A introversão do Espírito

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Seria o modelo estrutural do espírito, que permitiria, no caso de revolta, à involução, antes, e depois à evolução, pudesse assumir a forma única, como de fato assumiu?

Já dissemos que os espíritos possuíam não uma perfeição absoluta, como a de Deus, mas subordinada e relativa à sua posição, nos vários círculos e suas funções no organismo do Sistema. Caíram, então, na imperfeição e, portanto, na possibilidade de errar e desmoronar, logo que saíram do âmbito daquela posição e função, nas quais constituía a sua perfeição.

Ora, a queda, conforme esta terceira imagem adotada, foi constituída por um processo de introversão, que chamamos contração, significando que o centro vital dos espíritos rebeldes se deslocou para o interior de si mesmos. Com outras palavras, passaram a existir como vibração vital em outros planos de existência cujo despertar interior, lhes fora uma possibilidade prevista pela Lei, em caso de rebelião. Deflagrada a centelha, realizou-se a possibilidade e a existência dos rebeldes se deslocar a planos inferiores de existência. Esse foi o resultado e o significado do deslocamento do “eu” para o interior, causas e efeitos do fenômeno de contração.

Justamente, como reação lógica de ricochete, que corrigiria o exagerado impulso expansionista da criatura, do querer ultrapassar os limites assinalados. Contração proporcional ao impulso da revolta de cada criatura, de acordo com sua posição e potência, para planos inferiores de vida, interiores a eles, para os quais, por lei de equilíbrio, foram arremessados os seres que tinham querido expandir-se demais para planos superiores de vida, exteriores a eles, situados além dos limites estabelecidos pela Lei.

Porque esse deslocamento para o interior produziu a involução?

A imagem mental, agora formulada representando o fenômeno, consiste em pensar que o desmoronamento tenha consistido numa contração individual de cada elemento, nas medidas estudadas por meio da segunda imagem, ou seja, proporcionalmente ao impulso determinado pela posição ocupada pelo ser no Sistema, conforme o seu círculo e poder. Enquanto na segunda imagem isto era visto em posição invertida, passando do Sistema ao Anti-Sistema, por esta terceira imagem esse emborcamento não se dá mediante projeção para fora do Sistema, mas retrocedendo para o interior de cada um, por contração.

Essas posições do ser e modos de existir da substância, não puderam nascer por acaso. Nada podia aparecer que não tivesse antes pensado por Deus, ao formular o seu primeiro plano, no primeiro aspecto da Trindade. E essas posições do ser, em que lugar do Sistema podiam estar situadas, senão nos elementos que constituíam todo o Sistema?

É lógico imaginar, então, que essas qualidades residiam no seu interior, prontas a desenvolver-se apenas no caso de alguma desordem viesse perturbar o equilíbrio, movimentando os impulsos da desordem. Assim, nos espíritos que permaneceram disciplinados na Lei, não o provocando, nenhum impulso foi determinado, que excitasse esse deslocamento. O micróbio da doença, não achando ambiente propício, não podia desenvolver-se. O impulso de inversão, dado pela revolta, o querer erigir-se na posição de Anti-Sistema dentro do Sistema, removeu os diques da ordem que mantinham presa a desordem, e dessa forma se romperam, provocando a queda.

Tudo estava pronto. Foi como se Deus houvesse dado, nas mãos do ser, um revólver carregado, dizendo-lhe: não apertes o gatilho, porque explode. Certamente nem Deus falava nem os espíritos ouviam, como acabamos de imaginar, porque isto ocorre em nosso mundo. Mas o conceito estava contido no pensamento de Deus, vibrando sempre presente na Lei e eram percebidos pelos espíritos, imersos nessa atmosfera de pensamento. Continuando com a imagem do revólver, para os espíritos obedientes que não tocaram no gatilho, não houve detonação e a arma carregada não produziu dano algum. Mas explodiu para os espíritos que a quiseram manejar, pensando com isso, aumentar o seu poder, ultrapassando o limite da obediência. Assim, se produziu aquela contração que chamamos involução.

De acordo com essa terceira representação do fenômeno, essas posições, que revelam outras possibilidades de existência, situadas potencialmente no interior dos seres, eram as de energia e matéria. Nesta imagem, a revolta teria projetado o centro vital do ser de sua posição de espírito, para a posição de energia, e por fim para a matéria. Quanto mais poderoso o espírito e elevada sua posição no Sistema, mais potente o impulso da revolta gerado por ele, e tanto maior teria sido o efeito desta, como contração, ou seja, mais profundamente teria sido projetado o espírito no estado de matéria; mais densa teria sido a casca de matéria em que teria ficado preso. Acreditamos ter conseguido traduzir, nos termos desta terceira representação mental do fenômeno da queda, o conceito utilizado na segunda imagem desse fenômeno, na qual o ser foi projetado em posição invertida, fora do Sistema, no Anti-Sistema.

Dissemos “aprisionado em uma casca”, porque o emborcamento colocou o ser numa posição invertida, como é de fato a sua atual, no Anti-Sistema. Por esta inversão, não só tudo o que era positivo no Sistema devia transmutar-se em negativo no Anti-Sistema, como também o que era interior devia tornar-se exterior, e vice-versa. Assim, se explicaria por que e como, no homem, o espírito é íntimo no corpo, como o princípio espiritual é íntimo na forma e rege em todas as coisas. Isto faz pensar que, no espírito, existiria a possibilidade de um estado feito de matéria, como forma íntima no estado potencial, e que o existir na forma de espírito se tenha emborcado na posição inversa, não mais em poder mas em realização, posição material, que constitui a forma de existência de nosso atual universo.

O ser teria passado do estado no qual o espírito aprisionava e dominava como dono da matéria, nele jazendo fechada e adormecida em estado latente, como de não-existência, ao estado em que a matéria aprisionou e dominou, como dona, o espírito, nela permanecendo fechado e adormecido em estado latente, mais ou menos reduzido à inconsciência.

Explica-se assim o estado atual, em que a matéria, outrora aprisionada e dominada, veio a aprisionar e dominar. Exprimindo-nos em termos espaciais, se a imagem não fosse por demais concreta, poder-se-ia dizer que o de dentro passou para fora, vindo a constituir (involução) a casa da forma física; e que o de fora passou para dentro, pelo que o espírito permaneceu aprisionado naquela forma de matéria.

Pode compreender-se, então, porque a evolução consiste no processo contrário, pelo qual o espírito adormecido deve despertar, o prisioneiro da matéria deve libertar-se da forma, e o espírito por ela dominado deve voltar a dominar. Se, com a queda, passou a ficar fechado dentro da matéria, agora, no regresso, deve sair de dentro para fora, na plenitude de sua vida.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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