Conceito de Evolução

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Filhos da queda, a evolução, embora negada por muitos teólogos da atualidade, ainda restritos à interpretação literal dos Textos Sagrados, é a grande realidade do universo, patente em todos os seus ritos fenomênicos. A ciência do mundo, afeita até então ao materialismo, estuda seus sábios mecanismos, admitindo-os como produtos do acaso. Nós, que agora habitamos a realidade do além-túmulo, sabemos, não obstante, que a evolução é conduzida pela ínsita inteligência do espírito imortal, devidamente servida pela sabedoria divina.

Vendo nossos corpos grosseiros desfeitos pela morte, compreendemos perfeitamente que são nada mais que vestes transitórias que a alma enverga provisoriamente na escola da carne. Como tais, não podem determinar, por si mesmos, o aprimoramento constante a que estão sujeitos ao longo da esteira do tempo.

Portanto, compreendamos, de uma vez por todas, que o espírito é quem carreia o progresso e está no seu comando, em todas as instâncias da existência, do mais ínfimo ao mais complexo ser em trânsito na vida.

Desse modo, a evolução das formas, apurada pelos estudos da Terra, deve ser completada pela evolução do espírito, a essência a conduzir com inteligência e sábio telefinalismo a roupagem carnal. Afinal, quem se acha em marcha progressiva é o espírito, transportando consigo suas provisórias roupagens físicas pela avalanche dos séculos.

Como tudo está banhado pelo espírito, tudo evolui no universo. Contorce-se então todo o cosmo e seus filhos fenomênicos sob o pulsar inestancável da evolução, a maior força a tudo impulsionar pelas estradas do tempo. Esse febricitante movimento que a tudo agita não se cala em momento algum. Nem mesmo a morte pode deter seus insupríveis ímpetos. Por isso, desencarnamos, mas seguimos no plano do invisível convulsionados pelo torvelinho do progresso, subordinados agora à maior velocidade evolutiva, por serem mais leves os veículos dinâmicos que ora nos servem à manifestação da consciência eterna.

Antes de seguir adiante, irmãos, apressemo-nos a definir o exato significado que na atualidade emprestamos à evolução. Para nós, a evolução é exatamente o longo caminho que nos reconduz ao aprisco divino.

Compreendamos bem, irmãos, não é a estrada que nos leva a Deus por primeira vez. É, sim, o impulso que nos traz de volta ao ponto de partida. Portanto, evolução é roteiro de reconstrução e não de construção do espírito.

Através de seus movimentos, sabiamente orientados pela inteligência divina, nosso universo, desmoronado pela queda do espírito, está refazendo sua perfeição perdida.

Logo, evolução é força saneadora do mal. É a potência regeneradora do espírito que caiu. É o impulso que refaz a alma nos moldes da perfeição que o Criador a gerou. É a grande força de salvação do cosmo degenerado pela revolta do ser. É o arroubo redentor do universo. É a cura da queda. Ela representa então a

Imanência divina que, por amor, caiu junto com a criatura, a fim de resgatá-la do báratro de morte e dor, caos e agruras no qual se meteu. Eis então que definimos agora a evolução como a impreterível Lei de Retorno.

— Isso nos leva a compreender que a evolução não parte exatamente de uma tábula rasa. Segundo esse conceito, apregoado pelo radicalismo empirista, a criatura originar-se-ia de um estado absolutamente vazio, a ser preenchido pelas experiências da vida. Da posição que hoje ocupamos vemos que não é exatamente assim.

Tudo nos leva a crer que o espírito, ao surgir no Relativismo, fora criado antes no Absoluto e traz a priori uma escolha já determinada. Ele optou pela vivência plena do egoísmo em detrimento do amor. Portanto, ele já ingressa na existência física vestido por uma personalidade anteriormente confeccionada e movido por recônditos anseios previamente fixados. O instinto de luta, consequência direta dos divergentes interesses dos egos presentes na arena da vida, seria, portanto, nada mais que a evidente manifestação de uma precedente eleição já estabelecida nos panoramas internos do ser.

Essa é a única maneira de se elucidar exatamente por que os filhos do Relativo já nascem movidos por anseios fundamentalmente distorcidos em relação aos imperativos do amor. Deus não poderia haver criado, irmãos, espíritos alicerçados em inata e exclusiva paixão por si próprios, uma vez que essa não é a essência da natureza divina.

Então, se os seres mais tenros já evidenciam, ao despontar na carne, a preponderância do egoísmo sobre o primado do amor, tal não poderá ser imputado à herança do Criador. Destarte, sendo esse o evidente comportamento dos filhos da criação nos primórdios da evolução, devemos buscar explicações outras que isentem a inteligência e a bondade de Deus no processo de geração das criaturas. Para muitos, a exaltação do ego nos reinos inferiores nada mais seria que uma premente necessidade para a sobrevivência individual.

Entrementes, irmãos, negamo-nos a admitir que a sabedoria divina não dispusesse de uma didática estruturada no bem, e não na luta, para servir-se à educação de Seus rebentos.

O corolário da queda surge então como a irrefutável explicação para essa estranha incoerência da evolução. Ela nos ajuda a entender exatamente por que a evolução parte de atributos que se situam nos antípodas daqueles do Criador. E assim entendemos por que o progresso parte do primitivismo das formas, da exiguidade de ordem, da precariedade de órgãos, da instabilidade das forças primitivas e do equilíbrio mínimo para chegar à ordem máxima, às complexidades superiores, à estabilidade plena e à perfeição absoluta. Ou seja, vemos que a evolução do universo caminha da desordem para a ordem, da luta para a concórdia, da dor para a felicidade, do precário para o perfeito, do mal para o bem, da matéria para o espírito, das trevas para a luz, do determinismo para a liberdade, enfim, da besta para o anjo. Logo, elucida-se que estamos caminhando, na longa estrada do devenir, do Inferno para o Céu. Fato absolutamente inexplicável sem o pressuposto da queda do espírito.

Assim compreendemos exatamente por que quanto mais primitivo é um ser, mais bárbara é sua vida e mais egoisticamente ele comporta-se. Ora, a razão nos diz que os seres recém-criados estariam muito mais próximos de Deus, portanto, deveriam refletir com maior intensidade o estado de pureza e inocência que herdaram do Criador, o que não corresponde à realidade. O instinto fundamental da luta é fato patente nos estágios primitivos da vida, e imputá-lo a uma natural herança de Deus choca-nos profundamente a razão, por ferir a concepção que adotamos do Criador.

Além de nos parecer ilógico imputar a Deus uma geração de seres prioritariamente egoístas e rebeldes, carentes da limitação e da dor para se educarem no impreterível amor, não nos é pertinente pretender também que o Criador tenha formado antes um universo em desordem, subordinado a forças caóticas e caracterizado como um verdadeiro báratro, para então ordená-lo através da lenta e laboriosa marcha evolutiva. Uma criação perfeita não poderia ter sua origem em tais inadequados moldes. Logo, admitir que Deus cria a partir do inferno do ser, torna-se o mais completo absurdo teológico, a ferir gravemente o conceito de Divindade que trazemos na alma.

Se o amor é a força básica da criação, esta sim, e não o egoísmo, deveria ser para todos a inata aptidão.

Desse modo, a lógica obriga-nos a admitir a prévia existência de um processo de regressão nos primórdios da criação física. E a evolução nada mais seria que a natural reação a essa precedente involução. Como uma mola que foi comprimida e, por reação, apressa-se a refazer sua forma original, o espírito, uma vez que teve suas inatas potências de origem contraídas pelo egoísmo, experimenta agora, na evolução, um impulso de igual intensidade, porém de sentido contrário, que o redireciona a seu original estado de plenitude.

Esse novo entendimento da evolução torna-a facilmente aceitável do ponto de vista de um Deus perfeito, que somente poderia criar uma obra também perfeita. Sob essa nova visão, a ação do Criador faz-se melhor compreensível, os mecanismos e o telefinalismo da evolução esclarecem-se de uma maneira muito mais lógica.

E como o universo é uma construção lógica, optar por explicações que atendam à coerência e à simplicidade é o melhor caminho para se elucidá-lo.

A observação da vida leva-nos, com efeito, a constatar que a evolução a todos embala com um inestancável ímpeto de refazimento de potências que já existem na intimidade de cada um. Fato que nos obriga a aceitar que elas foram aí reduzidas mediante um processo involutivo. E certifica-nos sermos todos sementes de deuses, contidos no Relativo, ávidos por experimentar novamente a grandeza com a qual fomos criados.

Queiramos ou não, essa é a máxima explicação para a evolução, o que justifica a imensa sofreguidão que todos experimentamos por crescer e progredir.

O impulsor basilar da evolução faz-se assim uma ânsia por expansão. Fato facilmente verificável na personalidade humana que manifesta como seu fundamental propulsor o constante anelo por crescimento e ampliação de possibilidades. Assim se elucida por que nosso universo palpita desse inesgotável ímpeto por subir, a agitar todos os seus seres fenomênicos, dos mais simples e aparentemente inertes, aos próprios santos. A verdade, irmãos, é que nós conhecemos um dia a plenitude máxima e agora ansiamos por reconquistá-la.

Como veremos a seguir, o corolário da queda torna-se a pedra angular que nos fará compreender todos os intrínsecos princípios de funcionamento da evolução, os quais dificilmente conseguiremos elucidar adequadamente de outra forma.

Evolução então, repitamos, é a expansão das potencialidades do ser anteriormente contraídas pela queda. Por isso é a quitação da contração involutiva, sendo nada mais que a reação à involução.

Evolução é a superação do passado e todas suas mazelas, as quais somente podem ser imputadas ao próprio espírito que caiu. Por isso a evolução requer, como nota fundamental, o ingente trabalho de se alcançar os cimos da vida mediante o próprio esforço e renúncia ao pretérito.

Evolução é descentralização cinética e supressão do movimento da substância que, com a queda, conteve-se no redemoinho atômico. Por isso, ela favorece a paulatina liberdade de ação ao ser.

Evolução é recuperação do que foi desfeito. Por isso exige paciente reconstrução no tempo.

Evolução é o desfazimento de espúrios valores agregados ao ser pela queda. Por isso incorporou a degeneração, a morte e a destruição em sua mecânica de funcionamento.

Evolução é o despertar do espírito que adormeceu na inconsciência da matéria e se tornou ignorante por haver-se apartado do Consciente divino. Por isso se faz de tentativas de acerto e incorpora o erro e a possibilidade do fracasso como naturais tendências a serem superadas.

Evolução é dilação de um potencial que com a queda se contraiu. Por isso ela se compõe de subidas e descidas, entrecortadas na grande onda da vida.

Evolução é libertação da prisão a que no impomos pela queda. Por isso ela representa a progressiva emancipação das estreitas cadeias que nos atêm nos redemoinhos da matéria.

Evolução é a purificação do espírito que se deixou macular pela eleição do mal e do egoísmo. Por isso lhe exige a livre escolha do amor, para facultar-lhe a condição de pureza original.

A evolução é o roteiro que vai do Inferno ao Céu. Por isso, partindo da barbárie, da luta pela

sobrevivência e da selvageria que reinam nos mundos primitivos, leva-nos ao reino da concórdia e do bem, da cooperação e da abundância que imperam nos mundos superiores.

Evolução é a superação da morte que o ser incorporou em si pela queda. Por isso ela o reconduz, como nos aferiu o Cristo, à verdadeira Vida eterna, a gloriosa Ressurreição no Seio de Deus.

Evolução é lei inexorável que nos impõe a felicidade como quesito irrefutável, por ser nosso natural legado. Por isso, uma vez que incorporamos o mal e o tomamos por hábito automático, ela nos exige a paradoxal presença da dor para nos devolver a alegria a que nos fazemos jus como filhos do Altíssimo.

Evolução é reconstituição da perfeição perdida. Por isso, partindo da desordem e do caos, produtos da queda e não de Deus, atiça-nos com o inestancável anseio pela ordem e pelo equilíbrio.

Evolução é refazimento da beleza com a qual o Artista divino moldou originariamente Sua obra. Por isso, albergando a degeneração da forma, induzida pela queda, ela é o roteiro que vai do disforme ao belo, do simples ao complexo, do impróprio ao próprio.

Evolução é transformação do egoísmo que elegemos por livre escolha, no puro amor necessário para se viver no Reino de Deus. Por isso requer a onerosa renúncia às execráveis aspirações do ego para nos conferir o ingresso no Paraíso.

Evolução é correção da ignorância e evasão da simplicidade, condições a que nos impusemos pela queda.

Por isso ela colima devolver-nos o estado de plena sabedoria com o qual fomos originariamente agraciados.

Evolução é potência salvadora que resgata o universo do caos em que se desmoronou. Por isso é lei de reconstituição dos bens perdidos, por meio da lenta elaboração dos milênios.

Em síntese, evolução é mecanismo de recuperação da imperfeição por meio do esforço próprio.

É força restauradora do mal através da dor.

É o desfazimento do passado, por meio da corrigenda.

É a dissolução do atrito entre os seres por meio da reconquista da paz.

É a escola de correção das equivocadas lições de luta e de selvageria pretendidas pelo próprio ser.

É transformação da desordem em ordem, do sofrimento em felicidade, da pequenez em grandeza, da competição em concórdia, através de processo de autoelaboração.

É a superação da inferioridade, fruto da revolta do ser, por meio da reconquista de si mesmo.

É o roteiro para a ordem e a beleza através do incansável exercício da experiência de cada dia.

É a cura das feridas do ódio para que o amor floresça no campo íntimo de cada um.

É a superação de todos os limites impostos pela queda.

É, enfim, a jornada redentora que nos leva de volta ao Aprisco divino.

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