Depressão

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

A doença depressiva e a derrocada da autoestima, que por vezes experimentamos, nada mais é que a reverberação de nossas inadequadas subidas pelos degraus da supervalorização do ego. Não obstante, com o aporte da noção da queda e da mecânica cíclica da evolução, essa importante enfermidade humana, que tanto assusta o mundo da carne, agora se esclarece muitíssimo e entendemos então que essa moléstia nada mais é que a exacerbação de um movimento próprio de nossas vidas…

Entretanto, com a queda do espírito, compreendemos melhor esses impulsos a que toda alma humana se sujeita na grande aventura da vida, onde a depressão nada mais é que a natural fase de contração da onda evolutiva que nos conduz, necessária ao próprio progresso. Ela passa a chamar-se doença quando se apresenta em grau que excede a aparente normalidade da vida e nossa tolerância. E o que a faz precipitar-se de forma acentuada é exatamente a prévia postura de doentia exacerbação de nosso ego, vivida como egoísmo, vaidade, arrogância e orgulho desmedidos. Provocamos, ao exaltar esses inadequados impulsores da personalidade, a subida imprópria da onda da evolução e, por efeito reativo, somos obrigados posteriormente a experimentar igual intensificação da fase de descida de sua senoide. Eis como se chega à autodestruição, nos casos mais graves.

Se semeamos a exaltação do ego, seremos obrigados a colher depois a depressão do ego.  É exatamente isso que a vida insistentemente nos ensina e teimamos em não aprender.

A hipertrofia do ego é não apenas fruto de nossos antigos vícios personalísticos, mas sim a pura reverberação da primeira intenção expansionista, que intentamos no Reino das origens e que de lá nos fez retirar. Assim sendo, os sentimentos próprios da doença depressiva nada mais são que o aprofundamento dos sintomas contrativos da queda, os quais todos trazemos em potencial nos refolhos da alma.

Sentimo-nos abandonados, desprotegidos, desvalidos, arruinados e perdidos, inseguros, temerosos e ameaçados pela morte, envolvidos pelo desalento e pelas sensações da fragilidade, como um eco de nossa inicial precipitação espiritual. Sentimentos que agora nos acompanham e, como uma reação, são exaltados cada vez que procedemos à exacerbação do orgulho. Eis a explicação mais clara possível para nossas angústias existenciais.

Se estudarmos com detalhes nossas carências, desconfortos e receios veremos que caracterizam precisamente aquele que perdeu valores e se acha exposto às constantes ameaças de um mundo que não é mais seu ambiente natural. Sofremos, portanto, exatamente como o “filho pródigo” que deixou a Casa de Seu Pai e padece agora as dores do exílio voluntário a que se entregou. Entendemos que o “filho pródigo” necessita desses sofrimentos que o fazem reerguer-se e voltar para sua Casa. Se ele tivesse encontrado apenas felicidades nos ímpios caminhos da revolta, não desejaria jamais retornar ao conforto perene da Morada paterna.

As ciências que no mundo estudam o fenômeno humano, quando aprenderem a vê-lo como um ser falido que transporta consigo os estigmas arquetípicos da perda de um grande bem, chegarão a essas mesmas conclusões. E estarão aptas a encontrar melhores recursos para atender aos seus sofrimentos. Por isso, afirmamos, a comprovação mais contundente de nossa derrocada espiritual encontra-se estampada nos próprios tecidos da alma, e não tardará a ser desvelada pelos estudiosos do psiquismo.

 

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