Princípio de Complementaridade

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Do princípio de especialização deriva ainda o princípio da complementaridade. Segundo esse fundamento, as unidades menores devem exercer funções conducentes, não aos próprios fins, mas às exigências  da unidade maior, indispensáveis à subsistência do Todo. Por isso, todo eu fenomênico, conhecendo a priori as necessidades do conjunto a que pertence, especializa-se em atividades que as atendam, pelas quais não somente se distingue, mas também contribui para a subsistência de todos. Dessa maneira, essa conjuntura de leis conduz à formação de sistemas orgânicos. E o Universo, sob a regência da grande Lei, torna-se uma conjunção de múltiplos organismos, coordenados na imersão do Todo, em todas as suas instâncias, do maior ao menor, caracterizando-se a intrínseca e perfeita organicidade, sem a qual a vida jamais seria possível.

Tal fundamento impede, mais uma vez, a existência insular de qualquer fenômeno no Universo, pois um  organismo, em qualquer plano de manifestação, não sobrevive sem a interatividade e a interdependência de seus componentes, condição essencial para a sobrevivência não só do conjunto como também do próprio indivíduo que nele vive. O Todo, portanto, define-se como uma unidade interativa de elementos menores, jungidos pela especialização em funções complementares. A compor tipos específicos, todo fenômeno deve completar outro fenômeno. Nenhum está completo em si mesmo. Somente Deus é pleno em Si próprio. Assim, a inexorável união dos Filhos está garantida na Criação, onde nenhum um deles não poderá subsistir sem a necessária permuta de valores com os demais.

Então, nos fundamentos mais íntimos da alma, diferenciamo-nos uns dos outros, embora não tenhamos ainda atingindo a compreensão dos fatores essenciais que mutuamente nos distinguem. Logo, divergimo-nos não apenas pelas experiências que arquivamos no roteiro evolutivo, mas pelo fato de já trazermos, como estigma inato de origem, fatores determinantes de inerente individuação, anteriormente estabelecidos nos mistérios da gênese divina original.

Os fundamentos de individuação, diferenciação e complementaridade são facilmente identificados em nosso mundo. Na natureza, cada organismo é uma conjunção de indivíduos complementares e aparentemente distintos, mutuamente indispensáveis à manutenção do conjunto ao qual se fundem em princípios e fins. Tal admirável ação da Lei encontra-se na raiz de toda conjuntura fenomênica analisável ao nosso alcance. Não vemos na unidade atômica o desempenho específico, interativo e complementar de cada um de seus elementos básicos? O elétron tem papel distinto do próton, o qual, por sua vez, diferencia-se, em suas funções, do nêutron, todos, porém acham-se coordenados na produção telefinalista e ordenada do conjunto. Não encontramos na célula uma justa interação de organelas e especificidade de moléculas? Mas é nos organismos superiores que denotaremos a perfeita integração anatômica e fisiológica de órgãos, tecidos e células, imprescindível para a produção de um sistema completamente integrado.

Assim, todos os seres constitutivos da Criação, tanto a perfeita quanto sua parte desmoronada, sobrevivem mediante esses essenciais fundamentos. Todos, embora feitos de mesma substância, diferenciam-se em comportamentos e atributos. Eis exatamente por que vamos encontrar os elementos naturais que formam a unidade estrutural do cosmo físico particularizados em distintas unidades atômicas, distribuídos em 94 compostos básicos, do hidrogênio ao urânio. Classificados pelos números atômicos, eles integram a chamada tabela periódica dos elementos naturais. E de igual modo, os seres moleculares separam-se em diferentes modelos estruturais. Assim como os seres vivos desagregam-se paulatinamente da coletividade que os alberga gerando individualidades distintas umas das outras, à medida que ascendem pela esteira da evolução. E terminamos por  encontrar-nos, na escala humana, com indivíduos feitos dos mesmos átomos, idênticos componentes biomoleculares, iguais células, tecidos e órgãos, porém dessemelhantes no reduto da personalidade. Compomos tipos específicos de individuações, em obediência à Lei de diferenciação, que nos torna desiguais na igualdade fundamental da substância básica que nos constitui, para que a sociedade que terminamos urdindo converta-se em um grande organismo. Diríamos então que cada eu fenomênico no Universo adquire, por ação da Lei de diferenciação, identidade própria, manifestando-se como uma vibração única na Criação.

É por essa Lei que, nos organismos vivos, cada conjunto de células, cada órgão e cada sistema tem seu peculiar papel na sociedade orgânica a que pertencem. Sem tal organização, a vida não se firmaria. Exatamente por isso todo ser vivo faz-se um conjunto de entidades especializadas em funções, mutuamente complementares, doando cada qual seu trabalho específico em benefício do organismo que os alberga. E cada um recebe dos demais membros de sua comunidade o mesmo esforço em prol do conjunto, garantindo-se a sobrevivência de todos. Esse admirável sistema de organização, próprio de todas as manifestações da natureza e alicerçado no regime de trocas, permite não só a manifestação da vida, mas o sustento de todo o universo físico ou espiritual.

Sem ele não seria possível a qualquer eu fenomênico existir como entidade viva e aparentemente independente no seio da infinita Criação.

Sob a direção desse princípio de Lei, cada indivíduo é levado a conhecer a priori as necessidades do conjunto a que pertence, a fim de satisfazê-las com êxito, assegurando a própria sobrevivência. E assim a parte atende com perfeição às exigências do Todo ao qual serve e o qual o sustenta. Fato que deveria deixar surpreso o pensador terreno ante um conhecimento que não pode ser explicado pela experiência da vida, mas unicamente por uma sabedoria ínsita na realidade fenomênica. Nossas células, por exemplo, exercem atividades e sintetizam compostos que atuam com precisão à distância de onde se encontram, satisfazendo não as próprias, mas as prioridades do organismo ao qual servem, deixando-nos patente que executam instruções e detém um conhecimento que por si sós não poderiam alcançar sem a mais justa integração ao conjunto que as alberga.

 

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