A Previsão da Queda

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A queda não se verificou ao acaso, por si mesma.

A Lei, ou seja, o pensamento de Deus, previra-lhe a possibilidade; prova-o o fato de haver determinado o seu decurso e suas consequências, mesmo antes da sua ocorrência.

Por isso, o fenômeno da queda assume cada vez mais características de um incidente, necessariamente deixado à liberdade da criatura, porque essa liberdade devia também necessariamente existir, a fim de satisfazer a outras necessidades do plano. Tudo, portanto, estava sujeito a normas precisas, previsto e correspondente às exigências impostas pela lógica desse plano.

Pode então, dizer-se que a desordem da queda ocorreu ordenadamente, ou seja, sempre contida dentro dos limites estabelecidos pela Lei, que permaneceu sempre senhora do fenômeno. Este jamais se lhe escapou das mãos, tendo sempre permanecido submisso sob o seu controle. Os que veem na queda uma imperfeição inadmissível na perfeição do Sistema, não compreenderam tratar-se de uma imperfeição contida no âmbito da perfeição, regulada e dominada por esta. E isto é lógico. Não é admissível que, após o plano perfeito, pensado por Deus, algo lhe pudesse escapar ao domínio e controle.

Portanto, também a revolta e a queda não podiam sair do âmbito da Lei, que representa a presença de Deus no Sistema e o princípio regulador de todo o existente, em qualquer momento e sob qualquer forma. Era necessidade fundamental e lógica, que a Lei tudo abarcasse e fosse impossível escapar-lhe algo, pois isto constituiria uma perda de poder e de controle do Criador sobre a obra criada, representando Sua derrota e falência.

Deus estava no todo e com todas as possibilidades. Tudo está em Deus, e a própria revolta não podia estar senão em Deus, porque nada pode existir além e fora Dele. Portanto, esta também devia estar contida em Seu pensamento fazendo parte de Seus planos, que não podiam deixar de ter organizado tudo com antecipação. Por  isso, devemos reconhecer que até a queda devia desenrolar-se segundo uma lei, como de fato a vemos, representando dessa forma uma desordem ordenada e uma imperfeição perfeita; uma imperfeição tão bem regulada, que nos dá uma das maiores provas de perfeição de Deus.

Procuremos alcançar e expor a terceira representação mental do fenômeno da queda, acrescentando maior esclarecimento à pergunta formulada sobre como constituiu e ocorreu a queda. Segundo esta nova imagem do fenômeno, a queda consistiu na contração individual de cada elemento, para dimensões evolutivamente inferiores. Cada um teve a sua queda particular conforme a sua culpa. O período involutivo ter-se-ia iniciado com a revolta de cada um dos elementos rebeldes, com uma transformação interior, permanecendo todos no Sistema, no mesmo ambiente do Tudo-Uno-Deus.

Com a revolta individual, o ser ficou à mercê do processo involutivo que o teria transformado, passando a  constituir com todos os rebeldes no fim desse processo de transformação, o Anti-Sistema.

Então, a expressão da imagem precedente, que dizia: os mais altos caíram, proporcionalmente, mais embaixo; ou os mais centrais no Sistema foram arremessados mais longe no Anti-Sistema; pode, agora, ser traduzida dessa maneira: os maiores tornaram-se presos de um processo íntimo de transformação, que os levou a um estado de mais profunda contração de dimensões.

O processo de expulsão do Sistema teria sido constituído, então, não de afastamentos espaciais, mas qualitativos; ou seja, teria consistido num regresso involutivo, mais tarde corrigido por um progresso evolutivo, de endireitamento daquele processo. Além disso, essa transformação teria ocorrido ao longo da linha dada pelo tipo, segundo o qual, cada ser foi criado, ou seja, ter-se-ia verificado para cada indivíduo, nos termos específicos próprios, segundo sua natureza, seguindo um canal involutivo-evolutivo próprio de cada um, descendo involutivamente até o ponto situado no Anti-Sistema, nas antípodas da posição antes ocupada no Sistema, para, em seguida, subir em sentido oposto pelo canal, até o ponto de partida. Assim, o ciclo involutivo-evolutivo da queda é constituído por um movimento destrutivo-reconstrutivo, dado por um íntimo transformismo, que muda a constituição do ser, primeiro ao longo de uma fase de aprofundamento involutivo, e depois numa segunda fase de emersão evolutiva.

Desse modo, tudo permanecendo no Sistema, a parte rebelde teria caído no próprio desfazimento interior, sem perturbar, com a própria alteração patológica, a parte sã do Sistema; esta continuou a viver inalterada na ordem em perfeita saúde. Isto nos faz pensar que a Lei tivesse ao seu dispor freios automáticos à dilatação epidêmica da desordem. O freio automático foi a impossibilidade de cair na escala involutiva além do ponto determinado pelo impulso que era proporcionado à altura ocupada pelo ser no Sistema. Aconteceu exatamente segundo o modelo repetido em nosso organismo, quando aparece um estado patológico, no qual a natureza procura imediatamente isolar e circunscrever o mal, a fim de impedir a sua difusão e melhor combatê-lo.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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