O Reino do Involuído

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O encontro entre involuído e evolvido na vida real do nosso mundo não é nada pacífico e desenvolve-se no terreno de uma luta desapiedada, de todos contra todos, do mesmo modo como ocorre, embora em outra forma, entre as feras da floresta.

Em nosso mundo prevalece a lei do involuído, por força da qual o modelo ideal, o que mais vale, é o mais forte. Não se trata exatamente de um mais forte de musculatura, presas ou garras, como na floresta. A força aqui se refina na astúcia, a ferocidade pode esconder-se sob uma veste hipócrita de bondade, mas o princípio permanece o mesmo, tornando a vida ainda mais desapiedada e difícil, debaixo de uma aparência que esconde a verdadeira natureza da realidade.

A vida é dura e lógica, pois é sempre coerente e justa.

Como poderia deixar de ser dura, uma vez que se trata de planos de vida inferiores, cuja finalidade é de colocar solidamente as bases da vida, que, antes de ser boa e sapiente, deve ser forte?

Na fase do involuído devem ser plantados os alicerces do edifício biológico e nesta não é ainda possível cuidar dos embelezamentos e refinamentos das superelevações posteriores. Assim, a vida não cuida ainda de construir o homem orgânico das grandes unidades coletivas, como o será o componente de uma futura humanidade disciplinada e pacífica. Este trabalho dar-se-á depois, na fase do evolvido, mas, nesta, do involuído, a vida quer alcançar outras finalidades, quer produzir outro fruto.

Quer criar o indivíduo forte, matéria prima para as criações posteriores, mais complexas. O indivíduo representa o bloco de pedra, que com a sua multiplicidade poder-se-á, depois, elevar o edifício futuro.

No seu trabalho de reconstrução, a vida deve enfrentar uma infinidade de problemas e os vai resolvendo sucessivamente. O trabalho a ser executado num plano de existência, não pode ser efetuado num outro. O ser que começa a existir num ambiente hostil, deve aprender, em primeiro lugar, a manter-se nele, impondo-se com a força. Neste plano, a bondade, qualidade preciosa quando se trata de conviver socialmente, constitui uma verdadeira fraqueza, um defeito, um, valor negativo, daninho e contraproducente. Há, pois, razão justa, quando, nos planos inferiores, a vida deixa que o débil seja desprezado, antes que ajudado, deixa que o instinto do mais forte seja o de esmagá-lo para eliminá-lo.

Esta é a lógica daquele plano de evolução, ainda que a lógica dos outros planos seja diversa. Também a floresta possui as suas leis, e os selvagens, como as feras, obedecem-lhes. Se isto toma formas ferozes, esta é a sua justiça; se isto, para quem se encontra mais no alto, parece anarquia e caos, aquela é a sua ordem.

Nesse mundo de egocentrismos rivais, onde tudo é inimigo, o matar produz vida, porque libertar-se de um perigo, significa conquista de espaço vital. Onde tudo é inimigo, destruir corresponde à vitória sobre todos os rivais.

Por que a natureza haveria dotado todo ser com suas próprias e adequadas armas de ataque e defesa?

E por que, diversamente, tão logo o mundo começa a civilizar-se, nascem aquelas soluções evangélicas, aparentemente absurdas, uma vez que invertem aqueles princípios com a pretensão de destruir aquelas armas, que, anteriormente, era a garantia das bases da vida?

A razão esta em que a evolução, levando o ser para outro plano, para nele trabalhar, quer outro comportamento, segundo os princípios de uma lei diversa. A vida não pode deixar de permanecer lógica e coerente em todo seu momento. Eis como e porque, enquanto o primitivo, pelas razões ditas, chega ao ponto de encontrar gozo no matar, um dos primeiros mandamentos de Deus, promulgados por Moisés, é o “não matarás” que, em Cristo, vem a ser ama o teu próximo.

As proposições do raciocínio do involuído são muito simples: ataque e defesa; constituem-se totalmente de força e de pouca inteligência. O que faz uma fera quando alguém se lhe avizinha? Recebe-o com suas garras. Da mesma forma os selvagens, se um estrangeiro chega ao seu território, o recebem a flechadas. E, em nosso mundo, com o desconhecido, usa-se de grande cautela, supondo-se nele um inimigo.

As leis religiosas e civis tratam, o indivíduo como um rebelde a ser induzido a obediência. Por isso é que todas as suas normas são acompanhadas da respectiva sanção penal, sem a qual não surtiriam efeito. Assim é que não se consegue ainda conceber um estado sem exército, um governo sem polícia, uma religião sem inferno. Isto compreende-se e justifica-se precisamente pelo fato de estarmos ainda no reino do involuído.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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