Ovoidização

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Como então compreender o propalado fato de que os famosos dragões das sombras podem permanecer por demorados séculos detidos nas furnas da maldade, estagnados em renitente animalidade?

Estariam eles isentos da Lei de evolução cíclica, nesse caso?

Conseguiriam assim tão facilmente burlar os movimentos próprios da onda da vida?

Ninguém é capaz de evadir-se da Lei, em qualquer de seus aspectos. Espíritos detidos nas furnas da revolta para sempre significaria a vitória do mal contra Deus, o que não é possível. Compreendemos que, mesmo espíritos inferiorizados, quais os famosos dragões das sombras, podem dilatar, segundo sua vontade, a permanência na erraticidade, diferentemente do que ocorre quando se encontram detidos na pesada vestimenta carnal. Fato que se deve à maior plasticidade do perispírito.

Todavia, o fenômeno guarda irrevogáveis limites, pois a renovação das energias perispiríticas é artigo indeclinável da Lei. Deter uma onda na sua crista ou na posição depressiva seria decretar-lhe fatal extinção. Significaria a verdadeira morte para o espírito. Assim, em prol da própria sobrevivência do ser, a Lei impõe-lhe a permanente reciclagem das forças que acompanham sua consciência, nas alternantes fases de expansão e contração.

Portanto, a retração psicossomática é fato inevitável para todo desencarnado, ainda detido nos ciclos reencarnatórios. No caso dos chamados dragões, em que o espírito se demora em demasia na hipertrofia da revolta e da barbárie, o retrocesso involutivo pode tardar, mas não para sempre. E além de inevitável, será grave e profundo. Logo, todo espírito desencarnado, e sobretudo aqueles estacionados em tão lamentáveis condições de animalidade, obrigatoriamente terá um dia de procurar por um novo nicho uterino onde entregar-se à lei dos ciclos evolutivos.

E se o espírito não encontrar um novo seio materno onde abrigar-se na inevitável contração perispiritual? Se ele não se acomodar devidamente no bendito seio materno, o que efetivamente pode acontecer, estará fadado à ovoidização, por força de Lei.

Esse é o fim de toda prolongada exposição ao mal. Não obstante, são casos patológicos que escapam à normalidade das leis da vida, as quais trabalham sempre para nos favorecer com o máximo bem-estar possível de que necessitamos para prosseguir indenes na grande aventura da evolução.

Todo espírito, ainda que dragonizado pelo próprio mal, sabe disso e sentirá a cabal queda progressiva de suas forças perispirituais, por mais que as tenha hipertrofiado na megalomania da revolta. Eis por que, sabedores, ainda que inconscientemente, de que estão compelidas à contração de novo renascimento, essas entidades malignas cuidam de prolongar o mais que podem o fenômeno, recorrendo para isso ao iníquo hábito do vampirismo. Servindo-se de forças vitais alheias, intentam suplantar o natural desgaste perispiritual. Ainda assim o processo será irremissível, pois o mal é por si só o maior estímulo contrátil das potências que nos servem.

O eco da queda, nesses casos, será intensificado, atestando-nos que toda retração a que nos sujeitamos no trânsito da vida advém da maldade e do egoísmo a que estamos afeitos. Assim, entendemos que a hipertrofia do mal está condenada à restrição de suas expressões, mediante processo aglutinante, que agora entendemos tratar-se da reverberação das forças involutivas da queda que ainda operam na nossa intimidade. No caso daqueles que insistem em demorar-se nas lides da barbárie, o pulso degradante dessas energias será exaltado. Essa é exatamente a forma como a sabedoria da Lei contém a malfadada aventura do mal.

E todo espírito rebelde terminará cerceado pelas rígidas cadeias da contenção involutiva. Deduzimos então que essa inevitável contração não é apenas o rebote da lei de ação e reação, mas produto da misericordiosa interferência de Deus, que assim impõe barreiras à perversidade, em prol do próprio ser que a realiza e em benefício do mundo em que ele vive. De outra forma,  o mal estaria fadado a descabido desenvolvimento e existência eterna, o que representaria a falência da obra divina.

Já vimos que nas lições do Evangelho Jesus não se cansou de alertar-nos sobre os perigos da hipertrofia do ego, ao dizer-nos que todo aquele que quiser ser o  maior torna-se o último e menor de todos. E certamente o divino Mestre referia-se aos mesmos riscos, quando nos afirmou que quem estaciona no exclusivo interesse de defender a própria vida, termina por perdê-la; ou ainda, que se alguém procura arrebanhar tributos para si mesmo, em prejuízo do outro, até o que tem lhe é tirado.

As palavras do Evangelho confirmam enfaticamente que o mal é força essencialmente redutora que leva à inevitável perda de valores evolutivos.

Com o conhecimento da queda, o intrigante fenômeno da ovoidização pode agora ser mais bem deslindado, onde podemos defini-lo como uma parcial repetição da primeira  falência, uma vez que o ovoide nada mais é que o retorno a um estágio de inconsciência anterior que já vivenciamos nos primórdios de nossa escalada evolutiva.

Não se trata de um movimento impróprio e exótico que acometeria o espírito na aventura da vida, mas unicamente a fixação em inadequado instante da reverberação de nossa queda. Como sabe todo estudioso da reencarnação, a construção ovoidal encontra-se patente na natural recapitulação evolutiva, portanto é etapa própria da reciclagem perispiritual.

Reciclagem que nada mais é que a repetição da primeira queda. Passamos rapidamente pela ovoidização no desenvolvimento embrionário ou mesmo na fugaz reconstrução perispiritual da desencarnação. Assim, tal propensão está presente em todos nós, e facilmente pode ser colocada em funcionamento, desde que morbidamente a desejemos pelas intenções inadequadas da autodestruição ou a induzamos pelo franco exercício da maldade.

É inútil insistir recusando  a veracidade da queda e da involução do espírito. Trata-se de fenômeno patente em nossa realidade, que não podemos negar sem cair em graves contradições e incoerências no estudo dos eventos que nos rodeiam. Não se justifica mais digladiar contra essa inquestionável fenomenologia da vida. Indubitavelmente, essa é a maneira mais lógica para tudo explicar no universo em que vivemos e que fala muito mais alto que qualquer disquisição humana no campo da filosofia ou da religião.

A negação da possibilidade da queda e da involução, em obediência a um quesito que tomamos por dogma na doutrina espírita, não pode mais ser um obstáculo ao avanço de nosso entendimento. É inútil cerrar os olhos ante um fenômeno que se patenteia inquestionável no palco da realidade, pedindo-nos explicações.

A ovoidização é de fato uma autêntica regressão do espírito. Queiramos ou não, comprova-se nesse retrocesso da forma o legítimo movimento retrógrado do espírito. E vendo-a agora como real reverberação da primeira queda que passou a nos mover ao longo do percurso evolutivo, aclara-se melhor seu mecanismo. Não podemos considerá-la também como uma exótica aberração espiritual, porquanto é um evento natural, enquadrado na fenomenologia da vida.

Tudo se explicita melhor e não mais seguiremos negando um fato simplesmente porque em uma época interpretamos a palavra da revelação espírita como a afirmação de absoluta impossibilidade do retrocesso do espírito na linha do progresso. Não existe a evolução retilínea como todos gostaríamos que existisse. Entendo que se trata de uma falha de interpretação das informações que os falíveis filtros mediúnicos nos transmitiram dos planos superiores.

A verdade não tardará a iluminar o homem da Terra. Infelizmente não temos outra forma de explicar a oscilação fenomênica própria de nosso cosmo, senão imputá-la a uma alternância de subidas e descidas ao longo da linha do progresso. (…) Essa é a verdade que todo pesquisador experimentará em si mesmo, inevitavelmente, e que não poderá negar. Ele sentirá que subir e descer, para tornar a ascender e outra vez decair, é nossa natural maneira de caminhar pela linha ondulante do progresso.

Portanto, os estudiosos do espiritismo na Terra, se desejam permanecer na vanguarda da divulgação das verdades eternas, não poderão continuar recusando a evidência dos fatos, que fala mais alto que nosso parco entendimento.

 Não precisamos mais ater-nos a essas polêmicas. Deixemo-las aos relutantes estudiosos do mundo até que a verdade se mostre por si só, convencendo aqueles que recalcitram no misoneísmo, por renitente obediência a seus dogmas.

 

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