Comentários do Espírito Heitor  –  Esclarecendo dúvidas (3)

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Questão 03:

Tudo no universo advém de uma fonte única e, por isso, tudo é de mesma natureza. As distinções entre os diversos constituintes do universo são meras projeções de apresentações exteriores, em cuja interioridade todos se igualam. No entanto, esse conceito parece muito distante da nossa realidade. Não conseguimos perceber, ao nosso derredor, essa identidade de origem e o íntimo transformismo da substância.

Agora que estamos atentos a esse fundamental realismo, ser-nos-á fácil identificar os diversos momentos de apresentação da substância e seus inerentes movimentos na realidade que nos assiste.

Separemos a fórmula da unidade substancial em suas quatro fases principais: espírito-energia, energia-matéria, e matéria-energia, energia-espírito.

Procuremos então pelas suas expressões na dimensão em que respiramos.

O primeiro movimento, espírito-energia, pode ser identificado em nós mesmos no ato de criar. Ninguém cria sem antes fazer brotar de si uma ideia basilar, em um processo mágico que não sabemos explicar como na realidade se dá. A ideia nasce a partir da substância mental daquele que cria. Ainda que a capte das correntes de pensamentos que trafegam pelos espaços que nos circundam, o homem é capaz de formulá-la por atribuição herdada do Pai. Para que a ideia, contudo, transforme-se em algo, é preciso revesti-la com a energia de movimento. Envolvido e acionado pela vontade, o pensamento puro torna-se, assim, impulso energético.

Dessa forma, podemos dizer que a energia é um fluxo de ideia, movido pela vontade. Portanto, através da magia do pensamento, oriundo da consciência, a ideia, nada mais que a substância em seu estado puro, transforma-se em pulso dinâmico, a onda mental. Nesse ponto dizemos que o espírito converteu-se em energia.

A consciência é então a fonte de todas as energias irradiantes do nosso universo.

Todas advêm de uma força cuja origem é puramente mental. E uma vez criado, o pulso consciencial, revestido por potente dinamismo e através do seu íntimo movimento, realiza-se no mundo fenomênico. Assim cria o artista sua obra. E assim criamos nós o corpo físico, materializado a partir da própria energia mental. Através desse processo surgem todas as construções no mundo das formas, todas nascem de forças imponderáveis, emanadas de consciências que infinitamente povoam o campo cósmico.

Era evidente. Se Deus, o modelo único da Criação, cria a partir do pensamento puro, então as criaturas, à semelhança do Criador, somente podem gerar utilizando-se de semelhante princípio. Não há outra maneira de se criar no plano menor senão através da movimentação de uma ideia. É assim que o espírito é o único manancial de tudo que existe no palco da realidade.

A fase seguinte, energia-matéria, já foi devidamente esclarecida pela ciência humana. Irradiações sem massa são capazes de gerar partículas de massa e vice-versa, demonstrando-nos a capacidade que a natureza detém de criar matéria a partir de uma emanação imponderável. E sabe-se ainda, com clareza, que os grânulos subatômicos mínimos são nada mais que pacotes de energias concentradas. Na intimidade desses mais diminutos corpúsculos de matéria, muito menores que os prótons, nêutrons e elétrons até hoje identificados, vibra intensamente uma energia sem peso ou medidas.

A matéria é um entrelaçado de forças em alta vibração, conferindo-nos a ilusão de concretude. É uma agitada dança de potências incorpóreas que sequer podem ser identificadas com precisão. Se matéria nada mais é que nuvem de energias, matéria e energia são produtos de mesmíssima natureza. Tanto que não se pode, na realidade microscópica, demarcar-se com nitidez onde termina o espaço e onde começa a partícula, pois esta, como uma onda, espraia-se com imprecisão ao derredor. E assim, constatamos a primeira fase do ciclo da substância: o espírito gera energia, a qual, por sua vez, gera a matéria.

O próximo movimento da equação, matéria-energia, ou seja, a passagem de matéria para energia, igualmente já é conhecida pela ciência do mundo. A desintegração atômica demonstra-nos essa fase com clareza.

As partículas atômicas desfazem seu arranjo íntimo, através do fenômeno da radioatividade, liberando a energia que as retinha. E os núcleos atômicos, se sofrerem violenta cisão, libertam suas contidas potências nucleares, provocando a conhecida explosão atômica. E basta ainda provocar a combustão da matéria para que ela devolva  parte de suas energias encarceradas em ligações químicas. Dessa forma, compreendemos que a matéria é um pacote de tremendas energias, nas quais é passível de converter-se.

Já a última fase, a mobilização energia-espírito parece-nos mais difícil de ser percebida. Facilmente a observaremos, porém, na fabulosa alquimia dos processos biológicos a realizar-se em nosso campo íntimo.

Experimentamos a vida e somos por ela experimentados para que esse movimento se efetive em nós, pois o metabolismo vital é nada mais que maravilhoso processo de transmutação de energias biológicas em consciência pura. Vejamos: nascemos plenos de potências biológicas a compor a energia vital, impulsionando-nos com vigor pelos campos da existência. Somos dinamizados por matizes de diversas forças que nos fazem funcionar, desde o metabolismo celular aos processos psíquicos. Contudo, através do exercício da vida, vamos transformando paulatinamente pulso vital nas manifestações sutis da consciência. Na elaboração vivencial, a consciência cresce, dilatando-se cada vez mais, fazendo medrar em nós as expressões puras do pensamento. Logo, a alquimia da vida promove a transmutação de energia biológica em “espírito”.

Observemos uma criança. Ela está plena de forças biológicas, prontas a explodir no transe da vida. Animada por essas ínsitas potências, ela se agita constantemente, a correr e a brincar, cheia de vivacidade e ânimo. Na velhice ela experimentará a paulatina inação de seus impulsos vitais. Sua consciência, porém, agiganta-se, traduzindo-se em maior patrimônio mental, sabedoria dilatada e conquistas outras que se produzem no campo do espírito eterno. Assim, vemos que o metabolismo vital processa em nós o contínuo crescimento do espírito, adormecido na matéria. E terminará por dilatar nossa consciência até sua completa fusão com a Consciência divina.

Dessa forma, no grande laboratório da vida, a matéria e a energia são diluídas e maceradas para produzir-se o espírito puro. Fenômeno que já entendemos ser nada mais que um processo de restituição de um potencial previamente existente na intimidade do ser, condensado pela queda. E assim, todas as potências inferiores que nos servem no trânsito pelo Relativo, dinamizadas pela evolução, serão consubstanciadas em consciência superior. Ao final do processo evolutivo, matéria e energia serão então transformadas inteiramente em consciência, e não mais nos restringirão em suas precárias expressões.

Agradeçamos, assim, à Sabedoria divina que nos permitirá, através da elaboração evolutiva, expandir-nos ao máximo possível, restituindo-nos a divindade de origem. Desse modo fecha-se o ciclo da substância, que pela queda passou de espírito para energia, e desta para matéria. Portanto, através da evolução, nada mais que o movimento inverso do respiro da substância, o denso novelo de matéria será inteiramente desfeito, libertando a energia que a gerou. E a energia será completamente retificada, devolvendo ao espírito todo o potencial que a continha, para que este, enfim, expresse-se na pura substância na qual foi criado.

O espírito volta a seu estado de grandeza original.

O princípio e o fim encontram-se, e mutuamente se anulam.

A criação transitória converte-se totalmente na Criação eterna.

Essa é a máxima compreensão do movimento da substância possível à razão humana na atualidade.

 

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