Posição do Ser na Queda

sistema2

Podemos pensar num novo modo de conceber a evolução, começado para cada ser de pontos diferentes ao longo desse caminho. Esses pontos teriam sido determinados pelo ponto de queda de cada ser no Anti-Sistema, situado no círculo correspondente ao do Sistema, em que o ser fora criado e do qual, pela revolta, partiu o impulso para o Anti-Sistema.

Justamente por tratar-se de uma exata inversão de posições, a criatura veio a achar-se, com a queda, no círculo do Anti-Sistema oposto, em relação ao do Sistema. Temos, então, uma série de posições distintas, das quais precisamente podia começar o caminho evolutivo do regresso: posições não causais ou arbitrárias, mas preestabelecidas para cada ser no momento da criação.

Ao indivíduo era deixada a liberdade de desobedecer ou não, mas não a liberdade de cair ao acaso ou onde quisesse; por isso havia sido estabelecida precedentemente a amplitude da queda, se, por acaso, houvesse escolhido o caminho da desobediência.

Podemos admitir, tenha o ser começado o caminho evolutivo, do ponto em que a inversão o havia projetado, correspondente ao ocupado no Sistema e estabelecido por Deus, para cada um, na Sua criação.

Então conforme esta teoria, a posição, na qual o ser decaído se encontra, pode ser consequência de dois fatos:

1º) ou o ser caiu até o fundo do Anti-Sistema (matéria) e subiu evoluindo até o ponto em que agora se encontra,

2º) ou o ser não caiu até ao fundo do Anti-Sistema, mas até determinado plano, de onde evoluiu e presentemente se encontra.

O fato de, em ambos os casos, ser o mesmo o resultado exterior, o de encontrar-se situado num dado plano de evolução, só por si não nos permite descobrir as causas que o determinaram; por isso, sua posição não é suficiente para nos fornecer as provas da verdade desta teoria.

Permanece porém o fato de ser a única que pode conciliar as duas maiores afirmações existentes a este respeito, a da ciência e a da revelação, hoje inconciliáveis, ou seja, a do evolucionismo darwiniano e da Bíblia.

Trata-se de duas importantes afirmações com grandes bases: a ciência positiva no evolucionismo darwiniano e a revelação na Bíblia. É difícil condenar qualquer das duas, declarando-a errada. Assim, ambas estariam certas. Já existem teorias evolucionistas que admitem derivarem as várias formas de vida, de pontos de partida diferentes, de estípites separados.

A própria teoria das unidades coletivas não é derrogada admitindo-se ter sido a queda como relativa, pois o ser caindo até o fundo, não chegou à sua completa pulverização no separatismo do Anti-Sistema e portanto não foi destruído completamente o seu estado orgânico. O ponto onde caiu passou a ser o seu ponto de partida que assim, possuindo já um certo grau de organicidade, não precisou tê-la reconstruído (teoria das unidades coletivas) pelo processo da evolução.

Esta teoria, como se vê, abre as mais interessantes perspectivas, de uma amplitude tal que seriam necessários outros volumes mais para estudá-las e desenvolver novos pormenores.

De tudo isso se deduz que a evolução pode não ter partido para todos, do plano da matéria, mas também de planos mais altos, como por exemplo do vegetal, do animal, do homem, e planos ainda superiores, a que todos deverão chegar um dia. A meta final é a mesma para todos: o Sistema.

Na fase de regresso verifica-se o mesmo fenômeno que se realizou na fase de descida ou queda. Voltar ao Sistema significa reentrar num organismo de partes diferenciadas; significa, portanto, retomar o lugar ocupado de cada ser no próprio círculo do Sistema, segundo o exato tipo precedente criado por Deus. Atende às exigências da lógica, do equilíbrio e da justiça ser dessa forma, porque a inversão da queda e o endireitamento no sentido da subida devem corresponder aos dois fenômenos.

Em todo esse processo de desmoronamento aqui estudado, devemos sempre admitir, necessariamente, que o alfa e o ômega coincidem, sobrepondo-se. O ponto de chegada da evolução só pode ser o mesmo ocupado pelo ser quando da partida para a involução e não um ponto estratégico qualquer. Também o ponto de chegada de involução, em que a criatura foi arremessada com a queda, só pode ser, como posição, proporção e qualidade, o inverso do ponto de partida ocupado no Sistema.

Dessa forma pudemos chegar a esta exata apreciação do fenômeno involutivo-e-evolutivo da queda, e dizer que mesmo sendo a evolução, como princípio geral, um regresso universal de todos ao Sistema, a amplitude e o tipo de estrada é diferente para cada ser, ou seja, cada um se desenvolve ao longo de um canal próprio.

A criatura deve voltar ao grau de perfeição e conhecimento que possuía antes da revolta, como fora criada, porque só assim podiam ser anulados os efeitos da revolta. O regresso a Deus, portanto, é entendido não como um regresso a Ele como centro, ou seja, à perfeição e onisciência absolutas, mas como uma volta a Deus como Sistema, isto é, ao ponto correspondente de cada ser no organismo desse Sistema.

Portanto, no processo involutivo-evolutivo o ser só conserva o seu tipo de individuação, ainda que esta se corrompa primeiro para curar-se depois, sempre segundo o próprio tipo, mas também cada ser percorre apenas a diferente distância de ida e volta que lhe compete, segundo o seu ponto de partida no Sistema e chegada no Anti-Sistema, determinados pela sua natureza e posição de origem.

Disso se pode depreender com quanta perfeição foi concebida e executada a obra criadora de Deus, se tudo, inclusive a técnica, as medidas e as proporções no processo de endireitamento em caso de queda, tinham sido previstas. Embora com o maior respeito à liberdade da criatura, cada movimento seu já estava implicitamente contido numa possibilidade bem definida em potencial, em que a Lei o havia enquadrado, tendo sido previsto e disciplinado precedentemente, mesmo antes que a criatura tivesse pretendido se revoltar.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s