A Personalidade Humana

sistema2

Quais serão os novos estados de consciência que a evolução vai desenvolver na personalidade humana?

Se, o conhecimento passou com a queda, das mãos da criatura, antes consciente colaboradora da Lei, às mãos da Lei, a quem teve de obedecer cegamente, verifica-se com a evolução o processo oposto, ou seja, uma restituição do conhecimento das mãos da Lei às mãos da criatura que, voltando a ser colaboradora consciente, não é mais constrangida a obedecer cegamente, mas apenas por adesão livre e convicta.

Com a evolução ocorre, pois, na criatura, um processo de dilatação de consciência e conhecimento, implícito no desenvolvimento de todas as individuações da vida, também por sua vez, implícito de forma ampla na reunificação, pela lei das unidades coletivas, dos elementos que se separam no Anti-Sistema e agora voltam ao Sistema.

Com a evolução acontece, para a consciência da criatura, o que ocorre naquele processo de reunificação. Aparece, com a unificação em grupo, um princípio diretivo diferente, para o novo estado orgânico do ser, e dirigido por uma nova lei; como a cada maior unificação, se atinge um valor acima dos alcançados pelas unificações menores precedentes; com a evolução também aparece para a consciência da criatura uma nova lei, um princípio diretivo diferente, pelo novo modo orgânico de conceber (não mais analítico, mas sintético) e se atinge um poder maior de compreensão e de concepção.

Dessa maneira, o homem passará, por meio da evolução, da forma mental atual, lógico-racional, à forma mental representada pela intuição. Trata-se verdadeiramente, como disse, de uma nova lei do pensamento, de uma diferente forma mental, de uma organicidade de concepção anteriormente ignorada; trata-se de novas orientações e métodos de pesquisa, para alcançar um conhecimento antes impossível.

Segue-se uma colocação do problema de modo diferente do comum: afirmamos que a obtenção do conhecimento é problema de amadurecimento biológico. Em outros termos, o grau de conhecimento possuído, de uma verdade para nós relativa e em contínuo processo de conquista, depende do grau de evolução alcançado.

Da mesma forma, como vimos a evolução levar do separatismo à reunificação, fundindo os indivíduos separados em organismos cada vez mais amplos, assim, também para consciência, vemos a evolução levar do estado de distinção entre o “eu” e o “não-eu”, a um estado orgânico diferente, em que aparecem um “eu” superior diferente. Cai então o separatismo, desaparece o divisionismo próprio de nosso Anti-Sistema, e aparece a fusão própria da unidade do Sistema.

No desenvolvimento de cada fenômeno passamos sempre das qualidades do Anti-Sistema às do Sistema. O atual tipo biológico de personalidade, constituída por um “eu” isolado fechado no próprio individualismo, expressão viva no separatismo do Anti-Sistema, ao evoluir, rompe as paredes de sua prisão de decaído, expandindo-se na forma de um novo “eu” universal, e dessa maneira se funde e torna encontrar-se em todos os outros “eu” do universo. Passamos, assim, de um tipo de individuação própria aos planos inferiores da vida, a um tipo de personalidade próprio aos superiores.

A transformação da personalidade, subindo de um plano de vida a outro mais alto, é completa e laboriosa. Essa ressurreição do “eu”, das profundezas do Anti-Sistema onde havia decaído, esse seu despertar do letargo da inconsciência em que adormecem, é um processo de transmutação como o valor de verdadeira revolução biológica. Aparece, pois, com todas as características de uma crise da vida: não crise de desfazimento, como a morte, mas crise de desenvolvimento, própria do ser, em ascensão.

O ser humano, atrasado nesse processo de transformação, acha-se como a lagarta, tendo de atravessar as fases de crisálida, para tornar-se borboleta. Para fazer isso, a lagarta fecha-se num casulo, ao passo que o ser humano deve transformar-se continuando a vida comum a todos, com seus pesos e preocupações, e de nenhum modo ajudado ou compreendido.

Não deve admirar, portanto, que a excessiva tensão nervosa, devida ao esforço da transformação, provoque distúrbios nervosos e psíquicos, estados de depressão, esgotamento, irritabilidade, insônia, estados físicos e sobretudo mentais, classificados pelos médicos de patológicos.

Essa medicina moderna, de orientação prevalentemente materialista, ignorando ou negando a possibilidade desses fenômenos de desenvolvimento espiritual, é totalmente incompetente para julgá-los e dirigi-los. A própria psicanálise é apenas ciência da psique, e não ainda ciência do espírito. Não podem ser resolvidos os problemas da personalidade humana, se antes não se tiver uma orientação geral, dentro da qual se coloque este fenômeno, bem como se tenham resolvido antes tantos outros problemas.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s