Comentários do Espírito Heitor – Esclarecendo dúvidas (4)

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Questão 04:

Se tudo na natureza advém da condensação de espírito em energia, e desta em matéria, isso nos leva a deduzir que no universo existe uma única e mesma linha de produção para todos os seus elementos, o que confere perfeita unidade à criação. Portanto, em tudo encontraremos o espírito, pois tudo o que existe está impregnado de espírito. Isso faz sentido. Vejo então que a revelação contida em O Livro dos Espíritos, na questão 540, que nos afirma a existência dessa sequência contínua do átomo ao arcanjo, torna-se agora coerente. Tudo na natureza se encadeia em impreterível regime de identidade universal. Enfim, posso compreender essa interessante revelação e elucida-se como pôde o próprio arcanjo começar por ser um átomo. O átomo é produto do arcanjo, é sua primeira veste no mundo das formas. Está claro. E entendo então que apenas o arcanjo que optou por viver intensamente a retração ególatra foi capaz de impor-se a contração da queda, encerrando-se no átomo.

Não seria pertinente ao amor de Deus encistar cada um de Seus filhos na tremenda contenção atômica, verdadeira morte para um ser criado como um deus. Somente uma revolta, simbolizada na “queda dos anjos”, poderia produzir em consciências recém-saídas do seio divino a força egocêntrica necessária à elaboração de unidades atômicas, confinando-se nelas como sua verdadeira prisão.

Não teríamos como justificar tamanha impactação para o espírito e o enorme esforço que lhe compete para dela se desvencilhar.

Faz-se preciso reconhecer que muito ainda nos falta para atingir a compreensão plena de toda a complexa realidade que nos envolve. Vislumbramos nada mais que as primícias de uma grande ideia, poderosa o bastante para melhor nos explicar parte da intricada fenomenologia ao alcance de nossa análise. Se penetrarmos, porém, nos escaninhos do microcosmo ou nas adjacências das longitudes siderais, nossa razão se desfaz, pois somos ainda muito pequenos para enfrentar os grandes mistérios da Criação. Precisamos então aguardar com paciência a dilação de nossa ainda parca inteligência, para conhecer a resposta a todas as interrogações que o universo nos instiga.

Precisamos aprender a perguntar, a fim de crescer como convém. Por isso, como crianças, seguimos inquirindo sem parar a vida, para que um dia a vida nos responda, fazendo-nos aproximar do pensamento de Deus, o fim de todos os nossos enigmas. Embora o tema suscitado pelo nosso irmão extrapole-nos as atuais possibilidades, intentemos uma aproximação, abrindo uma pequena janela em nossas mentes, de modo a preparar-nos para compreensões mais vastas no futuro.

Entendemos que a substância, em qualquer nível de manifestação, existe apenas enquanto lhe mantém o pensamento. Ou seja, a substância se revela porque o espírito a sustenta. Se lhe faltar o pensamento, esta se desfaz, retornando indiferenciada ao Todo de onde proveio. Portanto, o espírito está na substância, como ele mesmo está em Deus.

Então toda substância é expressão do espírito. Isso, porém, não quer dizer que cada porção da substância isoladamente contenha um espírito. Essa é a chave, acreditamos, para se compreender o substrato do universo.

Concordamos que todo espírito, para se manifestar no mundo das formas, requer uma unidade coletiva que lhe sirva de corpo estrutural. Isso se dá exatamente pelo fato de que cada filho de Deus é em si um universo, por inexorável princípio de identidade divina. Então cada ser caído absorve seu quinhão de substância haurida do Pai, a fim de realizar-se no palco da Criação, mas deve doá-la aos irmãos, pois a existência consiste simplesmente no movimento da substância.

Retê-la, estanque, em si mesmo, produz na verdade a estagnação da substância, o que é a morte do ser. Por isso, parafraseando o famoso filósofo da razão podemos dizer:  “Movimento, logo existo”. Esse basilar princípio de existência faz que cada Filho de Deus, para realizar-se, torne-se centro de irradiação em favor dos irmãos e ao mesmo tempo de absorção da substância em prol de si mesmo.

Do contrário, ele não poderá existir. Logo todos são induzidos, por quesito de Lei, a viver estritamente em regime de troca, doando ao outro algo de si, ainda que por meio do assalto e da morte, uma vez que o egoísmo que a todos caracteriza os coíbe da espontânea oferta. Portanto, o impreterível fluxo de recepção e concessão da substância torna cada espírito criado o núcleo de uma unidade coletiva. E assim, a substância haurida do Criador, submetida  à constante permuta, produz vida em todas as instâncias da Criação.

Observemos, todavia, que não há nesse interessante sistema orgânico interdependente um último elemento no qual todos se sustentam. Imaginemos uma corrente de anéis, no qual cada elo apoia-se em um anterior e se faz ao mesmo tempo apoio para o próximo. No final todos sustentam tanto a si próprios quanto a unidade maior que os contém, fechando-se o último no primeiro, sem fim e sem começo. Esse é o esquema que entretece a realidade do existir. Não temos elementos finais, como não existem derradeiros e primeiros.

Essa é a máxima aproximação que nosso frágil psiquismo no momento nos permite, filhos, sobre o substrato último do universo. Sei que a questão é complexa e no momento não podemos avançar mais que isso. Sigamos, zelando pela lavoura de nosso crescimento evolutivo, aguardando que o divino Viticultor favoreça-nos com a germinação e frutificação dos valores da genuína sabedoria, para que o futuro venha a esclarecer-nos melhor os grandes mistérios que a natureza ainda nos reserva.

No momento, basta que compreendamos a fórmula da substância, fixando-a na memória. Esta é a chave para compreendemos o universo e o próprio fenômeno humano. Ela não só nos mostra como se formou nossa realidade, como nos indica também, com clareza, qual o caminho que devemos percorrer na evolução.

Conhecendo a direção que ela nos concita e dispondo-nos a segui-la com determinação, atingiremos mais rapidamente os fins da ascese evolutiva. Depois do espetacular mergulho nos abismos da matéria, a fórmula da substância revela-nos que o fluxo da vida segue agora rumo às supremas aquisições do espírito.

Portanto, nosso esforço deve consistir no desapego à matéria e seus valores, ou seja, na paulatina desmaterialização de todos os nossos veículos de expressão, empregando nosso inteiro esforço evolutivo na busca dos tesouros da imponderabilidade.

Esse é o correto roteiro que nos compete e esses são os bens nos quais realmente nos convém investir todo o empenho da vontade, pois é o que nos carreará para os altiplanos da existência. Exatamente isso é o que nos mostra, matematicamente, a equação da substância.

Se recalcitrarmos, a Lei, em sua sabedoria, utilizar-se-á da coerção da dor e da desilusão para nos fazer progredir no roteiro devido, pois Deus condenou-nos à inevitável plenitude da felicidade e da perfeição, que somente encontraremos nos domínios superiores do Absoluto.

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