Lei de Nucleação e Coletivização

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Caminhemos para a sexta grande Lei, a Lei de Nucleação. Por essa Lei, todo eu fenomênico, copiando o modelo supremo e único, Deus, deve converter-se em um centro de convergência e irradiação da substância que o entretece. Assim, a Criação forma núcleos a se distribuírem pelas imensidões do Infinito, irradiando cada qual as mesmas Leis e idênticos princípios herdados do Criador. Exatamente por isso, a primeira Criação gerou Filhos-deuses, feitos à imagem e semelhança do Pai.

A Lei de Nucleação impõe a formação de unidades coletivas, pelo princípio de coletivização. Por esse fundamento, os núcleos fazem-se centros irradiantes e atrativos de elementos menores, gerando coletividades que lhe gravitam em torno. Mais uma vez, a inevitável coletivização dos elementos criados impede a pulverização da substância, restituindo, em nível menor, a Unidade maior.

Pela Lei do dualismo, todo núcleo é munido de duplo impulso: irradiação e convergência. Pelo pulso radiante, ele doa substância de si, porém, pelo anseio de centralização, ele aspira-a de volta a si, equilibrando suas forças íntimas. Como dissemos, esse parâmetro, que todo fenômeno segue inexoravelmente, nada mais é que cópia do único modelo existente, o divino. Deus é o centro máximo de irradiação da substância existente no Universo, não obstante, de igual modo, é também o ponto de maior atração de substância.

Por isso, Deus é ao mesmo tempo centro e periferia do Universo. Por isso, Ele é a plenitude da doação de si mesmo, o amor, mas também é o mais potente núcleo de convergência da Criação. Pela Lei de identidade, o Filho copia o Pai, estabelecendo-se como novo centro de irradiação e convergência da substância que o constitui. Por lei de reprodução, cada núcleo deve gerar outro, em subsequente escala. E assim cada novo núcleo gerado forma nova unidade coletiva, feita de núcleos menores, que se fazem, por sua vez, novos centros de outras unidades coletivas, sem possibilidade de colocarmos qualquer limite ao fenômeno, que se repete de um extremo a outro do Infinito.

Por esses fundamentos, toda unidade maior gera unidades menores a seu derredor. Mas toda unidade maior deve orbitar, por sua vez, em torno de uma unidade ainda maior, fazendo do Universo um perfeito conjunto de núcleos sobrepostos, organizados pelos princípios de ordem e equilíbrio, sujeitos ao funcionamento de uma Lei que é geral e única para todos.

Unidades coletivas atraídas por núcleos de convergência e irradiação, superpostos ao infinito: eis então o modelo organizacional da Criação. Quesito que restitui a dispersão fenomênica na unificação original do Todo, impedindo-se a fragmentação decorrente da individuação da substância. Segundo esse fundamento, nenhum fenômeno pode sustentar a si mesmo, mas depende da existência de unidades menores para manifestar-se, como também se faz sustento de unidades maiores, em torno das quais deve gravitar. Tal é a lei, tal é o Universo, que se torna assim uma imensa teia de eventos intimamente conectados pelo princípio de nucleação e coletivização, e entretecida pelo necessário movimento de doação e recepção de todos os seus componentes – o indispensável respiro da substância ao qual já nos referimos.

Basta examinarmos nossa realidade para observar como esse é o desenho basilar da Criação, que se repete em todos os seus rincões. Sem tal fundamento, os infindáveis fenômenos do universo dispersar-se-iam na fragmentação, e a Criação jamais seria uma perfeita unidade. E sem unidade, nada poderia existir. Vejamos: o átomo é um conjunto de partículas menores que se organizam para produzir a unidade atômica. Os átomos, por sua vez, ajuntam-se em conjuntos de moléculas. As moléculas organizam as células. As células fazem a tessitura dos órgãos. Já os organismos nada mais são que sistemas de órgãos. Os organismos reúnem-se para formar as sociedades. As sociedades agrupam-se em humanidades, compondo mundos. As reuniões de mundos formam os sistemas estelares. Sistemas estelares ajuntam-se, compondo galáxias. As galáxias, por sua vez, agregam-se em arquipélagos galácticos. Os arquipélagos galácticos formam o universo, o qual pertence ao conjunto de universos a integrar o Infinito. Essa grande e maravilhosa unificação de unidades coletivas começa em Deus e termina em Deus, o princípio e o fim. O centro e a periferia unem-se na consubstancialidade do Todo. E assim, todos os fenômenos, irmãos em Criação, estarão inexoravelmente abraçados, do menor ao maior, no indissolúvel abraço da Unidade. O menor deve sustentar o maior, o maior faz-se sustento de outra unidade ainda maior, sem solução de continuidade, sem isolamentos de extremos, sem primeiros e sem últimos.

A Lei de nucleação e o consequente princípio de unidades coletivas entrelaça todo o universo em uma admirável e imensa teia de coletividades. Fenômeno algum existe de modo isolado, e por meio desse fundamental arranjo, o infinitamente pequeno está em permanente contato com o infinitamente grande. De modo que as leis e os valores do maior aplicam-se de igual modo ao menor, impedindo-se o estabelecimento de posições privilegiadas entre os filhos da Criação, em qualquer de seus rincões.

Destarte, irmãos, para que esse importante princípio funcione adequadamente, o fundamento do amor novamente deve sustentá-lo, em todas as suas instâncias. O núcleo maior deve doar-se por amor ao núcleo menor, e este, por sua vez, deve abdicar-se, por amor, àquele. Esse é o alicerce da Lei e assim funciona não só a natureza viva, mas todo o Universo, onde o menor trabalha para a manutenção do maior, doando em amor sua parcela de contribuição, a qual resulta na própria subsistência. O menor apoia o maior, e o maior deve manter também o menor, em obediência ao princípio de doação, indispensável ao funcionamento do Todo. Eis, então, mais uma vez que o amor é não só o cimento da Criação, mas igualmente a força que intimamente alimenta todos os seus seres. E assim compreendemos que sem o impreterível esteio do amor a Obra divina jamais seria possível.

Nossa realidade desmoronada sustenta-se, ao revés, em inadequada rivalidade, por haver negado fundamentalmente o primado do amor. Aqui as unidades coletivas continuam gravitando em torno de seus núcleos, porém segundo impositivos da Lei e não por livre doação do amor, pois do contrário o universo material não poderia existir. Portanto, as forças atrativas que formam o átomo, sedimentam moléculas nos cristais, atraem mundos na imensidão sideral ou mesmo unem células na entidade viva devem obedecer, nas paisagens relativistas, aos imperativos da forma e suas leis, que as obrigam a vivenciar o embrião do verdadeiro amor.

Então, o laço eletromagnético das ondas, o arrasto gravitacional das massas e a tremenda compactação que funde partículas no cerne atômico são nada mais que ensaios fenomênicos da mesma amorosa atração que deveria imperar incólume na relação fundamental entre todos os filhos da Criação. E entre os seres parcialmente  conscientes, o conúbio entre predador e presa, ou mesmo o ódio entre rivais representam igualmente ensaios das experiências carnais para que todos resgatem a regra áurea da vida: a espontânea doação ao semelhante.

Na existência humana, a imposição da Lei de nucleação e coletivização faz de cada eu um centro de irradiação e convergência de valores personalísticos. Não obstante, ignorantes das ordenações do amor, todos competem posições nas sociedades em que vivem. Sem compreender de onde procede tal impulso fundamental de nucleação, cada qual almeja ser um centro de atrações, digladiando com os demais em busca de hegemonia.

Movidos essencialmente pela paixão egoica, todos pretendem fazer-se núcleo, não de doação, mas de convergência, distinção e máxima importância. Não fossem os limites que a Lei impõe ao homem, que permanece reverberando em si as motivações de sua queda, far-se-ia ele o centro do universo, eliminando todos seus pretensos adversários. Sob os auspícios da ânsia por grandeza, genuína herança herdada de seu Pai, a correr inestancável em suas veias, ele se esquece de que, sob o sol divino do amor, há lugar para que todas as glórias individuais se realizem.

Alicerçados nessa inversão de princípios, vive-se em uma sociedade essencialmente competitiva, na qual a destruição do outro parece ser o único meio de o indivíduo se projetar como pretendido centro de irradiação e convergência na comunidade em que vive. É a prova contundente de que fomos criados como deuses e copiamos o modelo divino, ainda que neguemos o fundamento essencial do amor que caracteriza a verdadeira divindade.

A agressividade e o ódio tornaram-se, desse modo, o cimento social, desagregadores de valores e do bem-estar do organismo comunitário em que se vive. Somente a dor pode corrigir tais erros basilares da conduta do espírito falido, cujas raízes se perdem na imensidão do tempo e jamais foram pretendidas pelo Criador.

Compreendemos hoje que a origem de tais mórbidos impulsos encontra-se radicada na inadequada aspiração por expansão que alimentou o espírito rebelde ao nascer no Absoluto, e que de lá o fez retirar-se, como já abordamos em nossa primeira exposição.

 

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