Evolução de Jesus

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Estudos reconhecidos do mundo referem-se a Jesus como aquele que teria seguido uma linha reta de evolução até o Pai. Como compreendermos tal afirmativa, ante o conhecimento de que o traçado do progresso é uma inexorável oscilação entre subidas e descidas? Seria possível a um espírito escapar das imposições da Lei de retorno, tal qual a observamos agir no palco do mundo e em nós mesmos?

Nossa trajetória sinusoidal pela linha do tempo é inabalável expressão da Lei de evolução e não poderia ter sido derrogada, ainda que pelo Cristo. Deveremos, portanto, compreender tal afirmativa como uma referência simplificada da particular caminhada de Jesus ao estudioso da Terra que ainda não alcançou a compreensão da queda e da mecânica evolutiva.

A “linha reta” apenas nos informa que o divino Mestre alçou ao Reino do espírito puro em velocidade evolutiva muito mais expressiva que a nossa. Ou seja, seu percurso não foi demarcado por grande empeços involutivos, como as enormes quedas de transição, significativas falências morais ou processos patológicos de retrações da forma, que nos são muito frequentes. O que não pressupõe que, na intimidade do fenômeno evolutivo, o Cristo não tenha experimentado a oscilação entre contrações e expansões, que todo espírito, por força de Lei, deve atravessar na alçada do progresso. Negar esse fato seria o mesmo que dizer que Jesus passou pelo Relativo derrogando as leis de inércia e de ação e reação. Tal não seria possível.

A informação, entrementes, leva-nos a admitir que existem espíritos dotados de maior potencial evolutivo que outros, propiciando-lhes caminhar mais rápido pela via de retorno, após uma queda que necessariamente se deu em um mesmo momento para todos. Dessa forma, essas entidades que chamamos crísticas subiram muito mais depressa que o grande rebanho de almas que lhes seguem. Elas não se demoraram em demasia nas lides da selvageria, como é nosso caso. Dóceis à ação da Lei de retorno, deixaram-se embalar pelos seus fragorosos impulsos, alçando mais prontamente aos Céus. Essa nos parece ser a realidade e a melhor forma de interpretar a famosa afirmativa de que Jesus seguiu em linha reta para Deus.

“Eu venci o mundo”, disse o meigo Rabi, demonstrando-nos que, para atingir o elevado patamar em que se achava, Ele havia arrostado as mesmas agruras da evolução que todos enfrentamos. Agora sabemos que apenas chegou muito antes de nós.

Somente participa da evolução o espírito que caiu. E uma vez que a evolução nos reconduz aos Céus, unicamente para lá sobe aquele que de lá  desceu, como Jesus nos aferiu. Portanto, uma vez que um espírito sofreu a contração na matéria, sua caminhada será oscilante, pois não terá como impedir que o impulso da primeira precipitação reverbere em sua trajetória de manifestação. Logo, experimentaremos os ecos da queda e da revolta até que esses embalos iniciais esgotem-se no atrito evolutivo a que estamos sujeitos. E somente os superaremos por completo ao fim de nosso definitivo retorno ao seio divino.

Por isso Jesus recomendou-nos, como Ele o fez, a tomar sobre os ombros nossa cruz, negar a nós mesmos e subir pelo calvário da redenção. A cruz representa as escórias de nossa grande queda, onde crucificamos a pura essência que nos compõe. Negar a si próprio é revogar sem demora o personalismo doentio com o qual nos vestimos desde a primeira revolta. E o calvário é o mais perfeito simbolismo da ascensão evolutiva que nos reconduz ao Pai. Em suas “encostas” está delineada a difícil trilha de renúncias e dores evolutivas necessárias à nossa redenção decisiva, traçada em renascimentos e mortes.

Este é o caminho estreito e árduo que o próprio Cristo tomou e veementemente nos aconselhou a seguir o mais depressa possível. E escalá-lo pressupõe, por quesito de Lei, contorná-lo em curvas, tombar e soerguer-se, pois assomá-lo em linha reta é penoso para todo espírito que, com a queda, fez-se frágil e teve contraídas suas potências de origem.

Recordemos que o próprio Cristo caiu ao transportar sua cruz pela ignominiosa via sacra e necessitou da ajuda do cireneu para reerguer-se.

 

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