Visão Espacial da Queda

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Estamo-nos esforçando para traduzir nos termos da forma mental corrente e relativa, fechada num limite que estabelece as dimensões do concebível, conceitos próprios de dimensões superiores. Com esses meios, devemos exprimir o inexprimível e tornar concebível o inconcebível. O desenvolvimento da palavra pode melhor dar-nos a expressão de uma imagem em movimento, ao mesmo tempo que aparece já se está desenvolvendo numa imagem sucessiva.

O movimento é o único modo pelo qual o relativo pode aproximar-se do absoluto, perseguindo-lhe a imobilidade. A verdade, em nosso universo, para os decaídos, só pode ser relativa e progressiva. Por isso só podemos oferecer uma imagem relativa e progressiva da visão; não uma representação estática, mas o desenvolvimento de uma representação, que gradualmente se vai desenvolvendo e aperfeiçoando.

Pudemos estabelecer assim o valor a ser dado a estas representações do fenômeno da queda, acrescentando, por fim, que mesmo na forma verbal progressiva, usada aqui, são apenas uma projeção plana da realidade contida na visão, só podendo resultar diminuída, ao projetar-se em nossa dimensão conceitual.

A nossa mente é filha do próprio ambiente e não sabe funcionar além dos limites deste.

Voltemos ao princípio, retomando, para desenvolver o conceito de criação necessária para se poder compreender a forma como saíram do Sistema os elementos rebeldes, ou seja, a sua expulsão ou projeção para fora da periferia deste, a fim de constituir o Anti-Sistema.

Já dissemos que a primeira criação consistiu numa transformação da esfera Tudo-Uno-Deus, constituinte da Trindade em Seu terceiro momento, no qual a substância divina que a constituía passou do estado homogêneo a um estado diferenciado, orgânico, hierárquico.

Observando o fenômeno com maior exatidão, podemos pensar ter essa criação ocorrido não toda concomitantemente, no mesmo instante, mas sim em fases progressivas, e portanto por graus e em planos sucessivos, segundo os quais se teria propagado na esfera do Sistema, o impulso proveniente do centro, Deus.

A ideia de esfera é de natureza espacial, e para simplificar essa representação, exprimamos a esfera em sua representação plana, ou seja, como um círculo. Eis então, como mais exatamente teria ocorrido a criação:

Do centro, Deus, teria partido o primeiro impulso criativo, atingindo o primeiro nível ou círculo de seres, ou seja, o primeiro plano da vida. Depois, Deus teria feito chegar esse Seu impulso, através dos seres do primeiro círculo a um segundo. Em seguida, através dos seres do primeiro e do segundo, a um terceiro e assim sucessivamente.

Dessa forma, o impulso criador de Deus teria sido transmitido através de toda a esfera do Tudo-Uno-Deus, até transformá-la toda, de seu estado homogêneo, num estado diferenciado, nisto constituindo o fato da criação. Mais exatamente, teria sido a propagação desse divino impulso criador que teria produzido a transformação da  substância do todo, a qual se achava no estado homogêneo, num novo estado diferenciado, constituído por individuações separadas, isto é, as criaturas, hierarquicamente organizadas por círculos em um Sistema.

Teria sido esta a técnica da criação, que agora nos aparece, após um exame mais atento do fenômeno. O que teria nascido do nada, de um estado antes não existente, não podia ser a eterna e incriada substância de Deus, mas apenas a sua forma nova e atual, que assim se individualizara agora em criaturas, hierarquicamente organizadas em centros concêntricos em torno de Deus.

Esta representação do fenômeno permite-nos ver imediatamente, com maior relevo, uma característica importante. No próprio ato da criação, as criaturas, logo após o nascimento, teriam sido chamadas a colaborar com Deus, a funcionar ativamente como Seus instrumentos no Sistema, como veículos de atuação de Sua lei.

Tudo isso confirma ser o amor o princípio dominante em Deus e no Sistema; representando, desde o primeiro momento, o vínculo genético da filiação, pelo qual cada elemento derivou do outro por descida do impulso divino criador, de círculo em círculo. Amor não apenas entre as individuações do Sistema, mas entre Deus e todas elas, não só parentes entre si, mas todas filhas do mesmo Pai, unidas pela consanguinidade representada pelo ser constituído da própria substância de Deus.

É o Amor que constitui a potência fundamental de coesão que cimenta todo o edifício do Sistema e lhe mantém compacta a unidade orgânica hierárquica. Mantém-na porque o impulso criador do amor, emanado de Deus, não só penetrou e transformou toda a esfera, mas continua a irradiá-la sempre de vida, como o sangue que circula em nossas veias.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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