3ª Visão da Queda

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Se o Sistema é o Todo, não se pode imaginar uma superfície que o delimite. Não pode constituir uma propriedade do infinito, estar fechado dentro de fronteiras, que lhe permitam ter uma parte interna e outra externa. Então, não é possível imaginar a queda como uma projeção dos elementos rebeldes fora do Sistema, para formar outra zona externa a ele, o Anti-Sistema. De acordo com esta representação do fenômeno da queda, os espíritos rebeldes não foram lançados fora, mas permaneceram no Sistema.

Então em que consistiu e como ocorreu a queda?

Procuremos compreender imaginando o fenômeno da queda da seguinte forma: com a criação dos espíritos, formaram-se, na substância homogênea, muitos núcleos de pensamentos, constituídos por vibrações, cada uma de seu tipo. Disso nasceu o novo estado diferenciado, formado pelas individuações dos vários “eu”. Ora, muitos pensaram conforme a Lei, assim permanecendo em seu seio, porque constituídos de pura vibração de pensamento. A Lei representava o pensamento de Deus que tudo dirigia e regia; permaneceram na ordem do Sistema os espíritos que continuaram a existir em uníssono com esse pensamento. Mas outros espíritos, ao contrário, pensaram contra a Lei. E porque constituídos de pensamento, acharam-se fora Dela. Desse modo, caíram fora da ordem, na desordem, os espíritos que não quiseram viver sintonizados harmonicamente com o pensamento de Deus, representado pela Lei. Isolaram-se, por isso, num funcionamento próprio antagônico ao do todo.

Esta é uma nova forma de representação do fenômeno da queda que, agora, em termos de imaginação espacial, dir-se-ia: os espíritos foram expulsos. Mas esta é relativa à nossa forma mental e vale apenas para o seu uso. Na realidade, não havia espaço, e, portanto, não podia haver afastamentos espaciais, nem haver saída do Todo. Por isto, os espíritos rebeldes permaneceram no Todo, como estavam antes. Não obstante, surgiria uma diferença, que até agora foi expressa com a ideia de afastamento espacial, isto é, os espíritos que permaneceram obedientes, continuaram a existir na Lei, porque estavam de acordo com Ela, enquanto os desobedientes, tendo-se colocado contra a Lei, de acordo com a sua própria vontade, se acharam fora Dela.

É esse o sentido de afastamento. Os espíritos rebeldes não foram expulsos e isolados por um afastamento parcial, mas por seu comportamento.

Se quisermos dar, uma representação concreta do fenômeno, podemos imaginar o Sistema constituído de muitas bolas brancas, tendo algumas, no momento da revolta, se transformado em bolas pretas, as quais, mesmo ficando ao lado das bolas brancas, passaram a constituir o Anti-Sistema. As posições permaneceram sem nenhuma mudança. Mudou apenas a qualidade dos elementos constituintes, porque a revolta produziu uma transformação íntima em sua natureza.

O Anti-Sistema permaneceu no Sistema, diferenciando-se por ser constituído por elementos de natureza diferente, bem longe, substancialmente, e impossibilitados de se misturarem. Então, mesmo permanecendo tudo no Sistema, as bolas brancas constituíram a parte sã do organismo; e as bolas pretas constituíram a parte doente, chamada Anti-Sistema.

Ao invés de bolas brancas e pretas, poder-se-ia chamar esferas rolantes em sentido positivo, e esferas rolantes em sentido inverso, isto é, em sentido negativo. Ou também chamá-las esferas com carga eletro-positiva, que se fundiram num circuito, constituindo o Sistema, e esferas com carga eletro-negativa, que se fundiram num circuito oposto, passando a ser o Anti-Sistema. Pode-se ainda dizer que as células sãs do organismo do Todo, permaneceram funcionando coordenadamente para a saúde deste, enquanto as outras células adoeceram, permanecendo no organismo do Todo, mas funcionando desordenadamente.

Enquanto expomos estas novas formas de representação do fenômeno, observemos de quantas maneiras diferentes pode se expresso, mesmo tendo em conta que nenhuma é suficiente para exprimi-lo por completo. Todavia, se tantas podem ser as nossas observações no relativo, com as quais procuramos ver representado o fenômeno, este, na realidade, teve e tem caracteres e comportamento bem definidos, que uma observação mais atenta vai sempre representando melhor.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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