Artífices da Antilei

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Os ecos sinfônicos da grande Lei, pura expressão do pensamento de Deus, redundam desde o Infinito e nenhum ser fenomênico escapa a seus harmoniosos e precisos acordes. Desde os incomensuráveis rincões do espaço sideral aos escaninhos subatômicos da matéria, dos maiores aos mais ínfimos fenômenos, todos devem dançar ao ritmo de seus majestosos tons, sob a batuta do grande Maestro, o Criador.

Entrementes, irmãos, em nosso triste e protraído universo, o ser está sempre disposto a sobrepujar toda lei e toda ordem. O espírito caído, imerso no instinto fundamental de rebeldia, somente segue a lei se vislumbra nela a possibilidade de vantagens imediatas ou é coagido pelo temor ao próprio prejuízo. Tal é ainda o homem atual que não compreendeu ser impossível viver fora da grande Lei, alheio à sua direção orquestral. Sua insistente vontade de viver à revelia da Ordem que rege toda a Criação é a motivação principal de suas dores e tormentos. Não nos iludamos, a origem primeira de toda dor é unicamente o atrito do ser contra a Lei de Deus.

E o atrito guarda a precípua finalidade de reconduzi-lo a seu fluxo natural, uma vez que este é o único caminho possível para sua felicidade. Por isso, diante de qualquer sofrimento que nos visite a alma, faz-se imprescindível aquietar o orgulho e perguntar-nos, com a mais sincera humildade: onde estamos ferindo os editos divinos?

Somente assim deixará o homem de sofrer as dores que permanentemente padece e às quais se faz jus por merecer.

Conhecer a Lei de Deus então é o objetivo maior de nossa existência, se almejamos a alegria plena e a grandeza ilimitada. Não nos iludamos, o que nos fará grandes e tornar-nos-á sumamente venturosos e plenipotentes será o integral conhecimento da Lei e a inteira obediência a ela. Não há outra destinação para nossas vidas, uma vez que somos filhos do Altíssimo e estamos urdidos em Sua mesma e imaculada substância.

Como todos já se deram conta, os títulos acadêmicos que trazemos do mundo denso, por mais brilhantes nos sejam, e os epítetos de doutores e sábios que os anais humanos nos conferiram, por mais dignos se mostrem, não nos outorgam, em absoluto, a almejada nução que esperávamos na grande realidade do além-túmulo. A dor e as sombras nos igualam a todos, e prosseguem impondo-nos suas impreteríveis lições para que conquistemos a verdadeira sabedoria que a todos compete: o conhecimento da Lei de Deus. Somente assim seremos glorificados pela mais insigne alcunha que o espírito pode alcançar: a de Doutor da Lei. Por isso, interessa àquele que já vislumbrou essa insofismável realidade conhecer a Lei, inteirar-se da Lei e seguir a Lei. Se não a conhecermos, não a obedeceremos por livre adesão, como quer o Senhor. E então nada seremos, nada saberemos, nada poderemos, e não conquistaremos a genuína felicidade e a real grandeza a que o Pai nos destinou.

Como subir na ordem da vida, se ignoramos as leis mais fundamentais da existência? O homem comum caminha sem a verdadeira ciência da orientação. Ele age como um tolo que golpeia os invioláveis artigos da Lei, buscando por impróprios atalhos ou vantagens indevidas. Não digamos depois que a Lei o fere, pois é ele mesmo que, recebendo de volta a reação da Lei em forma de dor, colhe o produto das próprias forças mal direcionadas.

Que diríamos de um pretenso sábio da Terra que decidisse agir contra as leis físicas? Certamente que veria fenecer na ruína todos seus intentos, ou se feriria na primeira oportunidade.

Assim somos nós, irmãos. Ignorantes e cegos diante da Lei, atuamos segundo impróprias intenções de ludibriá-la. Estamos sempre prontos a agir segundo os interesses do ego, desconsiderando o edito da retidão moral e o primado do amor ao semelhante. Evidentemente que nossa colheita na lavoura da vida não nos será conveniente. E assim, a sabedoria da Lei impõe-nos a inexorável ceifa como indispensável lição para que não prossigamos semeando as causas de nossas desditas. A continuar essa trajetória de desatinos, infelizmente, a vivência da dor far-se-á a única maneira de alçar-nos ao equilíbrio almejado, até que aprendamos a viver nos limites da Lei de Deus.

Irmãos, compreendamos que vivemos todos em regime de revolta contra a grande Lei, sem dar-nos conta perfeitamente do fato. A condição de amotinados da Lei ainda nos caracteriza a individualidade. Do contrário não experimentaríamos a dor, a privação, o temor, a fraqueza e a morte que permanecem assediando-nos a felicidade e a paz íntima. Essa é a razão fundamental de nos encontrarmos detidos em um mundo de expiações e provas, envolvidos por sombras, padecendo carências e expostos à maldade alheia. São vicissitudes que a vida nos impõe como nítido reflexo de nossa milenar insistência em viver em dissonância com a Lei de Deus. Fato que transpira de forma instintiva e inconsciente de todos os nossos costumes e hábitos, sentimentos e ações, condicionados como reflexos automáticos na longa experiência da vida inferior em que nos demoramos.

Não nos iludamos, compomos um imenso conjunto de seres que se rebelaram e continuam se rebelando contra a Lei de Deus. Somos os artífices da antilei, a caracterizar a besta apocalíptica, o anticristo, em ação no mundo das formas, fantasiados de matéria e energia, carcomidos pelo tempo, a disseminar desamores e horrores, egoísmos e revoltas, orgulhos e crueldades. Essa é a lamentável realidade em que todos vivemos, onde a grande Lei, por amor, edificada para a felicidade de todos, deixa-se distorcer pela imane revolta do ser.

Nosso pobre universo caído sofre assim as dissonâncias do espírito que se revoltou contra a ordem divina.

Como tons em desarmonias, intentamos todos impor ao sublime cântico divino, a ecoar desde o Infinito nas notas  do amor, o próprio brado de revolta e desamor, sob o destoante tom da paixão egoica que ainda vibra, poderosa, em nosso imo.

No âmbito da antilei que criamos para nós mesmos, sob a ingerência do mal, o princípio da separação  acentuou-se na fragmentação fenomênica, ocasionando a aparente dispersão da unidade. Aqui, a ordem fundamental converteu-se em caos. As partes negam-se a refletir o Todo. O fundamento da individuação persiste formando tipos específicos, segundo complementaridade de funções, porém a adversidade, e não o amor, faz-se o sustento do conjunto, levando todos à degeneração e à morte. Toda hierarquia é subvertida pelos impróprios interesses do ego, dificultando-se a distribuição de recursos e a prosperidade para todos. Grassa a indigência, ante a abundância que impera na Casa paterna. E um brado de desespero sufoca a alma, algemada nas enxovias do tempo e do espaço.

É então na negação dos preceitos do amor que encontraremos nosso maior erro. Desde os primórdios dos evos, vivemos na grave derrogação desse magno fundamento de todas as leis, fazendo de nosso cosmo uma arena de embates, onde jamais se é vitorioso, sendo todos derrotados pelo recíproco ódio. Por isso, irmãos, nosso mundo é o retrato do próprio inferno. Por isso, irmãos, caracterizamos, todos, a imagem dos próprios demônios que o habitam. Por isso, irmãos, o Reino de Deus encontra-se distante de nossa realidade atual. E por isso, enfim, “a felicidade continua não sendo deste mundo”, para decepção daqueles que esperavam encontrá-la após deixar os cenáculos da carne.

Não nos desesperemos, no entanto. Evidentemente que a Lei não nos abandonou jamais. Incansavelmente ela trabalha a nosso favor, para nos resgatar das plagas avernais que criamos para nós mesmos, recompondo-nos a grandeza perdida.

Somos rebentos da Lei. A Lei nos ama e nos quer perfeitos. Ela trabalha incansavelmente para nos restituir o amor, a beleza, a harmonia e a plenitude de todos os poderes de que somos naturais herdeiros.

Pacientemente, sob o império do tempo, ela está nos conduzindo de volta à impreterível perfeição.

 

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