ESQUEMA GRÁFICO: INVOLUÇÃO-EVOLUÇÃO (7)

Grafico Inv-Evol

Observando a figura vemos que no ponto Y, se a negatividade se expandiu, a positividade ficou comprimida naquele ponto, acima do qual gravita o triângulo, convergindo para ele todas as suas forças. É lógico que, neste ponto Y, que é o de mínimo poder na negatividade (porque se encontra na sua maior expansão que a enfraquece), e do máximo da positividade (porque se encontra na sua maior concentração que a fortalece, dado que o ser nada pode criar ou destruir), esta prevaleça sobre aquela, e exatamente este seja o ponto onde se inicia o caminho da volta.

Começa assim o regresso.

Por este automático jogo de forças contidas no próprio seio do processo, tudo continua desenvolvendo-se deterministicamente, pré-ordenado pela sabedoria de Deus que tudo tinha previsto, e aprontado o remédio do mal, no caso de a criatura desobedecer. Trata-se de leis que regulam todo o movimento do ser livre, dentro das quais estamos situados. Leis benfazejas e consoladoras, porque querem e sabem dirigir a loucura dum ser livre, à sua salvação.

A compreensão desse processo: regresso do AS ao S, nos mostra e garante que, no fundo do mal, o ser não pode encontrar senão o caminho para o bem; no fundo da culpa não pode haver senão o arrependimento, porque é da Lei que no extremo do afastamento de Deus tem que iniciar-se o processo da aproximação; no máximo da revolta começa a obra da reconciliação.

Chegamos então a compreender e podemos aqui afirmar que existe uma lei que poderemos chamar a “lei do regresso”, pela qual, obedecendo a um princípio geral de equilíbrio, tudo o que se afasta de Deus tem de recuar, retrocedendo para trás até ao seu ponto de partida, agora de chegada, que é Deus, único ponto de referência e tudo o que existe. Por esta lei de regresso a revolta não pode acabar senão na obediência, o emborcamento no endireitamento, a perdição na salvação.

A nossa admiração não terá nunca limites perante tão profunda sabedoria pela qual o erro se resolve numa experiência para aprender a verdade, no fundo da descida desponta o impulso para a subida, no âmago do sofrimento se abre o caminho para a felicidade.

Assim o ser, indiretamente constrangido por esta lei de regresso, não pode deixar de realizar a sua salvação. Em todo momento, qualquer que seja a posição que atingiu, ele permanece sempre filho do S, com as suas indeléveis qualidades que ele aí possuía. Elas foram desviadas, torcidas na negatividade, mas nem por isso destruídas.

O ser se tornou um exilado, mas a sua pátria ficou sendo sempre o S. A sua natureza permaneceu a da positividade, da qual no fundo da negatividade não subsistiu para ele senão o vazio e a sensação da falta, a saudade e o choro do instinto insatisfeito. As qualidades positivas do S ficaram escritas na sua alma, qual anseio de vida e de felicidade, qual desesperada lembrança do paraíso perdido.

O desenfreado desejo de crescer fora da sua medida e da ordem do S, lançou o ser no AS, onde ele ficou mergulhado às avessas, na negatividade. Assim ele perdeu o seu tesouro que ficou no S, e quanto mais ele se aprofunda no AS tanto mais se torna ansioso de recuperá-lo. Mas o ser é rebelde e então o vai procurando na descida, afastando-se assim sempre mais e perdendo em positividade, ao invés de recuperá-la.

Mas eis que para salvar a criatura desta loucura, intervém a sabedoria da lei do regresso. Quanto mais o ser desce, tanto mais aumenta a carência de tudo o que ela possuía no S; e quanto mais ele empobrece, tanto mais aumenta o seu anseio de enriquecer novamente.

Mas quanto mais ele desce na negatividade do AS, tanto menos positividade ele encontra no seu ambiente e com isso tanto menor possibilidade de ficar satisfeito. Quanto mais ele se torna faminto, tanto mais se torna difícil satisfazer a sua fome. Quanto mais o ser procurar perseverar na sua loucura de querela encontrar a positividade do S dentro da negatividade do AS, tanto mais ele ficará traído e desiludido porque, como é lógico, não terá encontrado senão o contrário do que está procurando.

Mas o tormento deste mal-entendido não pode durar para sempre. Nada há que nos constranja a pensar tanto como a desilusão, e que acorde a inteligência como o sofrimento. Então eis que no meio de todas as dores abre-se a mente fechada pelo orgulho, a alma começa a vislumbrar a luz de Deus que chama de longe e assim se inicia o caminho da volta a Ele. Quem é filho Dele, feito da Sua mesma substância, não pode deixar de se ser tal e, mais cedo ou mais tarde, acaba voltando ao Pai.

Eis como o ser se encontra impulsionado a enfrentar o trabalho de reconstrução.

A estrada é longa e cheia de dificuldades. Mas pelo fato de que o ser, como vimos, encontra-se mergulhado nesse jogo de forças, não há como fugir. É necessário superar os obstáculos com o próprio esforço. Se o supremo objetivo do ser é o de voltar à plenitude da vida e à felicidade no S, não há outro caminho senão o da evolução. O roteiro da viagem está todo marcado de antemão. O ser, feito da vida do S, não pode permanecer para sempre nas angústias do AS. Ele tem de subir, e por isso tem de lutar e vencer. O paraíso perdido está esperando-o, mas ele tem de reconquista-lo com o seu esforço. O ambiente é hostil, a existência é dura. Ao anseio de felicidade e vida, responde apenas uma realidade de sofrimento e morte. Para sobreviver, o ser tem de lutar a cada passo contra mil inimigos.

Eis que estas nossas elucidações nos explicam porque a existência do nível vegetal, animal e humano se baseia numa guerra contínua de todos contra todos, que não conhecem outras relações senão as do ataque e defesa. Isto é fruto do AS e do esforço evolutivo para sair dele. Nos níveis de vida mais adiantados, porque nos avizinhamos do S, tudo isto vai desaparecendo no pacifismo evangélico do: “ama o teu próximo como a ti mesmo”. Podemos compreender assim qual é a origem, razão e objetivo da fundamental lei de evolução, que é a da luta pela vida.

Deus é vida e tudo tende para a vida que é Deus.

A luta pela vida, é a luta para o S, contra o AS. Ela representa o esforço do ser para emergir da negatividade que o sufoca. Através dessa dura lição ele vai experimentando, aprendendo, reconstruindo. Tudo isto é trabalho pesado, mas o ser está apegado à vida, princípio do S, e não pode deixar de defende-la desesperadamente. Então ele tem que fazer esse esforço. Mas isso quer dizer também desenvolver a inteligência, o que significa volta para o S.

Então a função da lei de luta pela vida não se esgota na sua mais próxima finalidade que é a seleção do mais forte, mas adquire e contém um significado mais profundo, que é o de representar um meio para abrira mente, acordar o espírito adormecido, para ele se potencializar e progredir, emergindo da materialidade, e subir até regressar ao S.

Esta é a história de nossa evolução planetária, entendida no seu sentido substancial, concebida na mais vasta amplitude do ciclo inteiro da queda e salvação.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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