Ciclo Involutivo-Evolutivo

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

A descoberta da evolução é, de fato, um dos grandes feitos de nosso século e encantou o homem moderno, ao evidenciar a existência de um inestancável ímpeto de progresso, a embalar em uma febre de ascensão todos os seres fenomênicos do nosso cosmo.

Aplaudimos o estudioso Charles Darwin que, em obediência aos apelos do mundo espiritual superior, inicialmente a estabeleceu nos anais da ciência terrena, e a doutrina espírita que demonstrou ser ela produto da inteligente progressão do espírito, e não de seus passivos corpos. É realmente cativante o estudo dessa extraordinária força em ação em nosso mundo. Sua complexidade, todavia, extrapola em muito tudo o que até então sabemos sobre ela, e muito requeremos avançar para compreendê-la em toda a sua extensão. E analisá-la sob a perspectiva da queda é-nos agora convite irresistível, indispensável para se elucidar muitos de seus intrigantes aspectos.

(…) os esclarecimentos de Francisco fazem-nos avançar e muito no entendimento do que efetivamente representa a evolução, ao permitir-nos entrever um pouco mais seus íntimos mecanismos. E o que mais nos surpreendeu foi encontrar a grande queda do espírito inserida no próprio movimento progressivo do universo.

Comprova-se, então, que, embora as revelações espíritas tenham-nos enriquecido sobremodo no estudo da evolução, sentimos agora que apenas nos introduziram no tema, pois muito nos falta para considerá-lo esgotado. Precisamos, de fato, armar-nos de humildade para admitir que não atingimos o fim da jornada do conhecimento e muito temos a aprender da complexa fenomenologia que nos envolve.

(…) nos faltava exatamente o conhecimento da queda do espírito para se explicar boa parte dos mistérios da evolução.

Importa-nos reconhecer, neste momento, que a evolução é o movimento de salvação de todo o cosmo desmoronado pela queda. Assim sendo, é a cura da revolta e da contração que sofremos com o processo de insurreição espiritual. E a evolução representa, nada mais que uma reação à anterior contração involutiva do universo.

Por lei de inércia, esse precedente movimento de involução segue intercalando-se à evolução, como uma reverberação de forças que foram colocadas em funcionamento e agora devem esgotar os impulsos iniciais que a deflagraram. Fato que nos atesta, mais uma vez, que a falência primária do espírito encontra-se inserida na origem da fenomenologia cósmica, atestando sua veracidade. E seguimos ressoando-a nos painéis interiores do eu como um colossal eco vindo de nossas abissais origens.

Logo, a noção de que nosso progresso não se faz uma ascensão constante, e sofre a intercessão periódica das potências contrativas agora incorporadas ao espírito, torna-se imprescindível para melhor se explicar a mecânica evolucional. Deslocamo-nos, então, na dimensão espaço-temporal, como uma bola de borracha que, ao cair, repica ao longo de uma trajetória seus dois movimentos iniciais, até que o atrito faça cessar sua natural oscilação, produto da lei de inércia.

Eis exatamente o traçado do vir a ser. Ele é uma alternância entre ascensão e queda, expansão e contração, evolução e involução. Não temos como negar essa mecânica funcional, pois ela é própria da onda vital e se patenteia em todos os fenômenos ao alcance de nossos olhos. Dela participa todo ser vivo e se embala todo o cosmo, pois todos estamos inexoravelmente subordinados, com a queda, a essa dinâmica alternante de crescimentos e degenerações, através dos ciclos de nascimentos e mortes de que se compõe nossa rota de retorno a Deus.

Basta observarmos como um ciclista ascende por íngreme ladeira e entenderemos melhor esse dúplice movimento da evolução. Subir em trajetória retilínea ser-lhe-ia estafante e mesmo impossível, sendo-lhe de maior rendimento o traçado sinuoso. Dessa forma, ele soma aos pequenos ganhos ascensionais o impulso que as ligeiras descidas lhe favorecem. Executando tal tática, tão natural àquele que sobe, o ciclista termina por avançar com a maior velocidade possível. Essa é exatamente a técnica que os grandes pássaros planadores usam para ganhar as alturas. Praticamente sem bater as asas, eles voam ao redor dos tufos de ar quente, em círculos que não perfazem exatamente um traçado de constante ascensão. A cada semicírculo, eles devem descer para tomar embalo e novamente subir, seguindo uma linha espiralada que retrocede e paulatinamente avança. Eis precisamente a maneira como o viajor da vida segue pelas contorções do tempo, que o conduzem do solo bruto da matéria às altitudes rarefeitas do espírito. De outra forma, o grande esforço exigido abater-lhe-ia as forças físicas, tornando-lhe impossível ganhar as alturas.

A ausência desse importante conhecimento leva o homem à completa intolerância diante dos inevitáveis movimentos de descida que integram naturalmente sua jornada e reconhecer o mecanismo oscilante de nossa senda redentora é-nos por demais consolador. E percorrer sua fase de contração involutiva faz-se indispensável para se prosseguir em seu movimento ascensional.

Avançamos, assim, como alguém que, para construir um enorme prédio, deve destruir aquilo que já fez, para tornar a reerguê-lo em bases mais firmes, e assim paulatinamente galgar os patamares superiores. Refazendo sempre o que já fez, ele não só fixa os ensinamentos recebidos como ergue aos  poucos o grande edifício da evolução, no interior de si mesmo.

Assim, as forças destrutivas presentes na vida, decorrentes da queda, são aproveitadas pela sabedoria divina para nos reconduzir adequadamente e da forma mais rápida possível à redenção definitiva. Desintegrar o velho torna-se, portanto, etapa indispensável para a construção do novo. Por isso toda construção, no plano transitório em que vivemos, qualquer que seja, depois de desabrochar, deve murchar e morrer, para depois ressurgir, por inevitável força da evolução cíclica.

Essa é a lei do desenvolvimento, e ninguém é capaz de desobedecê-la. Vemo-la presente nas forças atrativas e repulsivas do átomo, na composição e desagregação dos compostos físicos, na vida e morte dos seres vivos, no avanço e retrocesso das civilizações, na edificação e destruição dos mundos, na condensação e explosão das estrelas, na formação e dispersão das galáxias, englobando absolutamente toda a fenomenologia do cosmo relativista em que vivemos.

Desse modo caminha a evolução, como uma inestancável onda, feita de elevações e declínios periódicos. Embalados por seus fluxos e refluxos, seguimos nossa cadeia redentora, sob o impacto de quedas, por vezes espantosas, mas também de ascensões incríveis.

Sabedores disso, doravante, ao ver-nos tragados pelas vagas involutivas no grande oceano da vida, enfrentá-las-emos com mais equilíbrio. Asserenando os ânimos, aceitaremos fracassos, dores, destruições e perdas como ocorrências naturais, integrantes do inexaurível jogo da evolução, propiciando-nos retirar-lhes preciosos proventos para nosso crescimento. Assim, quando nossas energias se precipitarem na contração e todas as potências do espírito faltarem-nos, quando nossas conquistas parecerem se perder, deixando-nos vazios os alforjes da alma, quando, enfim, a morte tragar-nos em suas voragens e a mão de Deus aparentar entregar-nos ao sabor da má sorte, saberemos que não estamos abandonados pelas sagradas potências da vida. Elas nos deixam descer para que nossos velhos valores sejam desfeitos e, sob novo e poderoso embalo, possamos reconstruí-los em bases cada vez mais firmes, e assim ascender com segurança pelas veredas do progresso. Portanto, por maior que sejam nossas inevitáveis quedas, reerguemo-nos sempre, por força de Lei, atingindo novamente o cimo da grande onda da evolução.

Agora sabemos que, por mais espetacular sejam nossos reveses, não tardaremos a experimentar nova expansão de nossas forças, que nos conduzirão a patamares sempre mais elevados. Entender então que a repetição da primeira queda faz parte de nossa jornada e que, longe de nos trazer prejuízos, representa a interposição de movimentos periódicos e transitórios que nos ajudam a alcançar mais rapidamente os altiplanos do espírito, far-nos-á seguir muito mais felizes pelas tortuosas estradas do destino.

Então chegamos à irrefutável conclusão de que o postulado da queda do espírito evidencia sua presença na mecânica evolutiva. A queda é inerente à dinâmica ascensional. Nesse caso, estamos diante não de mera disquisição filosófica, mas de fato axiomático que, se retirado da realidade, queira ou não nossa parca razão, deixa sem explicações o comportamento da complexa fenomenologia da vida e do universo.

 

 

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