Luta de Planos Biológicos

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No combate entre evolvido e involuído assistimos a uma luta entre os representantes de dois planos biológicos diversos. Assim é que cada um dos dois combatentes se comporta diversamente, conforme os diferentes princípios de seu próprio plano…

Os moventes psicológicos que movimentam o involuído são os instintos. Não possui, o conhecimento que o oriente na ação, iluminando-o acerca das consequências de seus próprios atos. Não formou, ainda, uma consciência para autodirigir-se com inteligência no seio das leis que regem o universo e, pois, sua própria vida. Debate-se, por tentativas, num mundo de que não conhece a estrutura íntima, as razões da existência e as finalidades a alcançar. É, ainda, um menino que procura e experimenta.

Mas, se não conhece o caminho, como se pode dirigir?

Deixa-se por isso, conduzir pelos instintos que, representam a consciência elementar adquirida, no passado, na fase evolutiva precedente, que é a da animalidade. Nos casos onde o indivíduo não alcançou ainda uma autonomia consciente de si mesmo, suficiente para que possa dirigir-se de por si, é a consciência da vida que funciona para ele, dirigindo-o, como se faz com os meninos. Ele não toma ainda parte nas diretivas da vida, como fará depois quando estiver bastante maduro; não é, ainda, operário de Deus, colaborante orgânico no funcionamento do universo. Somente segue e obedece aquelas diretivas, da mesma forma como não podem deixar de fazer plantas e animais, aos quais falta conhecimento. Obedece à sabedoria da vida que o manobra através dos instintos, fazendo com que faça aquilo que ela sabe deve ser feito para alcançar os fins que ela sabe devem ser alcançados.

O homem atual acredita estar mandando. Mas como pode fazê-lo quem ainda não conhece a máquina que deve dirigir? Quando o homem acredita mandar, na verdade, obedece aos próprios instintos; quando grita que quer liberdade, sem sabê-lo pede a liberdade de obedecer àqueles instintos. Representam estes a mola para a continuação da vida: a fome, para a conservação individual, o amor, para a conservação da espécie, o instinto de expansão e progresso, para a evolução do ser; tudo vivido conforme a lei biológica da luta tendente a seleção do mais forte, daquele que representa o tipo que a evolução quer produzir naquele plano e que, por isso, naquele nível é o melhor, o ótimo entre os valores, ainda que, depois, com o deslocamento da escala dos valores evolutivos, em outros planos de vida, ele possa representar um involuído retrógrado, considerado um pior. Estamos ainda no plano animal em que dominam os instintos. Se nele aparecem, por vezes, elementos éticos superiores, o terreno é sempre o dos instintos, que religiões e leis procuram disciplinar, canalizando-os, mas, mesmo assim, respeitando-os porque constituem a base naqueles planos de vida.

De outro lado encontramos o tipo biológico do evolvido. Os impulsos que o movem são diversos. Continua ele possuindo seus instintos, filhos de sua passada animalidade, mas ele os conhece; sabedor de suas finalidades, domina-os e os dirige. Havendo alcançado o conhecimento, pode, agora, mandar em vez de obedecer. É um iluminado, que avalia as consequências de seus próprios atos; é, agora, um piloto que pode dirigir seu navio, não é mais um menor de idade, ignorante, mas um adulto que conhece as íeis da. vida e nelas sabe mover-se inteligentemente.

O evolvido é aquele que alcançou a verdadeira liberdade que somente o conhecimento pode outorgar. É a liberdade de autodirigir-se conscientemente e não aquela de obedecer aos próprios instintos. A consciência alcançada o conduz ao uso dessa liberdade na espontânea adesão à lei de Deus, tomando-se seu operário para colaborar rio funcionamento do universo.

Este será o tipo de homem que a evolução produzirá no futuro, um homem que saberá dirigir conscientemente e com conhecimento, não só a sua vida, mas que poderá tomar as diretrizes do fenômeno da evolução no seu planeta. O seu progresso ascensional leva para uma sempre maior conquista de liberdade e de comando.

As leis da vida estão ávidas de conceder-nos tudo isto, mas, por força da incapacidade e da falta de preparo do homem atual, inadaptado a exercer tão delicadas funções de elevada responsabilidade, são impedidas de fazê-lo.

Como conceder tão grandes poderes a quem não oferece nenhuma garantia de saber usá-los bem?

Do contrário, como verificamos relativamente à descoberta da energia atômica, é imediatamente levado, com tudo o que seu conhecimento pode alcançar, a fazer dele um meio de destruição. Para ter o direito de mandar é preciso possuir muita inteligência e muita bondade. Entretanto, verificamos diariamente qual o uso que em geral se faz na terra de toda forma de poder.

Neste plano subsiste a luta, mas ela toma formas e finalidades diversas. A luta não se destina a selecionar o biótipo do mais prepotente, do dominador egoísta, do destruidor anti-social do bem alheio; não se trava para fortalecer-nos na animalidade, mas para, ultrapassá-la e dela sair para formas de vida superiores. A luta, nesse caso, não existe para satisfazer os instintos, mas para submetê-los não para dominar, mas para domar a própria animalidade; não para conquistar um poder por exclusiva vantagem pessoal, mas para a coordenação orgânica de todos, exercendo, quando necessário, também o poder, mas como missão em favor de todos.

Neste plano a tábua dos valores é diversa e o tipo do melhor, o modelo que a vida quer produzir é um outro, porque, mudando as posições ao longo do caminho da ascensão, as finalidades que agora se devem alcançar são diversas. Toda fase de evolução possui leis, o seu trabalho  construtivo a efetuar, os seus planos particulares a serem realizados, em função do grande plano geral da Lei de Deus e da reconstrução completa do ser.

Quando a nossa ciência fala de leis biológicas, acredita falar de leis universais e absolutas, mas estas são apenas as leis do nosso plano de evolução e não dos outros. Cada um deles possui leis próprias, de modo que podemos dizer existirem tantas biologias diversas e, no caso que estamos estudando mais de perto, existirem duas biologias, a do involuído e a do evolvido. Nesta segunda as leis da primeira não têm mais valor. Isto desloca completamente o juízo que na terra se pode fazer do biótipo do evolvido que nela pode nascer excepcionalmente.

A biologia terrestre possui um modelo, cunhado com o estampo do involuído e toma como irregular, não o reconhecendo como modelo superior, o biótipo do evolvido. A ciência, por ser agnóstica e ignorar os últimos fins do transformismo da vida, não consegue reconhecer naquele tipo o porvir da evolução.

Estudando o desenvolvimento ascensional humano, verificaremos como corresponde ao desenvolvimento dos planos evolutivos da vida, por força dos fins supremos que ela se propõe alcançar, um ingresso do atual tipo biológico numa zona de sempre maior e intensa espiritualização, entendida não só como desenvolvimento de sensibilidade e de inteligência, mas, também, daquela consciência ética que é indispensável para quem se destina a conviver no grande organismo futuro da humanidade.

A lei que, na nova fase de evolução, regerá o mundo biológico, não será, então, a hoje reconhecida pela ciência, mas será o Evangelho. Dessa forma, com um completo revolvimento de valores, passar-se-á do reino do involuído ao do evolvido.

Podemos, desse modo, começar a imaginar qual será a nova biologia do porvir, aquela que compreenderá a significação positivamente construtora dos ideais, a que alcançará entre seus valores também a ética das religiões e que marchará para a seleção de um tipo biológico diverso, propondo-se alcançar a formação do mais justo e do melhor, não mais, como agora, do mais forte ou do mais esperto. Biologia nova, orientada diretamente, que formará como próprio modelo um ser regido por uma forma mental diversa, por uma inteligência mais aguçada, não desperdiçada em inúteis competições contra o seu semelhante, mas utilizada para as conquistas da ciência, para o domínio sobre as forças da natureza, para alcançar o conhecimento das leis da vida e, com isto, a consciência de cidadãos do universo.

Aquelas antecipações da evolução, que hoje, para libertar-nos da animalidade, são confiadas as religiões e à sua ética normativa da conduta humana, e ditadas por superiores tipos de evolvidos, quais princípios éticos destinados à guia do gênero humano ao longo do caminho da ascensão, então, não serão mais acessíveis pelos caminhos nebulosos da fé, único meio possível para os meninos que ainda não podem compreender tudo, mas serão alcançadas pela maioria de forma racional, e demonstrado pelo positivismo científico.

Assim poderemos compreender a profunda significação do Evangelho e como este, em suas simples palavras, mostra, para quem possua olhos para ver, não só suas profundas significações, mas também que quem as ditou conhecia plenamente a solução dos problemas mais árduos da ciência e da filosofia que não conhecemos ainda.

Verificaremos que Ele possuía o conhecimento e que a nós, não foi possível, pela nossa incapacidade de compreensão, senão aprender as últimas, simples e práticas conclusões necessárias para bem viver. Mas quem consiga analisar os elementos dos quais derivaram aquelas conclusões, não pode deixar de perceber que elas descem da mais profunda sabedoria. Esta será a maneira pela qual o homem do futuro avizinhar-se-á do Evangelho, o modo do homem inteligente que deve aderir espontaneamente quando convencido pela evidência que não pode deixar de alcançar quem tudo compreendeu. Mas, para isto alcançar, é necessário o novo tipo humano, o evolvido, que possua, como dissemos, conhecimento e consciência.

 

 

 

 

 

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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