A perfeição na imperfeição.

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A queda tratar-se de uma contração, regresso involutivo, transformismo íntimo, desfazimento interior, tentando, com estas diversas expressões dar uma representação ao fenômeno.

Dissemos, há pouco, que a realização da queda não foi abandonada ao acaso, mas tendo ocorrido segundo uma Lei, pela qual, cada movimento, mesmo deixado à liberdade do ser como possibilidade de ocorrer ou não, tinha sido previsto e enquadrado numa disciplina, unicamente segundo a qual podia desenvolver-se. Então, como se realizou exatamente o fenômeno, que simplesmente exprimimos com as palavras: contração, transformação, desfazimento? Qual a realidade escondida atrás dos seus significados?

A evolução da-nos um sentido de expansão, de superação de limites, de emersão do baixo para o alto, de libertação da prisão. O fenômeno da involução apresenta-se-nos com características opostas. Aparece-nos como um processo de contração, e a evolução, ao contrário, como de expansão, levando-nos a pensar que na estrutura do espírito, no estado puro em que fora criado, quando tudo tinha sido previsto, deviam existir as posições, através das quais se teriam podido operar as transformações, que constituem o processo involutivo e evolutivo.

Em outros termos, na estrutura dos espíritos criados devia existir, no estado latente ou embrional como de sementes, as posições que depois apareceram no período evolutivo, ou seja, de energia e matéria. Sem esta preexistência, não se sabe donde possa haver derivado esse modelo, mais tarde seguido, na queda e na subida; preexistência, no entanto, puramente potencial, como possibilidade pronta a realizar-se, logo que uma revolta tivesse acontecido, através de um primeiro impulso, tal como ocorre, com a centelha, que acende uma dinamite já pronta, mas pode permanecer indefinidamente inerte, se a centelha não ocorre.

Deduzimos, então, que a Lei, ao prever a possibilidade de uma revolta tinha também previsto com antecedência o seu caminho, caso esta viesse a se verificar, colocando os germes do seu desenvolvimento. Havia-lhe traçado todo o percurso. Nada podia escapar à Lei, cuja ordem, sempre soberana, devia controlar essa desordem, produzindo os seus devidos efeitos, para ensinar e salvar, com equilíbrio e justiça, e não para destruir, reconduzindo tudo a Deus, após seu desmoronamento no caos. Sem essa previsão, não se explica como os fenômenos da involução e da evolução tenham resultado, tão proporcionados, equilibrados e orientados em seu desenvolvimento; regulados conforme uma exata e recíproca compensação de opostos.

O desmoronamento ocorreu e a recuperação é feita precisamente de acordo com uma Lei, da mesma forma como ocorre, segundo uma lei, num organismo vivo a doença e a cura. A Lei de Deus não podia ausentar-se, desaparecer, permanecer estranha, num fenômeno de tal importância, sem tomar-lhe conta. Não podia, também ter sido deixado, pela vontade de Deus, à vontade de alguns elementos rebeldes, tanto poder de forma a conseguir modificar a Lei. Esta não podia abdicar de suas funções diretoras, nem deixar de permanecer viva, presente e ativa, mesmo na queda.

Por isso a faz chegar até o ponto devido, e não além, com equilíbrio e justiça, e a faz voltar atrás, enfeixada em normas, através de vários planos de existência, orientada segundo um telefinalismo preciso, como de fato vemos existir.

Só assim podemos explicar a razão de nosso universo ter tomado a forma atual, o seu significado e donde se derivou o seu modelo.

Só assim podemos compreender como tenha sido possível tanta e tal perfeição, na imperfeição.

 

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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