Os instintos atuais do homem

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Com estas teorias, podemos entender a razão de ser dos instintos atualmente em vigor no homem, compreender a sua posição evolutiva e a razão de aí se encontrar. Mais exatamente, podemos compreender porque o ser vive na atual fase o separatismo egoísta e não a organicidade unitária.

A biologia descobriu a lei da luta pela vida, mas não o seu significado nem o porquê de sua existência. Sabemos que a meta do ser dentro do Sistema é a concórdia na unidade, ao passo que sua meta dentro do Anti-Sistema é a discórdia na luta; que o homem está situado na estrada que vai do segundo ao primeiro, ainda imerso na lei divisionista no Anti-Sistema.

Percebe-se então, a necessidade fatal das guerras, inerente ao estado de involução em que ainda se acha a humanidade; desse estado, porém deverá fatalmente libertar-se e emergir com a evolução. A lei feroz da luta pela vida deve cessar um dia, e então o homem olhará o seu passado como o de uma fera, em cuja prepotência cega se desencadeiam as forças elementares da vida nas trevas da mais profunda inconsciência. Mostra-nos a visão que tudo isso vai terminar, fatalmente, e o porquê e o como, e quais serão as novas condições de vida.

Faz ver o contraste entre o involuído, que acredita ser tanto maior o seu valor quanto mais gente esmagar, e o evoluído, que acredita, ter tanto maior valor quanto mais abraçar o próximo, para colaborar.

Explica-se, assim, porque os instintos de agressão e destruição são tanto e mais fortes, quanto mais o ser é involuído. Quanto mais se aproxima do Anti-Sistema, tanto mais o indivíduo é levado a ver, em seu próximo, um rival inimigo e, portanto, ver na destruição deste uma conquista de espaço vital e, com isto, a alegria de viver.

Para o primitivo, matar é uma vitória e uma festa, não um ato de ferocidade. Só concebe a si mesmo, separado em seu egoísmo e tudo o que estiver de fora, como qualquer dor alheia, não tem importância alguma.

A nossa sociedade está cheia desses primitivismos que, não podendo matar com o medo da sanção penal, manifestam o instinto e o gosto da destruição, conservando nas cidades, entres as obras construídas com o esforço de seu semelhante, a mesma psicologia de inimizade contra o ambiente, posição lógica numa floresta, no meio de um mundo hostil. Não é possível deixar de compreender como cada dia se torna mais perigosa e inaceitável essa psicologia, quando o homem precisa adaptar-se a viver em sociedade, nas formas de vida civilizada.

Quanto mais próximo se acha situado o indivíduo do polo negativo do Anti-Sistema, tanto mais negativas são as suas qualidades; quanto mais próximo do polo positivo do Sistema, tanto mais são as suas qualidades positivas.

Podemos, dessa forma, considerar como índice seguro de involução, o instinto da destruição, o espírito da agressividade e de polêmica, o egoísmo e a indiferença às dores do próximo. Contrariamente, podemos ter como seguro índice de evolução, o instinto de conservação, o espírito de compaixão e de conciliação, o altruísmo e a sensibilidade às dores do próximo.

Temos desse modo, uma unidade de medida, tomada fora de nosso mundo, com a qual é possível avaliar o indivíduo. Mesmo aqui se tentam unificações; contudo, estas não são baseadas nos princípios de fusão, próprios do Sistema, mas nos princípios desagregantes do Anti-Sistema. Trata-se apenas de coligações de interesses individuais egoísticos, aos quais não interessa o “eu” coletivo senão em função da vantagem própria.

Trata-se de acordos temporários entre “eus” separados, sempre prontos a separar-se de novo, logo que lhes não convenha, a seus egoísmos individuais, permanecer unidos. Sendo uma construção do Anti-Sistema, é lógico que seja feita às avessas. Onde o egoísmo é ponto fundamental, não pode haver coesão.

Com efeito, não se trata de uma verdadeira construção, mas de uma reprodução contrafeita. O que aí domina não é o sentido de unificação, mas o sentido da separação, que leva a anular a unificação. Por mais possa aparecer como meta, a tendência real é destrucionista, porque o método requer demasiado esforço, pois não é dirigido para a vantagem do grupo, mas para a de cada um de per si; de modo que todo o esforço é absorvido pelo atrito entre os egoísmos dos componentes, e nenhuma contribuição é levada ao grupo, enfraquecendo-o com isso, até desagregar-se.

Num mundo assim, que só sabe funcionar por coligações de grupos, falar de universalidade e imparcialidade é falar uma linguagem incompreensível, porque formada de conceitos pertencentes a planos mais altos, ainda não atingidos. Uma ideia de universalidade se reduz aos limites do comum concebível, compreendida apenas como um novo partido: o dos universalistas. Mas é inevitável que as ideias do sistema não encontrem lugar nos planos próximos do Anti-Sistema. E isso ocorre, frequentemente, diante das palavras que exprimem altos ideais, os quais, transportados à Terra, assumem outro sentido, justamente porque descem dos planos do Sistema aos planos invertidos, os do Anti-Sistema.

Um dos pontos em que se pode descobrir a presença do Sistema na Terra é o amor. Este, nos seus primeiros e ínfimos degraus do plano físico, representa sempre o princípio da unificação e é alegria, quando leva o ser para a sua harmonização, que será completa no Sistema.

Por isso, o amor não é apenas alegre, mas é também genético e criador, em todos os planos; e tanto mais, quanto mais sobe do físico ao espiritual. O amor é tanto mais alegre e criador, quanto mais nos aproximamos de sua plenitude, só realizável no Sistema, cuja primeira qualidade é a unificação. Desde os seus mais baixos degraus, é confiada ao amor essa grande função de harmonização que quebra os egoísmos e refunde juntos os elementos separados da queda.

A alegria que o ser experimenta no amor é dada pela alegria do regresso ao Sistema, que representa o reino da felicidade. Nos amores humanos comuns, os princípios opostos do Sistema e do Anti-Sistema estão em luta: a atração é egoísta e exclusivista, a alegria é facilmente envenenada pelas rivalidades e pelo ciúme; quanto mais o amor é material, ou seja, involuído, tanto mais é fácil corromper-se pela náusea, pelo vício, pelo sofrimento.

A luta entre o Sistema e o Anti-Sistema pode ser vista dentro do próprio desenvolvimento da família humana. Na formação desta, domina, no primeiro momento, a atração unificadora do amor, a alegria de unir-se, a potência vital criadora, qualidades próprias do Sistema. Logo após sua formação, acontece na família, um período diferente com as características do Anti-Sistema. Os filhos crescidos tendem a destacar-se do tronco, para realizar a sua própria vida.

A unidade tende a quebrar-se. O egoísmo sobe a primeiro plano. Surgem entre os filhos rivalidades que os afastam e cada um tende a formar um novo centro familiar. Desagrega-se então a família-mãe. Período destrutivo e negativo, em que triunfa o Anti-Sistema. É como uma queda no separatismo, uma contração no egoísmo, até cada filho ou filha encontrar seu termo complementar, pelo qual retorna ao Sistema, com os princípios de unificação, amor, alegria e criação.

Isto acontece na família, onde, a cada passo para o Sistema, com qualidades positivas unificadoras, segue-se um passo atrás, para o Anti-Sistema, com qualidades negativas separadoras. Mas, entre os dois impulsos vence sempre o amor, a vida, o Sistema.

O amor é criador, porque representa o princípio positivo, construtor, vital, próprio do Sistema, ou seja, de Deus. O ódio representa o princípio negativo, destruidor, mortal, próprio do Anti-Sistema, ou seja, de Satanás.

Quanto mais o amor se liberta de sua materialidade, tanto mais perde as qualidades do Anti-Sistema; quanto mais conquista espiritualidade, tanto mais adquire as qualidades do Sistema. Isso até que o amor, limitado, em princípio, apenas às funções animais da reprodução sexual, transforme-se no amor evangélico, elevando-se ao poder de cimentar não apenas duas criaturas para formar uma família, mas de fundir todo o gênero humano, dele fazendo uma unidade orgânica.

Está confiada ao poder do amor, princípio do Sistema, a função de retirar a criatura, pouco a pouco, do plano biológico onde impera a dura lei da luta pela vida, para fazê-la subir ao plano da colaboração fraterna. E como o Sistema, onde está Deus, é o mais forte, destinado a vencer o Anti-Sistema, assim o amor é o mais forte, destinado a vencer o egoísmo e o separatismo dos planos inferiores.

Essa unificação é uma necessidade implícita no desenvolvimento das leis da vida.

O involuído é um individualista genérico, no sentido de só saber pensar em si mesmo e saber fazer um pouco de tudo.

O evoluído é um ser coletivista, orgânico e especializado, no sentido de viver em colaboração com os seus semelhantes, e cada vez mais se adapta a executar, na sociedade humana, a sua função específica.

A evolução, desse modo, ao produzir esse tipo biológico, leva necessariamente à unificação, que será a forma de vida do homem evoluído do futuro, ou seja, uma organização de especialistas fundidos em cooperação. Quanto mais evoluir, mais se tornará um indivíduo social, e menos apto a viver sozinho, porque aprendeu as qualidades que o tornam apto a viver em sociedade e compreendeu a grande vantagem de fazê-lo. Assim, vemos os princípios gerais da visão acharem plena confirmação até mesmo nos seus remotos efeitos, em nosso mundo.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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