura das escapatórias para subtrair-se àquelas normas que, no entanto, representam um convite a elevar-se. Eis como são recebidos na terra os ideais descidos do mundo do evoluído. Tudo é sempre luta, e dado que aqueles ideais atacam a animalidade para superá-la, surge de parte desta a reação para sobreviver. Então a inteligência, em lugar de ser usada para evolver, é empregada para não evolver.

Tornar-se-á interessante, ao lado do estudo da ética, estudar paralelamente as escapatórias encontradas pelo homem para subtrair-se a pressão das normas dessa ética. Representam muitas vezes primorosas obras primas da astuciosa arte da evasão.

É interessante observar como acontece o fenômeno da descida dos ideais na terra. Um evolvido cidadão de outras humanidades toma o seu corpo na terra. Os homens, observando que ele possui um corpo igual ao seu, o julgam um seu semelhante. Mas embora tudo apareça igual externamente, não o é interiormente, onde habita uma alma de outro tipo. Começa esta a manifestar-se pela palavra e pela ação. Dos planos mais elevados, desce, para os mais baixos, uma atração, uma espécie de fascinação, que move. A inconsciência instintiva como um convite e um impulso a obedecer aquela atração. Assim a vida move o ser, por meio destes seus fios misteriosos, para arrastá-lo para onde ela quer. Igualmente acontece no mistério da atração sexual a que se obedece sem saber o porquê. Mas é bastante que o saiba a vida que tudo dirige.

Desse modo as massas seguem á homem superior, a quem a natureza confere uma fascinação que lhe é indispensável para executar o trabalho que lhe confia. Assim as massas seguem o evolvido. Eis então que, na última fase do desenvolvimento do fenômeno, o homem superior imprime o seu sinete de fogo nas carnes de seus seguidores.

Como se deu com Cristo e o Cristianismo, as massas, depois, rebelar-se-ão, procurarão evadir-se, com astúcias inumeráveis. O abraço inicial, todavia, continua, e, como todo abraço, será uma forma de luta. Mas, na luta, Cristo, para vencer o mundo, e o mundo para destruir Cristo, os dois estão abraçados. O elemento negativo oferecerá todas as resistências, mas está nas leis da vida que ele seja dominado e fecundado pelo elemento positivo que e o mais forte.

A luta continua e continuará, mas a semente foi imergida no terreno que havia de recebê-la. Continuará a luta, mas o germe fecundador aí está ativo, gerador do feto que é a alma do homem novo e representa o biótipo do evoluído; e o processo não poderá parar até que aquele novo ser nasça.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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