Vida e Morte: polos opostos do mesmo Fenômeno

sistema2

A evolução, ao permitir-nos o afastamento do Anti-Sistema, nos liberta da morte, porque nos leva ao Sistema onde esta não existe. Os fatos confirmam estas asserções, pois, quanto mais a vida é involuída, tanto mais rápida é a mudança vida-morte a que está sujeita.

Que significa isso?

No estado monocelular ou microbiano, a vida do indivíduo pode reduzir-se a poucos minutos. Ora, é lógico ser presença da morte tanto mais frequente, e a incerteza da vida tanto maior, quanto mais retrocedermos ao Anti-Sistema. Mas, a evolução nos conduz para a vida, com isto reforça as suas posições e, subindo, mais se torna longa e resistente.

A morte, qualidade do Anti-Sistema, está sempre pronta a ameaçar o instinto fundamental da vida. Esta, porém, que não quer morrer, é obrigada a defender-se e, para defender-se, é levada a desenvolver todas as qualidades necessárias a esse fim. É por isso que surgem e se aperfeiçoam os sentidos, para desempenhar a tarefa mais urgente, que é do ataque e defesa, exatamente como ocorre com as novas invenções científicas, empregadas em primeiro lugar para fins bélicos de ataque e defesa.

Dessa forma, o ser é impelido a evoluir, pelo terror da morte e pelo anseio de viver, ou seja, por sua instintiva repulsa ao Anti-Sistema e por sua atração ao Sistema. A sua primeira conquista dos poderes dos sentidos tende a completar-se, mais tarde, com a conquista dos poderes intelectuais.

Para o animal, perceber é tudo, tendo, com efeito, muito mais acuidade sensorial que o homem; este, ao invés, já conquistou, em compensação, outros poderes intelectuais, sendo, com isso possível controlar o valor dos resultados obtidos através das sensações, que o animal aceita cegamente, sem discutir, incapaz de discriminar o seu valor exato. Por isso, tanto o animal como o homem primitivo são muito mais escravos da ilusão sensória em relação ao mundo exterior, do que o homem habituado ao controle de si mesmo e dos próprios meios de percepção. Sem dúvida, um macaco, com seus olhos mobilíssimos, é muito mais hábil que o homem normal e capaz de ver, concomitantemente, tudo o que lhe acontece em torno. Mas, o macaco sabe avaliar muito menos o significado das percepções recebidas.

A evolução opera, então, um desenvolvimento diferente, não na forma extrovertida, produzida pelos meios sensórios, mas na forma de introspecção que, com o controle racional antes desconhecido nos seres inferiores, incrementa o valor crítico das observações alcançadas sensorialmente. Por isso, aparece não apenas uma nova consciência do mundo exterior, permitindo maior proteção da vida, mas a evolução arrasta o ser, no seu próprio caminhar, cada vez mais para o mundo interior que é o mundo de espírito, ou seja, o regresso ao reino do Sistema.

Na teoria da queda o ponto fundamental que explica tudo, e sem o qual nada se compreende, é a reencarnação.

Sempre colocamos morte e nascimento como dois polos opostos do mesmo fenômeno vida, como dois momentos paralelos indissolúveis, um como condição indispensável do outro. Sem esta concepção de uma vida mais ampla, ligando todas as pequenas vidas no tempo, não se pode conceber o fenômeno da evolução, nem mesmo espiritual, em que se baseiam as religiões.

O conceito de uma criação espiritual, que ocorra toda vez, individualmente, a cada nascimento, quebra todo o conceito de equilíbrio e de continuidade, fazendo do universo material-espiritual uma desordem absurda e caótica, em que nada mais se compreende.

De fato, o ser progride através dessa contínua oscilação entre as duas posições inversas e complementares, que são vida e morte. Com a revolta, o espírito não morreu. Apenas a sua vida se inverteu no seu contrário: a morte, de onde vai ressuscitando à proporção que percorre o caminho da evolução. E, através das inúmeras mortes, vai ressuscitando cada vez mais com a evolução.

Pensando negar a Deus para afirmar a si mesmo, o ser, com a revolta, não tocou em Deus e negou apenas a si mesmo, precipitando-se da vida, na morte. Com a evolução, deve agora tornar a subir da morte para a vida, com oscilações cada vez mais lentas, nas quais a fase morte vai sendo reabsorvida com o afastar-se do Anti-Sistema, até atingir a plenitude da vida sem mais morte, no Sistema.

Muitos afirmam esta verdade da reencarnação, mas poucos se perguntam por que a evolução tenha tomado essa forma de vidas alternadas com as mortes. Poderia ela perfeitamente realizar-se numa continuação progressiva, sem estas interrupções e inversões.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s