Recapitulação Ascensional

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Denotemos ainda a interposição de outro importante fator presente na mecânica evolutiva: a recapitulação. Ao fim de cada etapa de contração e começo de nova expansão, o ser é levado, por imposição da fenomenologia involutiva-evolutiva, a refazer rapidamente as etapas já percorridas, demonstrando-se o caráter cíclico e oscilante do processo.

Como o pulso vital contrai-se às etapas primevas da evolução, na fase de declínio do ciclo, ao refazer-se, o indivíduo é levado a recapitular os passos já percorridos anteriormente. Dessa forma, a recapitulação, precedendo todo novo recomeço na grande viagem do ser, evidencia com clareza a ação das forças involutivas em sua intimidade.

Observemos, por exemplo, os estudos da embriogênese. A própria ciência do mundo já constatou que ela é nada mais que a repetição da filogênese. Ou seja, o desenvolvimento fetal, no útero materno, repassa por todas as etapas evolutivas já percorridas pelo filo genético ao qual pertence o ser. Assim, um peixe, ao se desenvolver, perfaz a curva evolutiva dos peixes; um mamífero copia a mesma trajetória de desenvolvimento de seus semelhantes; e o homem, em sua gestação, resume toda a árvore genealógica da multimilenar evolução que o produziu. Por isso, segundo esse fundamento, que o estudioso terreno apropriadamente denominou lei biogenética, o ser humano, ao se desenvolver no útero materno, torna a modelar os estágios de peixe, anfíbio, réptil, mamífero e primata primitivo, pelos quais já passou, para nascer com as últimas conquistas evolutivas arquivadas pela nossa espécie. Assim, em nove meses, ele recapitula os milhões de anos de sua particular caminhada biológica.

Ao nascer, ele continuará sua rememoração, repassando pelas conquistas depositadas no campo moral e intelectivo. Desse modo, assistiremos à criança, em tenra idade, relembrar sua fase de hominídeo, balbuciando palavras e ensaiando os primeiros passos da inteligência. Depois o veremos como o guerreiro dominador, pronto a atacar, conquistar e aparentemente matar. Até que, em torno dos sete anos, ele se detém em suas últimas aquisições evolutivas, preparando-se para agregar novos valores à sua bagagem espiritual.

Na contração da morte, sofrendo novo choque biológico, ser-lhe-á imposta nova recapitulação. Nesse instante, sua unidade dinâmica, o perispírito, sob a imperiosa retração do decesso físico, desprende-se, para outra vez reconstituir-se, repetindo, agora na dimensão espiritual, o mesmo fenômeno do renascimento na carne.

Em razão da elevada plasticidade do veículo perispiritual, o processo de reconstrução após o desenlace demanda, nos casos habituais e como todos já se inteiraram, cerca de três dias, período extremamente curto se comparado aos noves meses exigidos pela recomposição gestacional da carne. O fenômeno se dá, outra vez, desde os primórdios da evolução biológica, quando o perispírito repassa por todas as formas que já ocupou na linha de sua evolução dinâmica, para estacionar nos moldes de sua última conformação carnal. Na extrema rapidez do fenômeno, o espírito em processo de desencarnação, contudo, somente é capaz de reter em seus registros mnemônicos a lembrança dos movimentos que ele experimentou durante sua última romagem terrena. E assim, mais uma vez, a reciclagem da evolução reclamar-lhe-á o rápido retorno involutivo aos primórdios de sua jornada, no momento do desenlace e ressurgimento no mundo espiritual, a fim de conferir-lhe a perfeita continuidade de sua existência e a manutenção da personalidade que o veste.

As fases recapitulativas são essenciais ao ciclo evolutivo e atestam-nos que o retrocesso periódico faz parte da mecânica ascensional. Ela nos mostra que o núcleo da consciência, ao fim de cada estágio ascensional, retrograda a etapas anteriores de sua caminhada e as refaz aceleradamente, recompondo-as em forma de síntese, para então avançar rumo a novas conquistas. Eis a súmula da mecânica evolutiva que nos está reconduzindo de volta ao Pai.

Dessa maneira chegamos à cabal compreensão de que a técnica funcional da evolução é de fato, como afirmamos, uma síntese cíclica. Desenhando-se como uma espiral, ela se constitui de movimentos circulares que se abrem e se fecham periodicamente, representados por fases de nascimentos, desenvolvimentos, mortes e renascimentos, entrecortados pela recapitulação. Recapitulação que leva à reciclagem não só do material biológico a serviço do ser, mas igualmente de todos os valores que ele arquiva na vilegiatura evolutiva, os quais lhe são devolvidos como a súmula do progresso até então realizado. Todas suas experiências e conhecimentos adquiridos são assim aparentemente esquecidos, para ser revividos, reensaiados e reexperimentados, terminando por se sedimentar em camadas no interior da consciência espiritual em processo de expansão evolutiva. Uma vez depositadas no subconsciente, passarão a funcionar como impulsos automatizados, devidamente acondicionados no campo espiritual como conquistas inalienáveis do ser.

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