O processo de filiação e queda

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O método usado por Deus no trabalho de salvamento do Anti-Sistema, para levá-lo ao Sistema é feito através das Suas criaturas ou espíritos que permaneceram no estado puro, chamados desta vez a colaborar como veículos de salvação.

Com efeito, em nosso mundo, jamais vemos Deus agir aparecendo diretamente, mas sempre indiretamente, através de Seus instrumentos, encarregados de cumprir missões, como no caso máximo de Cristo, espírito não decaído, a quem foi confiada por Deus a tarefa de redenção de nossa humanidade.

Em casos menores, Deus pode utilizar-se de espíritos decaídos, mais evoluídos que os outros e capazes, por sua posição mais adiantada, de realizar um trabalho de auxílio e salvação em favor de seus irmãos, menos capazes porque mais atrasados. Em tudo o que provém do centro do Sistema, prevalece sempre o método do amor, da colaboração fraterna, da hierarquia e da unidade orgânica.

A transformação criadora, à qual se desvia a gênese do Sistema, foi obtida, pois, com esse método da filiação, o que estabeleceu entre todos os seres um vínculo de parentesco ainda mais estreito do que o representado pelo fato de terem sido constituídos da mesma substância.

Eis a estrutura orgânica do Sistema e pode compreender-se quanto essa qualidade é fundamental e profundamente enraizada, devida ao fato de a criação ter ocorrido através de um processo de filiação, na qual os seres tomaram parte. Esse método de filiação recíproca constituiu o primeiro modelo, mais tarde transmitido ao nosso mundo, no desenvolvimento reconstrutivo, operado pela evolução, ou seja, na continuação da vida de pai para filho, na multiplicação genética das sementes, no crescimento mediante ramificações de um único tronco. Continua também no Anti-Sistema, e constitui o modelo de unidade e organicidade, entre nós expressa pelas primeiras tentativas de reconstrução orgânica unitária do Sistema, que são a família, a nação, a humanidade.

Essa filiação funcionou, no momento da criação, como um fio unindo para sempre todas as criaturas ao Pai comum, Deus, a Quem, por isso, coube o direito de mando, enquanto a estas coube o dever da obediência, todos unidos pelo amor na mesma família, representada pelo Sistema.

Nessa organicidade, cada elemento permaneceu ligado ao outro.

Podemos compreender agora, com maior exatidão, como ocorreu com a queda, a emigração dos elementos rebeldes do Sistema, sua expulsão ou projeção para fora da periferia deste, para constituir o Anti-Sistema.

O fenômeno da queda pode ser representado pelo mesmo modelo como ocorreu a criação, ou seja, pela mesma propagação gradual de impulsos, mas em posição invertida, porque ao invés de ser gerado e ter partido do centro, Deus, o movimento foi gerado e partiu da criatura periférica. Assim, também a queda teria sido progressiva, por sucessão de filiações, resultantes não de Deus e depois dos elementos puros do Sistema, mas dos espíritos rebeldes.

A propagação desse impulso invertido, ao invés de gerar, como na criação, círculos de ordem, no seio do Sistema, gerou por filiação invertida os círculos da desordem, no seio do Anti-Sistema. Teria assim nascido a estrutura do Anti-Sistema, invertida em relação ao Sistema, ou seja, construído em círculos e níveis ou planos de existência concêntricos, segundo os quais se teriam escalonados os seres.

A emigração dos elementos rebeldes do Sistema, ou projeção para fora da sua periferia, não ocorreu ao acaso, mas foi regulada por uma lei, segundo a qual tudo estava previsto. Essa estrutura do Anti-Sistema, construída em círculos, situados em posição inversa à que ocupavam no Sistema, derivou do fato de, na emigração dos elementos rebeldes, a sua projeção para fora ocorreu em proporção ao impulso recebido, determinado na revolta, pelo poder de cada elemento e estabelecido pela sua posição em seu círculo, e deste no Sistema.

Deste modo, o Anti-Sistema ficou constituído de círculos invertidos em relação aos do Sistema, correspondendo cada um, no Anti-Sistema, ao círculo perfeito original do Sistema. Da posição ocupada nos círculos do Sistema, cada elemento foi projetado na posição oposta, representada pelo círculo correspondente invertido no Anti-Sistema. Aconteceu então, que, os primeiros se tornaram os últimos, e os mais próximos a Deus foram precipitados mais longe; o anjo mais belo, Lúcifer, se tornou o mais horroroso, Satanás, projetado no abismo mais profundo do Anti-Sistema. Atrás dele, deixaram-se arrastar num cortejo os elementos situados mais em baixo na pirâmide, ou seja, nos círculos mais afastados e periféricos.

Permaneceu desse modo, no Anti-Sistema, o modelo do Sistema, mas em posição invertida; permaneceu o princípio da organicidade, mas emborcado, isto é, a organicidade do mal, de tipo destrutivo, em lugar da organicidade do bem, de tipo criador.

Com efeito, o nosso universo é constituído, verdadeiramente, de planos de existência, nos quais os seres decaídos estão escalonados por graus de evolução, mais ou menos próximos da perfeição do Sistema. Explica-se assim, essa estrutura de nosso universo físico-espiritual, construído em planos superpostos, cuja natureza tende a afastar-se do Sistema, em direção centrífuga no período involutivo, e a reaproximar-se do Sistema, em direção centrípeta e para Deus, no período evolutivo.

Achamo-nos, assim, diante de um conceito mais exato sobre a queda, ou seja, não mais uma queda única, igual para todos os rebeldes, mas uma queda de amplitude proporcional à posição do elemento no Sistema, e portanto à sua potência e ao impulso da sua projeção.

A potencialização desse impulso, dada pelo círculo em que estava situado o elemento, determinou a força do arremesso de expulsão do Sistema, de modo que o ponto de chegada no círculo do Anti-Sistema resultou proporcionalmente corresponde ao ponto de partida no círculo do Sistema.

Com esse método, foi construído o Anti-Sistema, que por isso resultou um organismo no qual tudo se achou situado em posição inversa à que se achava no Sistema. Então, os elementos situados nos círculos mais afastados do centro, inverteram-se no Anti-Sistema nos mais centrais, e vice-versa; os situados no círculo do Sistema mais próximos de Deus, justamente por sua maior potência, foram lançados nos círculos mais periféricos do Anti-Sistema e afastados de Deus.

O conceito com que estamos procurando dar maior exatidão ao fenômeno da queda, mostra-nos, ter sido ela proporcional, isto é, constituída por um afastamento exato em função do conhecimento, potência e valor ou peso específico de cada elemento, qualidades que estabeleceram a natureza e a potência do impulso de projeção para fora do Sistema.

Portanto, a queda foi proporcional à responsabilidade da revolta, à culpabilidade de cada um, pela qual foi projetado mais longe no Anti-Sistema e mais profundamente na involução, quem estava mais altamente situado no Sistema e mais perto de Deus.

Os elementos menores, caindo de altura menor, ao serem projetados por seu impulso de seres menos potentes, aprofundaram-se menos na involução, permanecendo nos círculos mais altos do Anti-Sistema. Chega-se, assim, a um efeito proporcional à causa, a uma reação proporcionada à ação, a uma queda proporcional à revolta. Então, para os maiores, sendo maior a queda, maior é o esforço da subida, porque mais longo o caminho de regresso.

Deduz-se daí, um fato importante: nem todos os seres teriam decaído até o estado de matéria, mas podem tê-lo feito até círculos ou planos de existência mais altos, menos involuídos. Enquanto esses seres não conhecem os planos inferiores, o plano em que naturalmente se acharam na queda, deve ser atingido pelos elementos caídos mais embaixo, através do esforço da própria evolução.

Desse modo, o trajeto evolutivo que cada ser tem de percorrer para reentrar no Sistema não é igual para todos, mas proporcional para cada um, à profundidade alcançada com a própria queda. Portanto, existe uma correspondência perfeita de justiça nas gradações de posição de origem, culpabilidade, involução alcançada e trabalho evolutivo a realizar, para voltar à salvação.

O mais onerado e o último a chegar no regresso, por causa do caminho mais longo a percorrer, será, portanto, Satanás, como é justo. Na inversão, os primeiros se tornaram os últimos. Mas, estes também deverão chegar e serão salvos.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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