Individualismo e Coletivismo

AGB

As finalidades que a vida se propõe alcançar nos dois diversos planos de evolução são completamente diversos.

No nível do involuído, ela tende ao individualismo. A construção biológica que quer levar a efeito, é o homem forte, rebelde contra todos, o homem que vence subjugando o mundo. Do trabalho criador da evolução no plano do involuído não pode surgir senão um ser prepotente, forte e bem construído, apto ao domínio, mas isolado de tudo que está fora do seu eu.

No nível do evolvido, a vida tende ao coletivismo. A construção biológica a ser valorizada é o estado orgânico que todos abraça e funde em colaboração numa única unidade, na qual o indivíduo funciona disciplinadamente numa ordem útil para todos. Do trabalho criador da evolução no plano do evolvido, nasce uma humanidade forte e bem construída, feita de eus unidos no mesmo organismo, apta a um domínio mais amplo, não mais vencedora de um indivíduo contra os outros, mas alcançando a vitória de toda a coletividade sobre as forças naturais do planeta.

A vida evolve não somente para a espiritualidade, mostrando ser o telefinalismo da evolução uma sensibilização nervoso-psíquico-espiritual cada vez mais inteligente, mas evolve também para a formação de unidades orgânicas sempre mais amplas e complexas. Isto conforme o princípio das unidades coletivas  e de conformidade com o plano geral de reconstrução do universo, pelo qual a evolução conduz do separatismo a unificação, do caos a ordem, da rebelião a disciplina, do Anti-Sistema ao Sistema.

Explica-se, assim, como a construção levada a efeito pelo plano inferior, é sempre mais individualista e separatista, menos unitária que a dos planos superiores, representando estas um estado de maior fusão, por colaboração e amor. Eis porque, num dado momento da evolução biológica desponta o Evangelho. Eis a sua significação sempre maior, até a máxima e completa em que, com o retorno a Deus, reconstruir-se-á toda a ordem destruída com a revolta e a derrocada do Sistema no Anti-Sistema, que a evolução agora está reconstruindo e reconduzindo ao Sistema.

Esta é a significação profunda do movimento da evolução. Decorre disto que, se o evolvido presentemente, na terra pode parecer anacrônico, fora de fase, e pode findar no martírio, todavia é a ele e não ao involuído que pertence o futuro e a vida. A evolução está preparando não o estado antissocial e desorganizado do primitivo, mas o estado orgânico da sociedade dos civilizados.

A razão está com o involuído, e com o evolvido, está a culpa, mas tão só temporariamente, enquanto a vida permanecer retardada no nível atual. Mas, tão logo, o sobrepujar, tudo mudar-se-á e o involuído, a quem hoje pertence a razão, será expulso das sociedades mais civilizadas do futuro. Ou civilizar-se-á ou ficara um retardado e, nessa qualidade, rejeitado para ambientes inferiores, somente onde poderá viver porque será adaptado a eles. Com a sua vitória atual, ele traz consigo a sua condenação, a de ser um involuído, incapaz de funcionar de outra forma, constrangido a permanecer encerrado naquele seu plano de vida, o da animalidade, com todas as suas consequências.

Dá-se o contrário com o evolvido. Será, ele, por enquanto, um deslocado e um mártir na terra.

Os crucificadores poderão gargalhar quanto quiserem aos pés da cruz, tal qual fizeram com Cristo, mas, como aconteceu com Ele, depois cada qual volta ao seu lugar, no seu plano de vida. Cristo sofreu, deixou que o matassem, mas a conclusão final foi ter Ele voltado ao seu céu e terem ficado na terra os homens ferozes que o crucificaram, com toda a sua raça de involuídos, para continuar a se matarem reciprocamente e sofrer todas as dores consequentes.

Presentemente, em nossa humanidade, os dois mundos vivem, morrendo um, e o outro nascendo, num atrito demonstrativo de sua transformação. Nesta posição estão em vigor duas, opostas tábuas de valores, uma em via de extinção e outra em processo de formação. Para o evolvido a lei representa a ordem, sendo vantagem de todos o segui-la. Significa a disciplina necessária para o funcionamento do organismo que é a vida de cada um e de todos. Para o involuído a lei representa o comando do mais forte que, por ter vencido, sente-se no direito de ser obedecido por todos, não por um fim de utilidade coletiva, mas, apenas, para os fins do próprio egoísmo.

Por isso, se, no mundo do involuído, a lei significa somente o interesse do vencedor, interesse que não é o do vencido, a posição para a qual a vida impele o indivíduo não é a da obediência disciplinada, mas a da revolta. Não é possível impedir a vida de ser utilitária, e de procurar, por isso; em primeiro lugar, a própria defesa.

É natural que o ser procure a posição que melhor lhe garanta a vida. Ora, se a força do evolvido está na ordem onde é possível afirmar-se altruisticamente, a força do involuído está na desordem, por haver somente aí a possibilidade de afirmar-se egoisticamente. Assim é natural que cada um procure afirmar-se conforme a sua lei: o evolvido altruisticamente na ordem, e o involuído egoisticamente na desordem.

Não é possível pretender que o evolvido possa confiar-se ao caos, para ele destrutivo, como se não pode pretender que o involuído possa confiar-se a ordem para nesta encontrar sua defesa, coisa para ele sem  sentido, uma vez que para ele a ordem que o defenda ainda não existe.

Aquilo que para o evolvido, mais adiantado no caminho da evolução, representa uma força real em ação, para o involuído representa somente um germe em formação, uma possibilidade ideal futura, ainda sem consistência real.

Explica-se assim, como, quando aparece em nosso mundo o evolvido com sua psicologia própria ele é tomado como um teórico, um ingênuo desconhecedor da vida. De fato, para o involuído, a vida é uma coisa completamente diversa, que não obedece, por nada, aos impulsos que movimentam o evolvido. Este fala de amor ao próximo, vendo-se nele a si mesmo, mas o involuído bem conhece que o próximo é inimigo e sabe que quem não esmaga o inimigo, por ele é esmagado. O evolvido fala de disciplina espontânea na ordem, e isto num mundo em que a obediência se obtém somente com a ameaça de uma punição.

Aqui tudo é regido por uma cadeia de proposições logicamente conexas: egoísmo, separatismo, individualismo, funcionamento possível tão só por força de dois impulsos, medo do dano e desejo de vantagem. Dada sua natureza, o involuído não pode funcionar de outro modo, sendo sensível somente ao seu caso individual. Serem destruídos todos os seus semelhantes, não lhe interessa, a menos que lhe sobrevenha dano pessoal.

Como os animais na floresta, cada qual pensa em si próprio. A utilidade coletiva, de sumo interesse. para quem vive numa sociedade orgânica, ideia sensibilizadora para o indivíduo organizado, representa algo que o involuído não consegue perceber, considerando até contraproducente cogitar dela.

Desta forma mental deriva logicamente toda a estrutura do nosso mundo atual. A ordem não é espontânea, compreendida, mas é uma sobre-estrutura imposta a animalidade, permanecendo seus instintos na base do edifício. Como ponto de partida, sempre a desordem, atmosfera natural do egoísmo separatista. Assim, evolutivamente, o nosso mundo representa uma luta para o endireitamento da animalidade, luta vivida para subir do plano do involuído ao da evolvido.

Procura-se, com o instinto da propriedade, disciplinar a voracidade do lobo; com o matrimônio a voracidade sexual do macho; com as leis, e as suas sanções, frear os rebeldes com a ordem; com as religiões amansar a ferocidade, impondo normas de vida moral. A primeira preocupação do legislador é a de proibir o ilícito, por ser isto a tendência da natureza humana. Trata-se de um trabalho de correção, que confirma exatamente a natureza do fundo sobre a qual ele atua.

O involuído, dada a sua forma mental entende a autoridade como vantagem daquele que conseguiu alcança-la, como uma posição que representa o prêmio legitimo pelo esforço e os riscos sofridos para alcançar a vitória. Assim é que o poder toma a significação, não de função coletiva e missão, mas de vitória pessoal na luta para a seleção do mais forte. Outros resultados não são conseguíveis num sistema alicerçado sobre o princípio do egoísmo e da exploração recíproca.

Esta é a estrutura interior da nossa humanidade. Disto decorre uma encenação social fictícia, externamente bela, interiormente desapiedada e feroz, revestida formalmente de nobres mantos, mas substancialmente apoiada nas leis primitivas da animalidade.

Existem desse modo, duas leis: a do passado e a do futuro; há duas morais: a que todos aceitam e devem ser proclamada e a que todos sabem ser praticada na realidade. Há, assim, o que se diz e o que se faz; há no exterior um mundo aparente em que podem acreditar os simples, mas é interiormente minado por uma realidade bem diferente.

Enquanto se proclamam em altas vozes os nobres ideais, subterraneamente ferve a luta feroz para a vida. A realidade está em que o engano, continuamente praticado com dano para o próximo, constitui uma escola permanente para acordar, seja mesmo nos graus mais inferiores, a inteligência, tanto mais que quem não aprende é eliminado.

O saber defender-se é a primeira coisa que todos devém saber fazer, sob pena de vida. Estamos ainda bem pouco mais no alto da esperteza do animal, inteligência primária a serviço da vida material, distanciada mil milhas da inteligência especulativa dirigida ao conhecimento das causas primárias, e da formação da espiritualidade.

Esses produtos rarefeitos não são ainda percebidos e não têm serventia no plano do involuído, em que a ciência mais importante é a do ataque e da defesa. Nesse plano até não haver aprendido a ser forte para mandar, é preciso servir. De certo que isto serve para desenvolver a inteligência, mas que qualidade de inteligência?

Quanto caminho há ainda a ser feito, antes de chegar a inteligência consciente do funcionamento do universo! Todavia, no plano do involuído é necessário começar pela inteligência elementar, eis que a outra não pode ser compreendida. Naquele plano, antes de olhar para o céu, é preciso lutar na terra.

Que condenação dura o ser involuído!

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s