Amadurecimento Evolutivo

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Recebemos de acordo com o nosso merecimento. Enquanto quisermos ter esse ou aquele comportamento, nada nos resta senão receber as consequências de nossos atos, de outra forma não pode acontecer de conformidade com a justiça.

Tudo é regido por leis invioláveis dentro das quais estamos enquadrados sem possibilidade de escapar das consequências práticas e particulares que se verificam em nosso mundo, particularmente no caso de nosso plano de existência, da nossa vida comum, que, embora possa tornar-se desordenada e errada, não pode subtrair-se aos princípios de ordem que tudo regem.

O estado das coisas, qual o verificamos na terra, depende, pois, de nossa posição e grau de amadurecimento evolutivo, de nossas qualidades atuais, das quais deriva nosso modo de agir. Tudo depende da concepção da vida e da consequente modalidade de comportamento. Quando o homem houver entendido tantas coisas ainda não compreendidas, e com isto pensar diversamente, então procederá de outro modo e tudo transformar-se-á ao seu redor e transformar-se-á ele mesmo, único artífice do seu destino.

O universo contém infinitas possibilidades e formas de vida e cada qual não pode deixar de permanecer naquela que lhe pertence conforme ele é. Há liberdade de escolher a própria casa, mas (aqui intervém a lei) não é possível ir morar senão na casa apropriada, correspondente às qualidades de cada um. Assim é que o homem poderá habitar a casa do super-homem somente quando esta lhe for apropriada. De certo, seria cômodo ir ocupá-la imediatamente porque é mais bonita, mas não é possível se, antes, não forem adquiridas as qualidades precisas. Um selvagem sujo e feroz não pôde morar num apartamento moderno feito para um homem civilizado.

O fato de nosso mundo ser regido pela lei da luta pela seleção do mais forte, prova que está situado ainda no plano animal-humano do involuído. Esse mundo baseia-se no princípio do egocentrismo individualista que conduz do estado inorgânico, funcionando com o método da rebelião. Isto não é um erro da vida, mas uma qualidade deste seu nível de evolução.

A vida quer, antes de mais nada, viver, qualquer seja o seu plano de desenvolvimento alcançado.

A vida, desse modo, alcança a sua primeira finalidade, a de viver, com garras e presas no plano animal, com a força e a astúcia no plano humano, com a coordenação dos indivíduos num organismo coletivo, no plano do evolvido. Os métodos: e os resultados são proporcionais ao estado de evolução, isto é, de compreensão e inteligência alcançada.

Explica-se desse modo como a vida aceita no plano do involuído o estado de revolta egoísta, uma vez que, nesse plano, este é legitimado por representa um ato de defesa da própria vida. Dada a conformação do ambiente, se o animal não possuísse presas e garras, como defenderia sua vida? Se o homem não usasse força e astúcia, como conseguiria sobreviver? Se o evolvido não usa tudo isto é porque não o precisa mais para proteger sua vida; sendo esta, no seu plano, protegida pelos meios civis da organização social. A vida é lógica. A natureza é lógica. Para que deveria continuar a usar o método do ataque e da defesa, quando este foi superado e portanto não há mais necessidade para garantir a vida?

O evolvido desdenha prostituir inteligência e energias numa luta inútil contra o seu semelhante, seu companheiro de vida, em quem ele enxerga a si mesmo. No seu plano, a ordem é realizada e isto basta para garantir a vida, na forma necessária num plano em que a atividade deve ser utilizada em trabalhos e para conquistas superiores. Por isso é que o seu espontâneo ato de defesa consiste no enquadramento na ordem, eis que nesta ordem consiste toda a sua força de indivíduo orgânico.

Para o involuído as coisas são diversas. Se ele abandona por um momento a luta contra o seu semelhante; este o esmaga e o elimina. No seu plano a ordem não existe, ninguém garante a sua vida e ele tem que a garantir por si mesmo. Se não sabe defender-se ninguém o defende, uma vez que cada qual tem a sua luta e não pode pôr a seu cargo a luta dos outros. A inteligência e as energias devem ser usadas primeiramente para esse fim, o mais urgente; aquele que as use para outras finalidades é julgado um sonhador, vivente fora da realidade. O enquadramento na ordem, como método de defesa, adotado pelo evolvido, nesse outro plano do involuído não tem sentido, uma vez que uma ordem verdadeira não existe, aparecendo apenas algumas tentativas de esboço.

O mundo não possui ainda, senão alguns grupos egocêntricos e imperialistas, constituídos em torno dos mais fortes, que os usam,  em função de interesses de grupo. Tudo isto não serve para garantir a vida, mas para organizar a luta em maior escala. Aceitar uma tal ordem significa tornar-se servos de um determinado chefe, que, por ser o mais forte, construiu a sua ordem para si. Nesse plano de evolução, o poder, em geral, é suportado como um peso, enquanto é exercido como uma vantagem por quem o possui.

Na terra, com o sistema representativo, as massas procuram defender-se contra a opressão naturalmente existente no poder absoluto. É assim que o cidadão moderno, começando a evolver, procura defender-se contra um poder que tem sua origem histórica no estado de opressão que o mais forte acreditava ser seu direito exercer sobre os mais débeis que havia conseguido subjugar. Estamos no plano do involuído e, enquanto assim ficarmos, toda forma de vida não poderá deixar de manifestar-se a não ser com o sistema da luta, característica deste plano.

Como é possível pretender da vida que seja dado ao involuído o instinto da obediência quando esta não lhe traz vantagem alguma? Preferirá, por isso, a rebelião, quando esta lhe for mais útil para a vida. De outro lado, é lógico que a vida dê ao evolvido o instinto da obediência, quando existe uma ordem, e o disciplinar-se traga vantagem.

Na oposição entre os dois diversos mundos, podem formar-se julgamentos diferentes, conforme se trate do involuído que, do baixo ao alto, julga o mundo do evolvido, ou trate-se do evolvido que julga, do alto, o mundo baixo do involuído. Para o involuído, aquele que se submete por motivo de ordem e de disciplina, não é um virtuoso, mas um covarde que aceita a servidão, é um vencido merecedor de desprezo. Para estes o que conta é o homem forte, capaz de rebelar-se, impor-se, dominar, vencer. Alcançar o sucesso é á que é apreciado. Quem vence tem razão pelo fato de haver provado que sabe vencer.

Na história, a vitória legitima tudo, porque é o vencedor o construtor da verdade, naturalmente sempre para sua vantagem e glória. Quando estes são os instintos e os métodos, todos endereçados à exaltação do mais forte e à aniquilação do bom e do honesto, o que é possível esperar desse mundo senão um estado de insegurança e de luta contínua?

A obediência, a disciplina, para o involuído e o evolvido, possuem significados de todo diversos. Para o primeiro representa um dano, para o segundo uma vantagem. O primeiro procura ser obedecido, o outro, obedecer. Para o involuído o homem ideal é aquele que, em qualquer campo, consegue submeter os outros a si, aquele que os outros menos conseguem dominar. Eis porque, quanto mais involuídos, tanto mais consideram valoroso o rebelar-se à ordem. Por que, em alguns países, ainda está em uso a blasfêmia? É uma prova de coragem que se pretende alardear, desafiando até a Divindade, é um descaramento da coragem. Onde esta é admirada, admira-se também a revolta, como prova de força.

Como é possível pretender, nesse mundo, não busquem as religiões sua sustentação no terror da punição?

Com tal instinto de revolta, se Deus não fosse apresentado como poderoso e vindicativo, os homens, se pudessem, o devorariam.

É assim que se explica, a psicologia da antiga religião mosaica, apresentando um Deus modelado sobre a mentalidade do involuído a quem era destinado, proporcionando a  imagem de um Deus que falasse conforme a psicologia dominante, já que, de outra forma não seria compreendido, nem respeitado. Um Deus ciumento de todos os outros deuses, bem armado de punição para conseguir obediência. Um Deus, cuja primeira qualidade é a força sem a qual ninguém o teria temido.

Ainda hoje o Cristianismo é forçado a buscar apoio nos terrores do inferno, sem o que não seria ouvido por muitos. Nas naturezas inferiores o temor é percebido muito mais do que o amor. Os governos absolutistas e terroristas, de fato, são possíveis somente nos povos menos civilizados.

Quando Moisés desceu do Sinai e encontrou o seu povo adorando o Bezerro de Ouro, conforme relata a Bíblia, o seu furor, em que expressou a ira de Deus, foi tremendo, e por isso Moisés, chamando a si a parte do povo permanecida fiel, ordenou-lhe, em nome de Deus, matassem todos os infiéis. Assim, fizeram os filhos de Levi conforme a palavra de Moisés; e caíram do povo naquele dia quase três mil homens.

O que obrigou Moisés a agir de maneira oposta a que determinava a lei por ele trazida (não matar), foi a forma mental própria dos homens pelos quais aquela lei devia ser aplicada. O escopo daquela lei era o de ensinar. Ora, não é possível ensinar a um involuído, pretendendo que ele aprenda o que deve aprender, apenas com demonstrações, exortações, apelando para uma inteligência ou bondade que ele não possui ainda. Neste caso infelizmente, há apenas um sistema: o de deixar que o violador da lei sofra o dano resultante de seu erro. Isto pelo fato de que, naquele nível de evolução, se pode aprender somente à própria custa. Se a finalidade a ser alcançada é, de modo absoluto, a de que o indivíduo aprenda, não se pode evitar de o deixar pagar, em forma de sofrimento, o respectivo custo.

Tão somente assim é que se consegue explicar uma outra contradição semelhante, isto é, aquela de que um Deus infinitamente bom e que nos ama irrestritamente, parece encontrar-se em pleno contraste com aquelas suas qualidades quando verificamos que Ele nos deixa sofrer desapiedadamente.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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