Evolvido X Involvido

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Nestes planos inferiores a vida pensa concretamente. As proposições do seu raciocínio são golpes materiais. Não podendo utilizar a mente, ainda não desenvolvida, usam-se os meios físicos. É pelo uso reiterado destes que a inteligência se desenvolve. A sensibilização é ainda escassa e é necessária uma sólida experimentação para fazê-la aparecer. As experiências do ser aperfeiçoado, dos planos mais elevados, não seriam percebidas, por serem demasiado sutis.

Não obstante o que a fera e o selvagem pensem, porque toda ação é resultado de um pensamento, suas ações são preponderantes sobre o pensamento, enquanto no evolvido o pensamento prepondera sobre a ação. Decorre disto que, enquanto, no primeiro caso, a ação é uma tentativa incerta por não ser guiada pelo conhecimento, no segundo caso, a ação, com muito menor esforço e gasto de energia, alcança maiores resultados, já que, focalizada por um pensamento preponderante, atinge exatamente o objetivo e não vai ao acaso, como acontece inevitavelmente a quem não conhece e não sabe pensar.

O primitivo é rápido em suas decisões porque pensa pouco e age muito. Este seu muito agir constitui todo o seu pensar O evolvido é lento na ação, por ser ponderado, porque suas conclusões derivam de uma muito maior quantidade de fatores. Por isso é que, enquanto o primitivo parece efetuar grandes trabalhos, uma vez que se agita muito e não sabe pensar senão dessa forma, fisicamente, o evolvido, por sua vez, cumpre um trabalho interior, invisível, mas de grandes resultados, embora pareça que nada faça.

No plano do involuído, quem mais desfere golpes vence e vive; quem mais os recebe, perde e morre. Tudo gira em torno deste motivo fundamental. Orientar-se, compreender porque se age, propor-se os problemas do conhecimento e atormentar-se para resolvê-los, tudo isto não interessa, é considerado inútil por não produzir resultado imediato.

A compreensão, pois, entre o involuído e o evolvido, é difícil. O primeiro é um domador que procura dominar o próximo para reduzi-lo à escravidão; o segundo procura dominar a sua própria animalidade e as leis da natureza para elevar-se acima delas qual seu dono. O evolvido tem consciência da Lei de Deus que dirige o universo, sabe ser alcançável a felicidade somente com uma aproximação cada vez maior ao sistema e consequente distanciamento do anti-sistema. Por isso a sua maior ânsia é a de saber funcionar na ordem, obedecendo disciplinadamente à vontade: de Deus. É ele o biótipo social, a célula que tende espontaneamente à unificação, possuidor de sentido altruísta, fundindo-se organicamente com o próximo, amado por ele; de acordo com o Evangelho, como a si mesmo.

O involuído não possui nenhuma consciência de uma Lei diretora, acredita somente em sua própria força, convencido de poder impor-se a todos e a tudo, seguro de alcançar, felicidade por esse caminho. Por isso, a sua maior ânsia é a de revoltar-se contra a ordem para substituir a ela o próprio eu, indisciplinadamente desobedecendo à Lei de Deus. É o biótipo anti-social, protozoário unicelular tendente a viver individualisticamente, separado dos próprios semelhantes contra os quais luta encerrado no próprio egoísmo, isolado do próximo, como o Evangelho não quer. Para induzir esse tipo a seguir normas éticas de vida, não há senão o medo do próprio dano. Por isso os terrores da sanção punitiva do inferno formaram-se, não tanto como fruto de um espírito de domínio da casta sacerdotal, quanto por uma necessidade psicológica imposta pela natureza humana.

O evolvido é o ser mais adiantado que vive, quer viver e não pode deixar de viver o Evangelho. A Grande Batalha é travada para conseguir vivê-lo no ambiente involuído bem aguerrido com todos os recursos do seu plano. O Evangelho torna-se, assim, um novo tipo de luta dentro da outra luta comum para a vida, torna-se um Evangelho vivido e sofrido a todo momento, enxertado na realidade da vida que nos circunda. Assim os dois planos biológicos tocam-se e interpenetram-se.

O caos vai reordenando-se, a revolta disciplinando-se na obediência, o separatismo individualista organiza-se na unificação. Acentuam-se, desse modo, cada vez mais, as qualidades dos planos mais elevadas, e atenuam-se as dos planos mais baixos. A exceção vai ganhando terreno e normaliza-se cada vez mais. Avizinhamo-nos, assim, sempre mais dos estados futuros, até tornarem-se presente. As antecipações encaminham-se a tornar-se realidade; a exceção a transformar-se em regra; a minoria, maioria; a tentativa, qualidade assimilada; o esboço uma forma definitiva. Então os princípios do Evangelho coincidirão com as qualidades instintivas das massas, sobre cujas medidas devem adaptar-se as leis se quiserem tomar-se aplicáveis. Poderá, então, a maioria impor os seus princípios e sobre estes organizar, em novas formas, a humanidade.

Estamos no terreno do involuído, onde o mais forte impera, onde manda aquele que, por possuir maior poder, haja provado saber vencer. Sobre esse terreno, o gênio, herói ou santo é exaltado somente quando, de qualquer modo, ele tenha sabido vencer. Deixado cair pelas sábias leis da vida no mundo dos involuídos para civilizá-los, o evolvido é constrangido; entretanto, a suportar suas leis e totalmente seu deve ser o esforço de enfrentá-las para modificá-las, uma vez que é esta exatamente a tarefa, dada a ele pela vida.

Ao evolvido compete arrastar para diante a massa inerte da maioria, a qual, de seu lado, limita-se a deixar arrastar, extraindo do seu esforço, muitas vezes de seu martírio, o que lhe serve para o progresso e isto, frequentemente, depois de havê-lo condenado, pisado, atormentado. Triste é a sua sorte na terra. Raramente chega-lhe ajuda de seus semelhantes. Sorte tanto mais dura enquanto, depois de haver sido combatido e perseguido em vida, o mundo o exalta depois, na glória dos monumentos, muitas vezes tão só para dele fazer insígnia de seus próprios grupos ou partidos e para poder, depois, praticar melhor suas obras de exploração a sombra de tais bandeiras.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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