Lei de Unidade

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

O primeiro e maior fundamento da Lei, a refletir-se inexorável em todo o Universo é a Unidade. O aspecto unitário da Lei sedimenta toda a Criação, tornando-a coesa e inseparável de Seu Criador.

Como vimos, Deus, por amor, deu-se à criatura, porém dela jamais se apartou. Ele permanece como substância da Criação, fazendo da criatura parte inexorável de Si mesmo. Portanto, a Lei de Unidade, ao realizar a justa fusão entre a Transcendência e a Imanência divina confere a mais perfeita unificação de todos os filhos da Criação.

Segundo essa Lei, o Universo é gerido por um pensamento único, o pensamento divino, proporcionando unicidade a tudo o que existe. Por isso, todos os fenômenos universais são irmãos e possuem identidade de origem e igualdade de funcionamento.

A Lei de Unidade permite então que as leis físicas que nos movem e tudo movimentam na realidade em que respiramos sejam exatamente as mesmas quer aqui, quer nos mundos materiais, ou mesmo nas longínquas fronteiras siderais. Sem o critério de Unidade, nossa Casa cósmica esfacelar-se-ia no completo caos por faltar-lhe coerência e identidade de princípios.

As leis que coordenam os movimentos da matéria e da energia, as leis biológicas que orientam a vida nas variadas paisagens da natureza e as leis morais que regem a vida do espírito, embora adaptadas à condição evolutiva de cada um, são igualmente idênticas, irmanando a todos no cerne da grande Unidade. Sem tal fundamento unitário não haveria possibilidades de troca de valores entre os filhos do Universo, e a Criação fragmentar-se-ia em indubitável pulverização fenomênica.

Não vemos a matéria bruta sustentando a vida nos mundos físicos?

As energias irradiantes não interagem com a própria natureza?

E o espírito, a flor sagrada da Criação, não interatua em todos os departamentos da existência, abraçado à matéria e à energia?

Esse exato e necessário conúbio fenomênico viabiliza-se nos proscênios da existência porque todos os seus filhos são genuínos irmãos, gerados por uma única e grande Lei.

Pela Lei de Unidade o Universo conhece a si mesmo. E todas as suas partes se identificam com os mesmos critérios de semelhança e de origem. Isso permite à Criação funcionar como um todo coeso, repetindo-se, em todos os seus níveis, dos menores aos maiores, os mesmos mecanismos de ação e telefinalismo.

Observemos que a perfeita unidade do Universo mantém-se graças ao substrato único, por meio do qual todos os seus elementos se manifestam: a substância.

Como vimos, a substância, em nosso mundo, é o tecido fundamental tanto do espírito, quanto da energia e da matéria, conferindo-lhes irrevogável semelhança.

Sendo a substância uma porção do campo divino em ação na intimidade fenomênica está impregnada do pensamento de Deus e, portanto, de Sua Lei. Desse modo, a Lei expressa-se íntegra e exatamente igual em todo o vasto tecido da Criação, embora admiravelmente adaptada a cada condição em particular de seus múltiplos e infinitos filhos.

Através da Lei de Unidade, a mecânica celeste se aplica tanto nos “Céus”, quanto na “Terra”. Ou seja, o mesmo conjunto de leis e fundamentos que sustenta as esferas divinas, faz mover também o universo derrocado em que vivemos.

Notemos que a aparente dispersão da unidade que se observa nos baixos planos da existência, a despeito da ação unitária da Lei, é fruto da intervenção do espírito que se rebelou contra a ordem, e não da Lei. Portanto, se a Lei parece aos nossos olhos pulverizada na fragmentação fenomênica, a manifestar-se como incoerência e dispersão, tal se deve à ação da grande queda do espírito e não à particularidade da Lei em si mesma.

No Universo Absoluto, entrementes, a unidade da Lei impera incólume, conferindo ao conjunto divino perfeita uniformidade de valores e produtos. Já no cosmo relativizado em que vivemos, fendido pela queda do espírito, a unidade encontra-se esfacelada na diversidade fenomênica. Maculados pelo separatismo, os eventos de nossa dimensão parecem divorciados, apartados pela dissociação das aparências. Assim, aos nossos olhos, a matéria assemelha-se a um produto completamente distinto do espírito, levando-nos a interpretação fragmentária, ou dualista, da realidade que nos serve. Espírito e matéria são uma só e mesma coisa. Apartá-los é ceder à dissociação do pensamento que nos caracteriza e inutilmente negar o essencial critério de Unidade que fundamenta toda a Criação.

Lembremo-nos, somos, todos, centelhas de um grande incêndio de amor, através do qual nosso Pai doou-se por igual a todas as criaturas, filhas de Seu infinito afeto.

Assim, somos rebentos de uma impreterível Unidade. Por isso todos temos sede de Unidade. Tratemos então de conquistar a unidade conceitual do pensamento, admitindo que, na pura Criação divina, um favônio de unicidade impede a dissociação entre os filhos do Todo, uma vez que todos, originando-se da Mente unitária de Deus, guardam inexorável identidade de origem.

Em todos os tempos, a maior realização possível ao pensador humano consistiu justamente em identificar a unidade na multiplicidade dos eventos em que se apresenta a Criação. E a mais plena alegria da alma resume-se em encontrar-se com a própria unificação com Deus. Não há anelo maior para o espírito, que no imo sabe ser nada mais que Filho da Unidade.

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