Perispírito

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Os dois movimentos básicos do universo, involução e evolução, promovem a reciclagem de todos os eventos e valores existentes em nossa realidade, inclusive no próprio perispírito, que se evidencia como uma entidade cíclica. Experimentamos a contração perispiritual antes do renascimento na carne, e nova expansão no desenvolvimento embrionário. Assim como tornamos a contrair na degeneração do envelhecimento e da morte física no mundo denso, para vivenciar nossa expansão ao desencarnar, completando-se, desse modo, o ciclo.

Contudo, como compreender agora a situação dos espíritos que partem da Crosta em tenra idade, uma vez que eles deixam o plano denso sob franco impulso de crescimento perispiritual?

Como se dá a reciclagem das forças psicossomáticas nesse caso, amigos, desde que elas não chegaram a experimentar a contração da velhice?

O organismo perispirítico prosseguiria, depois da morte, seu pulso expansionista até esgotá-lo, sem recolher-se à necessária contração do desenlace?

No desencarne, o choque da morte, qualquer que seja a época em que ocorre, desencadeia sempre o inevitável recolhimento das energias perispirituais. Nessa primeira fase da desencarnação, o perispírito sobrevivente à morte é induzido a forte impulso de contração, o que o favorece absorver os remanescentes energéticos do corpo físico, acumulando forças para sua nova expansão. Finda essa inicial etapa contrativa, todas as potências a serviço do ser terminam concentradas no núcleo da consciência imortal, irradiado do centro coronário. Esse é o delicado momento em que a consciência salta do cerne da organização encefálica onde se recolhera durante a vida carnal, para então se projetar em nosso mundo.

Exatamente nesse instante inicia-se a rápida e nova expansão do organismo perispiritual, quando então a consciência recapitula todas as fases de seu precedente e multimilenar desenvolvimento.

Assim, mesmo que um indivíduo desencarne na fase da infância ou da juventude, portanto em plena fase de dilatação das potências perispiríticas que o compõem, com a morte o ciclo de contração do psicossoma é acionado, mediante a inevitável retração que a súbita falência física impõe à consciência.

A consequência que comumente isso acarreta é nada mais que súbita mudança na frequência da reciclagem perispiritual. Tendo encurtado pela morte prematura seu natural período de expansão, o perispírito irá imprimir um ritmo mais acelerado a seu novo metabolismo dinâmico no mundo dos espíritos. O resultado será uma exacerbação da nova expansão experimentada no além-túmulo, levando o indivíduo a desenvolver-se rapidamente no nosso plano, como se ainda estivesse na carne, vivenciando aqui as mesmas etapas naturais do crescimento físico, embora muito mais aceleradas. Ou seja, desencarnando na infância, ele crescerá e em curto tempo atingirá a maturidade, como se participasse ainda da vida carnal. Entretanto, de igual forma experimentará antecipadamente a fase contrativa do perispírito na esfera do além.

O resultado final dessa mudança de frequência do dinamismo perispirítico será a antecipação de seu retorno à arena física. Por isso, de modo geral, aquele que desencarna prematuramente, tenderá a reencarnar mais cedo, encurtando sua permanência em nosso plano.

Falta-nos apenas agregar que esse fenômeno sofre, no entanto, a preponderante interferência do patrimônio mental próprio de cada um. Entidades de maior cabedal evolutivo facilmente corrigem a avaria frequencial do metabolismo perispiritual, impondo-lhe desejável ritmo. Evadindo-se da automática contração das energias que nos servem, conseguem evitar a injunção de rápido retorno à carne.

Assim como existem aqueles que se deixam estacionar na fase orgânica do momento do desenlace, coibindo o acelerado desenvolvimento perispiritual esperado.

Então se elucida por que os demorados processos desencarnatórios, para muitos nada mais que sofrimentos desnecessários, são úteis à perfeita reciclagem de nossa dinâmica reconstrutora. Propiciam-nos o desejável alongamento da onda perispirítica, permitindo-lhe mais adequada expansão após o desenlace, e consequentemente maior permanência na erraticidade.

Vemos como, de posse desses novos conceitos, facilmente deslindamos o arranjo funcional de boa parte dos fenômenos que nos alcançam, pois todos estão subordinados a idênticos princípios operacionais de uma mesma grande Lei, geral para todos. E compreender, predispõe-nos a melhor segui-los, reduzindo-se as inúteis dores que o atrito de nossa doentia vontade e nossa insciência acarretam. Deixando de ser cegos conduzidos sob a coerção da dor, obedeceremos à Lei com mais exatidão e alegria, aceitando melhor a imposição das vicissitudes e da fadiga que a alçada evolutiva nos exige.

Como nosso perispírito não é uma edificação estável e permanente no mundo espiritual,  podemos considerar que o perispírito morre e desintegra-se do mesmo modo que o corpo físico?

O perispírito, assim como a organização carnal, sofre paulatino desgaste das forças que o sustentam na esfera do além, pois acabamos de aprender que toda energia é fenômeno cíclico, esgota-se e requer a reciclagem de suas íntimas potências para se recompor, pois nenhum fenômeno é estável no mundo das formas, seja no plano denso ou mesmo na realidade espiritual que habitamos.

Todos os eventos do Relativismo sujeitam-se ao império absoluto da lei cíclica da evolução. A esfera do além-túmulo compõe também o reino das impermanências que se seguiu à queda. Nesta realidade, assim como na carne, todos os fenômenos, embora indestrutíveis em essência, estão sujeitos à reciclagem de suas manifestações exteriores, expressas em energia e matéria.

Assim, todos os produtos do espírito no mundo das formas, em essência, não são edificações divinas, mas meras e transitórias apresentações no palco das aparências, as quais inevitavelmente se desgastam e morrem para ressurgir alhures e seguir suas instáveis existências cíclicas. O perispírito não escapa a essa imposição natural, minha querida, própria de todo fenômeno contraído pela queda.

Patenteia-se claramente que nosso perispírito, por ser uma manifestação exteriorizada em formas, não é uma construção eterna, porém provisória, fadada a desaparecer no fim da evolução.  Agora compreendo que precisávamos da noção da queda do espírito e reconhecer nosso distanciamento de Deus para melhor explicitar o complexo tema.

Julgávamos que ao desencarnar encontraríamos o reino da eternidade que tanto almejamos na carne, ou mesmo um mundo espiritual absolutamente estável e eterno, mas estamos em uma esfera onde tudo, absolutamente tudo, é transitório. Para nossa decepção, não é a pátria definitiva do espírito, e nada neste lugar detém a estabilidade que esperávamos encontrar.

Embora o perispírito seja uma entidade cíclica, não experimenta nas oscilações de mortes e renascimentos sua completa extinção, como ocorre com o corpo físico.

No plano do relativo, em que vivemos, a consciência não é capaz de sobreviver sem algum tipo de vestimenta. Somente no Absoluto existiremos completamente desvestidos de envoltórios, e aí existiremos como espíritos puros.

Assim,  o perispírito pode reduzir-se a uma manifestação mínima, como aquela que ocorre em frações de segundos nos primeiros instantes do processo desencarnatório, quando o centro coronário salta abruptamente da massa cerebral carnal moribunda. Não obstante, jamais deixa de existir. Portanto, não falamos do completo aniquilamento do perispírito, mas em desgaste perispiritual. Desgaste que faz-se mediante a paulatina desvitalização que lhe é própria, perceptível na perda do fulgor aural, desejo de recolhimento, desalento fácil e o desvalimento que a muitos acomete.

Uma vez que o desencarnado entre em íntimo contato com um ninho uterino, e não propriamente a união com o óvulo fecundado, desencadeia-se seu integral restringimento, sua máxima contração possível em nosso plano. Do mesmo modo que, na carne, a morte física se apresenta como o fator desencadeante do outro momento de sua completa contração possível, em situação de normalidade.

A maioria dos desencarnados sabe que está na hora de retornar à matéria densa, quando experimentaremos do esgotamento de nossas energias perispiríticas, procurando por nova reencarnação, a fim de banhar-nos na lei de reciclagem de todos os nossos valores, físicos e espirituais. Assim é da inexorável Lei de retorno, até o dia que nos fixaremos como entidades estáveis no Reino do Absoluto.

Entretanto, mais uma vez, encontraremos no fenômeno do desgaste perispiritual a interferência decisiva do potencial espiritual de cada um. Entidades muito evoluídas podem impor sobre o fenômeno suas operosas vontades, alongando-o ou encurtando-o segundo seus desejos e necessidades.

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