EVOLVIDO E INVOLUÍDO

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Constitui fato de aceitação universal a existência de diferença no desenvolvimento dos variados tipos humanos, onde encontramos quem mais progrediu e quem está mais atrasado e achamos a sua causa. Vai-se desse modo, do gênio, santo, super-homem, para baixo até ao delinquente, ao selvagem, ao primitivo, próximo do símio.

Natural é, pois, que cada um desses tipos apresente, na vida, comportamento correspondente ao nível evolutivo alcançado. Cada qual a viverá de acordo com uma sua filosofia própria, que forma o seu particular ponto de vista, provinda de sua própria natureza, e da qual decorre um seu modo de conceber, julgar e agir.

Na convivência em sociedade entre indivíduos de grau de evolução diferente, existem antagonismos de tipo biológico, isto é, contrastes entre os mais e os menos evolvidos, uma vez que se trata de indivíduos que, em seus instintos e modo de agir e de entender a vida, podem achar-se nos antípodas (os selvagens – completamente inadaptados à vida civil e os criminosos – banidos de nossa sociedade pelas leis).

Disto podem originar-se diferenças geradoras de contrastes, atritos, lutas, derivantes da maior ou menor evolução dos indivíduos, eis que os imergidos ainda no passado não conseguirão estar acordes com os que, por terem mais progredido, pertencem ao futuro, cada um querendo impor ao outro o seu método de vida.

Entre esses dois extremos a sociedade humana equilibrou-se numa posição mediana de compromisso, adaptada à média constituída pela maioria, que formou, assim, uma ética, usos, costumes e leis conformados aos instintos dominantes, à sensibilidade geral, ao comum entendimento da vida, onde aparecerão dois mundos diversos, o do baixo e o do alto, e a visão do progresso que vai do primeiro ao segundo.

Deixaremos de lado os graus ínfimos da evolução, os dos selvagens e os dos criminosos, que nada poderão contribuir para o nosso objetivo (caminhar para o alto) e vamos nos ocupar mais do estudo da minoria situada no polo oposto — o da evolução, que poderá oferecer-nos novas modalidades de pensamento e de ação.

A sua base é positiva e científica: o fenômeno da evolução, universalmente aceito. Percorrendo os mesmos caminhos da ciência, conseguiremos, assim, levá-la ao terreno da ética, da filosofia e das religiões, para alcançar uma nova moral mais evoluída, com base numa nova concepção positiva da vida.

Para tornar mais evidente o nosso estudo, colocaremos em confronto dois tipos biológicos nitidamente individuáveis: de um lado o biótipo mais adiantado, que vive em planos de evolução mais elevados que a média, o homem guiado pelo conhecimento que lhe vem da inteligência e da espiritualidade, o homem que vive na ordem por ter alcançado a consciência da lei: de Deus. Biótipo não comum, mas que já tem aparecido muitas vezes. na terra, onde hão é totalmente desconhecido. Denominaremos este tipo o evolvido.

De outro lado colocaremos o biótipo comum, menos adiantado, o homem que, não obstante envernizado de civilização, vive ainda no plano animal, do qual vemos aflorar nele os instintos, que continuam a formar a base da sua personalidade; homem ainda submetido à lei animal da luta pela seleção do mais forte, dirigido, acima de tudo, pelos instintos da fome e do amor, individualista egocêntrico, ainda inepto ao enquadramento numa ordem coletiva, na qual, viver-se-ia na forma de sociedade orgânica. Homem regido em substância, além das aparências, por uma moral formada, em sua realidade, por interesses egoístas e por, uma tábua de valores em cujo ápice encontra-se o vencedor a quem pertencem todos os direitos, enquanto ao vencido cabem todos os deveres. O denominaremos, o involuído, para, distinguí-lo do outro tipo.

Não quer isto dizer que todos sejam exclusivamente de um ou de outro tipo. As gradações, na pratica, são inúmeras; na maioria dos casos nunca se encontra o tipo evolvido ou involuído absoluto, mas há sempre tipos intermediários, em que predominam, em porcentagens diversas, as características de um ou do outro.

Compreendendo como nossa conduta seja quase sempre errônea, estaremos aptos a encontrar a saída de tantos desastres que, até agora, estamos fabricando com nossas próprias mãos pela nossa ignorância das leis da vida.

O encontro entre os dois tipos biológicos supracitados não é, por nada, pacífico, e, por isto, o denominamos A Grande Batalha, nome que adotamos como título deste volume. O embate não é apenas hipotético ou teórico, mas real, o que torna de atualidade o tema aqui versado, tema que todos estamos tratando em nossa vida diária, tema ao qual não se pode fugir, já que ele constitui a nossa própria vida e a sua evolução. Se os exemplares dos evolvidos constituem exceção, isto não quer dizer que eles não influem na vida de todos e isto porque o homem atual, pelo fenômeno da evolução, está vivendo exatamente numa fase de transição do plano biológico do involuído ao do evolvido. Mesmo sendo raros na terra, os homens superiores deixaram e deixam marcas próprias nas religiões, na arte, no pensamento filosófico e científico. São eles representados continuamente pelos ideais que semearam como guias da evolução da humanidade, da qual eles representam o porvir.

Tem, pois, esse encontro ou embate de tipos biológicos, uma significação mais profunda da que parece á primeira vista. Podemos observar nele como funciona o fenômeno da evolução, especialmente com referência ao homem atual que se encontra suspenso entre dois planos evolutivos, amadurecendo para passar do inferior ao superior, isto é da animalidade à verdadeira humanidade civil.

A significação mais profunda da vida de nosso mundo é dada, exatamente, pela elaboração dolorosa desta passagem da fase de involuído a de evolvido. E a consecução deste grande resultado é a única coisa que pode justificar, pela sua finalidade de bem, tantas lutas e tantas dores.

Verificando que toda nossa luta e sofrimento tem a finalidade de superar as mais baixas formas de vida para alcançar as mais elevadas, onde a vida encerre menos dores e mais felicidade, ultrapassamos a visão do simples fenômeno biológico e ingressamos no âmbito dos princípios, das normas da Lei, formadoras do impulso íntimo que anima e sustenta aquele fenômeno.

O contraste entre dois tipos biológicos, que aqui iremos estudar, assume, então, a significação do contraste entre dois planos de vida, entre as diferentes leis que os regem, entre o novo que quer nascer e o velho que não quer morrer.

No fenômeno, mesmo usando de uma psicologia positiva, aderente à concepção científica de evolução biológica, poder-se-á alcançar, por novos caminhos, a compreensão do Evangelho. Adquirirá, este novo poder em nossos espíritos com a responsabilidade de uma significação nova, inédita, a da lei de um plano biológico mais elevado, que a evolução não poderá deixar de alcançar no futuro. O Evangelho será, desse modo, confirmado e á ciência não poderá negá-lo, porque resultará cientificamente compreensível e justificável também de acordo com a forma mental do positivismo científico.

Compreenderemos a significação da luta entre Cristo e o mundo, o porque do Seu desafio e o que significa a Sua vitória. Tudo isto, então, foge do terreno fideístico e adquire o valor positivo de superação evolutiva.

 O fenômeno da luta entre os dois biótipos, do involuído e do evolvido, poderá ser concebido em função de fenômenos imensamente mais amplos, qual um momento da luta entre Cristo e o mundo, entre as forças do bem e as do mal, como um momento da evolução que, do caos a ordem, do Anti-Sistema ao Sistema, reconduz o ser para Deus. Desse modo o nosso esforço de todo dia resulta situado racionalmente na visão cósmica do universo e da salvação final.

Por vias racionais e positivas, pode-se alcançar a concepção de uma ética biológica, de uma moral positiva, estabelecida pelas próprias leis da vida, moral que verificaremos coincidir com a do Evangelho, que desse modo confirma e demonstra. Conclui-se que a ciência da vida não mais poderá prescindir do Evangelho, uma vez que este representa a lei do porvir civilizado para o qual tende a evolução, representa a moral de uma humanidade que haja alcançado um mais elevado nível de vida.

Esta é a Grande Batalha que aqui descrevemos. Não nos interessa a luta comum para a riqueza, as honras, o orgulho, o poder, o prazer, mas interessa-nos a luta entre o anjo e a besta, entre a luz de Deus e as trevas de Satanás, entre o espírito e a matéria, entre o Evangelho de Cristo e o egoísmo do mundo, para chegar aos resultados definitivos de nossa melhora, o que vale dizer, de nossa felicidade.

Descreveremos esta Grande Batalha individuando-a num campo bem definido, o que nos dará melhor meio de fixar as ideias que, na progressão da exposição, irão surgindo na narração de fatos que vão reger e guiar o desenvolvimento dos conceitos que irão, assim, brotando qual comentário da própria vida e, dessa forma, serão mais vivos, mais reais e mais evidentes.

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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