A Grande Batalha

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A Grande Batalha, toma precisamente em consideração o encontro, no terreno humano, entre animalidade e espiritualidade. A primeira toma sua expressão numa orientação materialista epicúrea, a segunda numa espiritual idealista. Estes dois polos são, efetivamente, os norteadores do pensamento humano: ciência e fé, poder civil e poder religioso, estado e igreja, correspondentes aos dois elementos fundamentais do ser humano: corpo e espírito, o primeiro filho da animalidade do passado, o outro conquista do porvir.

A Grande, Batalha desferra-se entre os dois, o corpo animal, da retaguarda, e o espírito, da vanguarda.

A função das normas das leis e das religiões, promulgadas por superiores evolvidos, como nossos guias, é exatamente a de cortar as presas da besta, para levantá-la educando-a em formas de vida mais civilizadas. Torna-se claro, imediatamente, que essas normas se dirigem ao tipo do involuído, e este é o homem que pressupõe em suas diretrizes. Usam, de fato, para alcançar a obediência, a psicologia do dano pessoal, por saberem que o involuído é sensível somente a isto. Disto é que decorrem infernos e sanções civis e penais, sem as quais qualquer norma espiritual ou material ficaria sem efeito. Sempre, tudo à base de punições, não de convicção. Isto revela precisamente o mundo da involuído, eis que as constrições desaparecem tão logo se penetre no evolvido, onde não teriam mais sentido. Este último tipo não precisa mais ser educado, uma vez que já o é, não tem necessidade de ameaças para ser induzido a obedecer, eis que já assimilou em si, aquelas normas e as possui como seus instintos.

Com isto podemos compreender a posição atual do homem ao longo da escala da evolução e qual seja a função biológica dos princípios ideais da ética e das religiões. Isto permite-nos atribuir ao Evangelho, verdadeiro código religioso da civilização ocidental, além das suas significações comuns, também uma expressão biológica, a estabelecer um seu especial valor ainda no terreno científico, definindo sua posição ao longo do caminho da evolução. Biologicamente o Evangelho representa o futuro e, algum dia, portanto, haverá de tornar-se realidade.

Eis, então, que tudo isto pode fornecer uma prova racional de que os princípios do Evangelho irão vencer e isto, não para o triunfo desta ou daquela religião ou partido, mas por lei de evolução que é lei de vida para todos. Vamos aqui desenvolver o conceito apontado um pouco antes. Valoriza-se, assim, o Evangelho também em face da ciência, tomando uma nova significação positiva, como expressão de um fenômeno social biológico, fatalmente ligado ao desenvolvimento do fenômeno da vida.

O Evangelho, na sua substância, eleva-se, assim, ao valor de fenômeno biológico universal que haverá de verificar-se, não somente entre este ou aquele povo, mas em todo lugar onde haja vida.

Em outras palavras poder-se-á dizer que, chegada a um mais alto grau de maturação, a vida evangeliza-se no sentido de reordenar-se e reorganizar-se conforme os princípios ensinados pelo Evangelho: processo universal que, nas diversas formas, próprias de cada religião, poder-se-á verificar, igual em sua substância, em todos os povos, uma vez que o processo de amadurecimento da vida não pode deixar de ser substancialmente igual para todos. Eis, pois, que uma biologia mais ampla, que abranja não só o passado e o presente, mas também o futuro, não poderá deixar de ter em conta a reorganização a ser levada, nas formas sociais da vida humana, pelos princípios do Evangelho.

O involuído representa a matéria prima da vida, ainda no seu estado bruto. Não é possível negar seja o primitivo um forte. A primeira lei de seu plano é a seleção do mais forte. E para ele o ser forte constitui tudo. Esta sua prepotência que alcança a ferocidade, constitui aquela matéria prima a ser refinada através da experiência, até transformar-se em inteligência e bondade. Aquela força, para refinar-se, deve ser forjada na bigorna da dor; efeito da ignorância e do erro. O primitivo é forte mas é ignorante e procura suprir a falta de inteligência com a brutalidade; é tão ingênuo que acredita seja possível vencer com a força. E quando usa a astúcia, a sua míope vista não alcança senão poucos metros de distância. É simplista e alia a muita força poucas ideias. Parece que uma coisa esteja em relação inversa da outra.

No evolvido encontramos o contrário, mas é natural que na luta cada qual se manifeste como é e ponha em ação as qualidades que possui: o involuído, a força e o evoluído, a inteligência. O primeiro, seguindo um impulso elementar, arremessa-se a abrir caminho com a violência, e não se da conta das inevitáveis reações, embora longínquas e lentas, das suas ações, nem da complexidade da rede de forças da vida em que se movimenta. Acontece, assim, que este, com toda a sua força, pratica uma série de erros, dos quais não poderá eximir-se de sofrer as reações. Isto depende de sua ignorância que o faz acreditar ser lícito e possível praticar tudo, conquanto a força lhe permita.

Deve ele aprender ainda que se está movendo dentro de um organismo de leis e de forças poderosíssimas, a serem seguidas com inteligência e obediência, e que é absurdo aquele seu sistema de querer impor-se a tudo e a todos. Assim, ele bate a testa continuamente contra as paredes, com o resultado, não de derrubá-las como acredita possível, mas de quebrar a cabeça, porque entre os dois, a sua vontade e a lei, a mais forte é sempre esta última.

O resultado de tudo isto é que o involuído há de pagar e, como verificamos de fato em nosso mundo, ele está sempre pagando. E não pode nunca ultimar o pagamento enquanto não acabe de semear erros e não alcance a compreensão da constituição e funcionamento do universo. Assim é que o homem sofre e paga.

Isto, entretanto, não quer dizer que tudo não esteja perfeitamente no seu próprio lugar. O homem sofre e paga, mas pagando aprende, e é este, precisamente, o processo da evolução humana. Quem está rico de força, mas pobre de inteligência, como o é o primitivo, possui a força e a utiliza para chegar à conquista da inteligência. Com o viver transforma-se a quantidade em qualidade, a rude energia vital em pensamento, readquire-se no espírito o que se perde no corpo, em poder espiritual o que se perde de força material.

Se o primitivismo possui a força, isto não se lhe dá para a continuação do mau uso, mas com a finalidade de produzir um resultado de valor, em benefício do ser. É assim que nascem a inteligência, a sensibilização, o conhecimento, a consciência, e todas as qualidades próprias do espírito.

Este fato o observamos como produto do progresso, tanto para toda a humanidade, como na formação das elites, na ascensão das classes sociais. Dissemos que entre os instintos fundamentais da vida, não há apenas a fome e o amor, mas, outrossim, o instinto de progresso.

Em todos há uma tendência ao refinamento, tão logo haja a possibilidade de uma melhoria nas condições de vida.

A tendência a civilizar-se é o resultado deste instinto. Não só há a vontade de viver e produzir-se mas também, a de progredir. O que, afinal é lógico, eis que, diversamente, o viver e reproduzir-se não teriam finalidade e de nada serviriam.

 

Livro: A Grande Batalha

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/AGrandeBatalha.pdf

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