Princípio de Desenvolvimento

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

A alma humana nasce e vive sob o império dessas inexoráveis leis, as quais ela termina por obedecer, embora não o desejasse. O espírito anseia desesperadamente por equilíbrio e estabilidade, que não pode encontrar em seu entorno. Pela queda, ele se fez uma semente de deus e deve agora, por reverberação do primeiro movimento, reiniciar cada vida na carne como um núcleo-semente em desenvolvimento no seio do Todo.

Por isso, periodicamente a vida convoca-nos a recolher todos os valores que arquivamos na vilegiatura da existência, para condensá-los em novo potencial de crescimento, detidos na contração pré-reencarnatória. Depois, no bojo uterino, comprimidos na unidade celular de um óvulo fecundado, tornamos a explodir no desenvolvimento embrionário, para experimentar novo e vertiginoso crescimento, a findar-se nos limites que a nova morte na carne nos obriga. Sujeitar-nos-emos a esses terríveis embalos até que nos restituamos por completo no Reino divino, fazendo cessar em nós tais inadequados movimentos.

Identificamos assim o princípio de desenvolvimento como um item da Lei, a operar ativamente apenas no universo contraído. Como uma estupenda dança fenomênica, ele impõe-se a todo ser degenerado pela queda, compelindo-os ao inexorável crescimento evolutivo. Esse inestancável impulso, motor da evolução, leva-nos a progredir sempre, fazendo-nos florescer os potenciais divinos contidos em nossa bagagem espiritual até que terminemos por romper os determinísticos limites que nos prendem nos abismos infecundos da matéria.

Mas, estejamos atentos, irmãos. No reino do Absoluto, a Lei de nucleação não funciona com base no princípio do desenvolvimento, fato somente verificável em nossas contraídas dimensões, onde tudo anseia por permanente expansão. Se aqui, todos os fenômenos devem nascer, para crescer, desenvolver-se e morrer, lá os produtos da perfeição estão subordinados à eternidade dos valores, à plenitude das potências e à estabilidade das manifestações, cujos aspectos finais não alcançamos ainda compreender. Nossa razão é insuficiente para entender como na realidade divina estabelece-se tal perenidade de divícias. Sabemos apenas que na imobilidade do Absoluto nada se sujeita a crescimentos e decrepitudes.

Abdiquemo-nos, por ora, de elucidar como se dá a existência dos legítimos Filhos de Deus, em uma dimensão onde inexiste a possibilidade de evolução, uma vez que tudo aí se expressa em sua máxima perfeição possível. Portanto, compreendamos muito bem, a evolução só é possível para aquele que sofreu a contração involutiva da queda, e agora necessita reexpandir-se, desvencilhando-se dos inadequados envoltórios físicos com os quais encobriu sua grandeza de origem.

Tratemos então de munir-nos da necessária humildade, fazendo-nos pequenos como uma semente para que a Lei nos faça crescer como convém, até que atinjamos a almejada grandeza das potestades divinas que nos compõem, quando nos fixaremos como essências plenamente estendidas e estáveis na Realidade do Absoluto, “as colunas inamovíveis”, anunciadas pela poética linguagem do Apocalipse.

 

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