Lei de Dualidade

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Da Lei de Unidade derivam todos os princípios e fundamentos da Criação. Por isso, é a primeira de todas as Leis. A Unidade divina, no entanto, deu-se por amor aos infinitos Filhos, fracionando-se em duas potencialidades complementares. Nasce assim o Dualismo universal, demarcando o segundo aspecto da grande Lei. Por ela, o Criador dividiu-se em uma instância Transcendente e outra Imanente, fazendo-se separar em Pai e Filho, Criador e Criação, ou Deus e Universo, expressão máxima da Lei de Dualidade.

Tornando-se artigo de Lei, o dualismo determina que todo fundamento, toda força, todo produto da Criação deva constituir-se intimamente de uma duplicidade de ação, originando-se o duplo funcionamento dos aspectos universais. Essa duplicidade de ação, implica que a todo movimento de divisão anteponha-se nova reunificação, para que a Unidade jamais se perca. Portanto, na unidade de Criação, tudo deve se dividir por ação da Lei de Dualidade, para novamente se juntar, e assim a Unidade do Todo jamais se deixa fracionar definitivamente. Separação e reunificação são, portanto, os dois artigos da Lei de dualidade.

Logo, por imperioso fundamento da Lei, todo fenômeno deve gerar um filho que se aparta, mas o filho deve fundir-se ao seu pai, restituindo a unidade. O motor dessa reunificação é justamente o amor, o princípio de doação, cimento da unidade e fator aglutinante do Todo. O pai deve amar o filho como a si mesmo. O filho é convidado a devolver ao pai, o mesmo amor que recebe, amando-o como a si próprio. Através desse inexorável princípio, a Unidade da Criação nunca se perde, impossibilitando-se a rotura definitiva do Universo perfeito.

No campo divino, as forças bipartidas por ação do princípio de separação agem no mais perfeito sinergismo, para criar equilíbrios perfeitos entre suas variadas manifestações. Por isso, no Universo perfeito, o dualismo não representa evidente separação e embates de forças como aqui denotamos, de modo que a perfeita Unidade jamais se rompe e a plenipotência do Todo nunca se perde.

Desse modo, compreendamos que a dupla ação da Lei de dualidade não pressupõe, no Absoluto, antagonismo algum, de qualquer natureza imaginável. Ajustadas ao perfeito equilíbrio da Unidade e fundidas pelo amor, garante-se a impreterível fusão da obra divina em uma só e grande Vontade. Através do amor, o Filho acata a vontade do Pai, mantendo-se fundido na Unicidade maior. “Eu e meu Pai somos um”, exarou o Cristo, determinando como peremptório princípio da Criação a perfeita unificação entre o Pai e o Filho, através do amor.

E assim, no Universo perfeito, a dualidade não supera a unidade, assinalada pela absoluta fusão das vontades do Pai e do Filho. Então o dualismo perfeito é aparente, demarcado pelo equânime sinergismo de suas partes. Esse fundamento garante-nos que no campo divino não encontraremos antagonismos no aspecto dualístico da fenomenologia, como o que se observa em nossa realidade.

Recordemos que vivemos em um universo desmoronado, fruto da grande revolta, e aqui, o dualismo assumiu a mais completa oposição de valores, transformando-se em um reino de discórdias e embates.

Entendemos agora que somente com a queda é que o dualismo fenomênico universal, filho da impreterível unidade, tornou-se, em nossa dimensão, luta entre as forças rivais, caracterizadas pelos entrechoques do bem contra o dinamismo desagregante do mal e o permanente conflito entre as potências da ordem contra as destrutivas ações da desordem.

Por isso, como já afirmamos, em nosso cosmo, a anteposição fenomênica fez-se exótico imperativo, a promover o atrito entre todos os eventos que ocorrem em seu seio. Positivo e negativo, forças contrativas em oposição às expansivas, construção e destruição, vida e morte, luz e trevas, bem e mal, espírito e matéria, enfim, toda a vasta gama de possibilidades dualistas irão agora contorcer nossa realidade em inerentes antagonismos, fazendo do nosso universo um campo de grandes e fenomenais batalhas.

Vivemos, como nos explicou o Cristo, em uma casa dividida entre “dois senhores”, Deus e Mamon. Evidentemente que Mamon representa as forças da revolta e da pretensão de cisão, das quais devemos nos abdicar em favor dos interesses divinos. Servir a dois senhores, como temos feito, alertou-nos o divino Pastor, manter-nos-á no universo dualizado, com a casa dividida, afastando-nos da perfeita unidade que deve imperar em nossa vida.

A oposição dualista, destarte, não existe no Universo original e não foi pretendida pela inteligência divina. Seria evidentemente um absurdo conceitual admitir que Deus tivesse cindido a própria Moradia em antagonismo de valores, sem uma forte razão que o justificasse. A anteposição somente pode ser produto de divergência de interesses entre as partes atuantes na dimensão fenomênica, portanto somente se fez possível como produto de uma revolta de parte dos Filhos da Criação.

O dualismo fenomênico é ainda o fundamento genético do princípio cíclico que já vimos, indispensável ao equilíbrio universal. Esse princípio determina que toda potência deve equilibrar-se com seu aposto complementar – ou seu “oposto”, como é o caso de nossa natureza derrocada. Assim Transcendência e Imanência, Pai e Filho, separação e reunificação, unicidade e dualidade, doação e recepção, ação e reaçãofundem-se na síntese cíclica da Criação, feita, em todas as suas instâncias, de fases complementares e apostas.

Desse modo, o princípio cíclico mantém em equilíbrio o perfeito funcionamento do Todo, impedindo-se a impropriedade dos movimentos de sentido único. Em nossa realidade menor vê-lo-emos em ação na junção dos opostos, atuantes em todos os eventos naturais que compõem nosso mundo, como, por exemplo, o ciclo das águas, das estações, dos renascimentos e mortes no campo biológico, e tantos outros que os painéis da vida nos exibem.

Constituídos aqui de expansões e contrações, construções e destruições, pulsos positivos e negativos, o princípio cíclico determina a justa equanimidade de todas as potências em ação no palco universal.

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