Filho da Evolução

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Irmão, ouve mais uma vez a grandiloquente voz da vida. Ela te diz que és uma provisória manifestação de Deus a caminho da perfeição absoluta. Sabe, irmão, que és um ente divino, entretecido em substância sagrada, provisoriamente, entretanto, retido em um torvelinho de forças em fuga. Preso nos retalhos do tempo e embalsamado pelo espaço, jazes agora no sarcófago da matéria, não por ensejo de nosso Pai, mas por tua imprópria escolha. Levanta-te e ergue-te dentre os mortos. Liberta-te das cadeias do ego em que te prendes.

Foste criado para plainar no Infinito e viver sem lindes a divina grandeza.

Caíste, é bem verdade. Sofres agora a injunção do próprio mal que, imprevidente, semeaste. Por isso experimentas a terrível sensação da perda de tua essência sagrada. Amargurado, já não crês mais que viveste um dia a glória de um deus. Desolado, choras o exílio em que ainda te demoras, maltratando-te enormemente a nostalgia pelo Lar perdido, pois percebes, entre as brumas do tempo e o nevoeiro do espaço em que ainda te encontras, a realidade divina como um sonho impreciso e um anseio inacessível.

Mira as entranhas de ti mesmo, irmão! Agora que a veste carnal já não obscurece a visão de ti mesmo, podes melhor observar-te. Não vês que nos arcanos de tua alma reside a divindade que jamais perdeste, aguardando-te para que te aposses novamente dela? Tua pequenez, não obstante, impõe-te agora a incerteza.

Olvidaste a palavra divina que te afirmou seres um deus. E hoje, essa estupenda assertiva parece-te um devaneio de loucos.

Aguardavas a morte para auferir os benefícios da Eternidade de que te sentes imbuído. No entanto, deparaste com um mundo em tudo semelhante ao que abandonaste na ribalta terrena. Não encontraste as blandícias da prometida paz ao deixares o traje orgânico. Um tormento de sombras assalta-te a cada curva de tua tortuosa estrada. O temor e a incerteza do futuro permanecem anuviando-te a visão do amanhã. Não desanimes, irmão. Não te detenhas ante as intempéries da longa marcha que continuas a palmilhar. Sequer te deixes abater ante os inevitáveis empeços da senda de infortúnios e dores por onde ascendes.

Aprende agora, irmão, que estás a caminho da restituição da divindade que tu mesmo malbarataste. Por isso tua jornada é hoje uma epopeia titânica, por entre os escombros de um mundo em recomposição. Para subir, é imperioso descer, a fim de tomar o embalo e assim ganhar nova e superior posição na escalada da evolução.

Ascender para experimentar a glória fugaz, declinar para sofrer a decadência de tuas forças, fazem parte agora da instável trilha do progresso que ora és obrigado a percorrer. Por isso, todo vitorioso experimenta, em um momento seguinte, a inevitável derrota, ainda que das próprias forças, pois não se pode progredir na retilínea posição em que gostarias de seguir sempre. Todo viajor do tempo deve, por força da oscilante Lei de evolução, vivenciar periodicamente a face inferior da grande onda da vida, provando sua falência e aparente morte. É quesito inderrogável da Lei que não podes evitar.

Logo, irmão, se a exaustão de tuas forças visita-te a alma, conferindo-te a tormentosa sensação de derrocada de todos os valores do ego, recorda que, se a descida faz-te por demais dolorosa, é porque subiste de forma inadequada, alimentado pela errônea vivência da arrogância. Agora, acredita, o declínio involutivo, fazendo-te experimentar as agruras da perda de todos teus valores, é-te necessária etapa para refazeres teus equilíbrios como convém e desfrutares da máxima estabilidade possível.

Ergue-te e caminha, ainda que o desalento corrompa-te o sossego. Não te demores na opressão e na angústia, mas guarda a certeza de que chegará o instante em que tuas forças espirituais combalidas inevitavelmente reverterão o pulso de descida, por íntimo rebote, artigo imprescindível da Lei de ação e reação, e projetar-te-ão outra vez no rumo da almejada ascensão.

Aguarda com paciência. És verdadeiramente um filho amado, a quem o Pai conferiu inesgotável potência, pronta a ressurgir em tua alma depois de cada derrota, ansiosa por coroar-te com a grandeza do Infinito.

Subirás, pois tal é a palavra infalível de Lei de ascensão, que trabalha incansavelmente para a tua regeneração e teu inevitável avanço. Ela erguer-te-á das trevas de ti mesmo, solevando-te do abismo em que teu egoísmo fez precipitar-te, para arrojar-te outra vez aos píncaros do progresso.

Consola-te, filho. A falência biológica, a dor, a degeneração e a morte fazem parte de tua jornada. São produtos do respiro do universo derrocado e não podem por lei de inércia ser evitados. Não desanima, entretanto, pois serão danos superados à medida que, subindo, aprenderes a respirar a atmosfera dos anjos.

Então, se para subir é imprescindível descer, desça com sabedoria e hombridade, conformando-te à impreterível necessidade de retornares às bases da evolução, a fim de angariar novo e poderoso embalo que te arrojarás aos altiplanos do espírito.

Recorda que, para ascender, é forçoso retroceder, refazendo os equívocos por onde trafegaste. É preciso exumar o cadáver do passado, extraindo-lhe as devidas lições para que seus enganos não se repitam. E ao término de cada etapa, a ação da perfeita Lei de Deus impõe-te a obrigação do recomeço. Aceita com boa vontade a sábia exigência da Lei e segue, ainda que teus pés sangrem.

Quiseras viver na estabilidade plena, sem jamais padecer as penúrias do declínio. Não obstante, filho, isso não é possível para aquele que, no passado, experimentou a grande queda do espírito. Agora, ascender pelas vias oscilantes da evolução, entrecortadas por contrações involutivas, é tua estrada natural. Acolhe com bom ânimo a ondulante vereda que a vida oferta-te. Ela é o melhor e mais rápido roteiro para alcançares o Paraíso.

Abraça a necessidade da dor que te corrige os erros, recordando que após cada tempestade impera a bonança. Acata a imposição dos invernos da vida que te infligem o recolhimento de tuas forças. Lembra-te de que depois da indolência do frio desponta nova primavera. Reverencia a destruição e a morte, a degeneração da velhice e a premência da enfermidade que a cada etapa da vida malbaratam-te os sonhos. Não são baldados valores a constranger-te em inúteis sofrimentos, mas sim forças que convocam-te ao crescimento que verdadeiramente importa: a expansão interior. Guarda a certeza de que toda derrocada orgânica dará lugar a novo renascimento, plenos de renovadas possibilidades para que reconstruas em ti a perfeição perdida.

Agora é noite na Terra. Teus passos ainda se perdem nas névoas do tempo, errantes, de permeio às voragens contorcidas do espaço. A dor e a morte estreitam-te a cada estação de tua longa viagem. Ergue tua fronte e mira o horizonte. Fulgura distante a aurora divina, aguardando-te com avidez para conferir-te a Vida eterna que tanto almejas.

Segue com o Cristo. Ele tomou sobre Si tuas dores para consolar-te as feridas e soerguer-te quando naufragas no mar da vida, indicando-te a rota segura da salvação. Sobe pelo calvário da redenção que Ele te concita, com alegria e bom ânimo. Renuncia a ti mesmo e anda, de fronte erguida, rumo ao Infinito. E venera, sem demora, a glória perene de Deus nas alturas, e cultiva na Terra, com boa vontade, a sublime paz dos céus!

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