As sucessivas aproximações

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Evolvido e involuído permanecem frente a frente, cada qual com sua psicologia, suas armas, suas finalidades. Cada um possui sua lei e, tal qual eles que as personalizam, também as duas leis são inimigas e excluem-se reciprocamente: a do Evangelho e a do mundo.

O primeiro artigo do código do mundo poderá ser enunciado desse modo:

“A culpa maior é a de ser débeis, pobres, honestos. Maior virtude, é a de ser poderosos, ricos, astutos. Perdão poderá haver para as outras culpas, mas não para aquela. A vida, na terra, pertence aos fortes e não aos fracos; estes devem ser eliminados. Bondade e retidão refreiam a força, paralisam a luta, devem, pois, ser ,evitadas e condenadas por serem daninhas e antivitais. Os indivíduos afetados por esta moléstia devem ser segregados e expulsos, não tendo o direito de permanecer no terreno da vida que é campo de batalha”.

Todos sabem como o Evangelho ensina e preceitua diversamente. Podemos, pois, imaginar facilmente que condições desastrosas de vida o mundo apresenta àqueles que quiserem vivê-lo verdadeiramente, isto é, não apenas como teoria apregoada, mas como vida vivida.

As variadas legislações religiosas e civis, não enfrentaram o princípio da luta para destruí-lo, como faz o Evangelho; procuraram apenas disciplinar esta luta, determinando-lhe limites e estabelecendo algumas regras, como fez a cavalaria no duelo ou o direito civil e penal nas relações entre os indivíduos, ou como procura fazer o direito internacional na guerra. Trata-se sempre de vantagens que não suprimem a luta e deixam de pé a força e a astúcia como bases da vida. Assim, é justo que não se possa subir senão por graus, por lentas e sucessivas aproximações, permanecendo ainda no plano do involuído.

A posição do Evangelho representa um grande impulso para diante, na escada da evolução e coloca-se decididamente, logo e em cheio, num outro plano de vida: inverte as posições, cria uma nova escala de valores e coloca no alto deles o que no plano inferior, estava em baixo e ao contrário.

É um novo impulso extraterreno que o mundo haverá de assimilar, um novo endereço que a inteligência quer dar a vida em nosso planeta. A humanidade, compreendendo o que pode, dado o que era, está ainda nos primeiros passos, bem longe do ponto de chegada assinalado pelo Evangelho. Este é como uma estrela no céu, a muitos anos-luz, alcançável definitivamente quem sabe depois de quais experiências a incidirem sobre a natureza humana, de modo a decidi-la a superar a sua animalidade. Neste caminho vamos subindo, passo a passo, elevando-nos de degrau em degrau. Se, por vezes, nos escandalizamos pôr vermos que o Evangelho é, ainda, na prática, letra morta, isto quer dizer que há alguém começando a imaginar o que se deveria fazer e quanto poderíamos ser diferentes.

As grandes massas são terrivelmente resistentes a qualquer movimento novo. Podemos, assim, compreender quais obstáculos se antepõem aos indivíduos que se esforçam no sentido de se realizarem na terra as ideias novas do futuro, e como é árdua a tarefa das religiões as quais cabe cumprir esse trabalho, pois somos pertencentes ao mesmo plano de evolução. Os seres superiores constituem exceção.

Assim mesmo, passo a passo, no tempo, com a evolução e a adaptação, aumenta a percentagem com que o Evangelho é vivido, e gradualmente são destruídas, num progressivo processo de purificação, as acomodações primarias. O tempo traz evolução e, com isto, distanciamento do plano animal em direção ao espiritual, para a realização mais integral do Evangelho.

Disto tudo podemos obter a compreensão da grandeza da função representada pelas religiões na economia da evolução humana: a de fixar na terra os ideais antecipadores do futuro, devendo fazer tudo isto no duro terreno da animalidade humana. Devemos ter um conceito progressivo, evolucionista da verdade, se quisermos compreender esta seu processo de penetração na terra.

Este processo, para incidir na evolução biológica, deve atravessar variadas fases. Aparece antes na terra o Ser superior que anuncia a nova doutrina. O movimento repercute forma-se uma corrente que arrasta alguns. Mas a primeira reação da animalidade, de acordo com os princípios do seu próprio plano, é a agressão para destruir o ser superior pertencente a um outro plano de vida. Depois, o que se salvou desta destruição, transforma-se em relíquia preciosa, conservada religiosamente. Antes mata-se o profeta; depois ele é santificado e venerado. Mas a semente caiu na terra e começa o lento trabalho de assimilação.

O ideal começa, então, a tomar corpo na matéria, na forma dos organismos terrenos das igrejas constituídas. Representam estas, a ponte da união entre a terra e o céu, ponte necessária, cuja verdadeira natureza podemos assim compreender; se de um lado deve ter suas elevadas ramificações no céu, não pode, de outro lado, deixar de ter suas raízes na terra.

“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja”. E todas as igrejas não podem deixar de possuir uma pedra de apoio na terra, isto é, de possuir os defeitos da pedra. Como pode ela ser espiritual? Mas pertence ao seu conteúdo espiritual fazê-la tornar-se tal cada vez mais espiritual, isto é cada vez menos pedra. No entanto é natural que as Igrejas, situadas no meio, como organismos humanos, entre a pedra e o espírito, possuam as qualidades de uma e de outro.

A pedra é a organização humana que serve como duro recipiente que contém e também protege, conserva e transmite a ideia recebida. Por isto as religiões tendem a ser conservadoras, zelosas do seu patrimônio a disto decorre o seu dogmatismo. Mas, em face desta exigência há uma outra oposta, com a qual a primeira deve equilibrar-se: a exigência da vida que quer avançar e a efervescência do dinamismo do espírito, que não pode apodrecer encerrado na pedra, de onde procura extravasar a todo momento.

Há o impulso irrefreável do espírito que se quer transformar em vida e realizar-se, uma vez que desceu à terra exatamente com esse fim; e há ainda a evolução do pensamento a progredir, por sua própria conta, fora das igrejas. Nos grandes momentos, nas voltas da história, nascem, até, novos profetas que ultrapassam todos os que os precederam.

Então as velhas pedras exauriram a sua função, são lançadas fora e caem à margem da estrada da evolução para aí morrerem de velhice. Representam uma casca vazia recusada pela vida, por já ser-lhe inútil. Lutaram até então, fortes somente pela forma, lutando desesperadamente para sobreviver, mas o espírito, uma vez desenvolvido, fugiu da velha casa tornada insuficiente, e fez para si outra morada mais adaptada.

Em todo este movimento, o que permanece estável é o espírito, fio condutor da evolução. Explicam-se, assim, e compreendem-se as diversas posições e as variadas exigências de cada momento relativo na história da evolução do pensamento humano.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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