A Iluminação Espiritual

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O modo atual de conceber o nosso “eu” representa apenas a corrupção ou cisão do estado unitário original, cisão ocorrida no período de descida, pois agora, no período da subida, vemos a transformação evolutiva levar de um ponto a outro superior, executando um processo oposto, o da reunificação.

Com efeito, quantos estudaram ou experimentaram esse amadurecimento evolutivo, sabem ter sido constituído por uma dilatação do “eu”, transbordando de seus limites comuns para expandir-se em tudo o que, no plano comum humano, constitui o “não-eu”. Daí começa a surgir, no ser, uma consciência diferente, com novas sensações e concepções, uma psicologia sem limites, como uma consciência cósmica. Transforma-se, então, a vida, de uma luta contra tudo e todos, num amplexo universal, no qual se abraçam todas as criaturas irmãs. E tudo isso, unificado em redor do centro supremo: Deus.

Nesse estado de ânimo, encontrado nos místicos que realizaram a grande catarse espiritual, não há todas as qualidades próprias do sistema?

Chega-se a conceber então o próprio “eu”, em unidade como o todo e o todo em unidade com o próprio “eu”. A realização completa desse estado de consciência não vem justamente representar o estado final da evolução, com a integração do ser na unidade do sistema? Naqueles que subindo começam a aproximar-se, o universo não aparece mais separado do “eu”, exterior e intensivo, mas sim como consciência de si mesmo, como um todo permeado da presença vital de Deus, do pensamento e da inteligência de Sua Lei, como um ser vivo, dirigido por um “Eu” universal, dentro do qual existe o nosso “eu”, como um momento seu, de cuja consciência faz parte a nossa consciência.

A esse estado de iluminação espiritual se chega por graus, à proporção que se evolui. Mas, é lógico que, junto com o lado positivo do fenômeno, exista também o lado negativo. O que o ser ganha do lado espiritual, deve perdê-lo do lado material. Essa expansão do “eu”, esse reviver numa forma tão desusada, confere-lhe uma sensação de perturbação.

A personalidade, habituada a sentir-se definida, sustentada e quase constituída pelas paredes de sua prisão, sente-se perdida num infinito sem pontos de referência demarcados no limite. Mudando a própria forma de consciência, perdendo o próprio tipo de “eu” como individuação separada, o ser tem a sensação de desintegrar-se nessa descentralização, que se opõe à sua precedente psicologia na qual era o centro e baseava toda a sua potência vital. Ao expandir-se, sente como evaporar-se.

O ser se acha tão expandido que não se reconhece mais, parecendo-lhe não ser mais o mesmo. Isto produz nele uma desorientação, um sentido de dispersão e anulação. Para não morrer, torna a agarrar-se ao velho mundo relativo de antes. Esta é uma fase de luta e de contrastes, donde derivam os distúrbios dos quais já falamos.

O que acontece então?

O “eu” não morre, de maneira nenhuma. Mesmo se o momento da passagem lhe pode dar a sensação de seu fim (os místicos chamam a noite escura da alma), superado o momento crítico do fenômeno, o “eu” torna a se achar mais vivo do que antes, mas numa forma diversa. Esta passagem recorda a superação da barreira ultrassônica, para as grandes velocidades. Momento perigoso, porque, muitas vezes, o inconsciente continua a agredir, embora também protegido pela sabedoria das leis da vida. Momento em que se passa do modo de conceber racional ao intuitivo.

Então, a personalidade explode, de sua forma de ser isolado no todo, para começar a viver num estado de liberdade ilimitada, como cidadão do todo, numa sua nova casa, imensa, que é o universo. O ser se acha perturbado porque a forma de existir que lhe era própria, e acreditava fosse a única possível, agora lhe vem a faltar. Tudo isso o enche de uma angústia de morte. Mas depois desperta, achando-se mais amplo e poderoso, não mais identificado com o seu “eu” pequeno, mas com o todo, capaz de saber viver não apenas em si mesmo mas em todas as coisas, enquanto todas as coisas podem viver nele. Desperta diante do inimaginável, do inconcebível, diante de uma perspectiva nova que lhe dá vertigens.

O nosso universo nem por isso mudou. É sempre o mesmo. Mudou a percepção e concepção do ser, porque mudou a sua posição relativa. Tudo depende da perspectiva alcançada pelos nossos meios sensórios. Ninguém pode afirmar ser a nossa técnica lógico-racional de pensamento, a única apta a compreender tudo e não precisamos de outras para aprender outros valores do real, inatingíveis à nossa atual posição patológica. Ao contrário, é provável que, para resolver o problema do conhecimento, pois a forma mental vigente não sabe ainda resolver, sejam necessárias outras técnicas de pensamento, hoje ainda relegadas ao irracional, ou ao inconcebível.

Sem dúvida, o homem faz, do seu universo, um conceito derivado do ponto de vista alcançado do seu plano evolutivo. Tanto é verdade que, com o progresso humano, mudam sempre os aspectos da verdade.

O fato de estarmos inexoravelmente imersos no relativo, faz-nos pensar ser possível conceber tudo em numerosas outras maneiras diferentes, e admitir a possibilidade de, além da forma mental lógica, haver a intuitiva ou outras.

A evolução pode transformar tudo, inclusive as nossas capacidades de conhecimento, e não podemos imaginar a que conceitos e modos de conceber novos planos possa levar-nos o amadurecimento evolutivo. Caminhamos numa estrada em ascensão e não sabemos que perspectivas poderá ela dar-nos amanhã. E conosco caminha também todo o universo, num transformismo contínuo.

É certo ser o universo todo vibrante. Mas de quais vibrações? Que nos poderão revelar amanhã as ainda não conhecidas? Que poderá revelar-nos o nosso contínuo aumento de sensibilidade? Que veremos quando pudermos ter uma percepção diferente? Como pensaremos, quando soubermos pensar diferentemente? E o que veem os seres que percebem de outra maneira?

Podemos imaginar o universo perceptível e concebível de infinitas formas, com meios diversíssimos; podemo-lo imaginar todo sensível também de modos infinitos e com meios diversíssimos em cada ponto seu, e pensar que seja olhado em seus infinitos pontos com infinitos olhos diferentes.

Quem sabe quantos apelos chegam para os quais somos surdos; quem sabe quantos colóquios poderiam estabelecer-se, mas, não ouvindo, não sabemos responder! Não sabemos que mundo poderá ser-nos revelado, se o homem puder superar os limites atuais de suas capacidades perceptivas. O certo é sermos nós mesmos que, com a nossa natureza e nosso grau de evolução, estabelecemos os limites de nosso conhecimento. Muitos outros continentes, além dos da terra, devem ainda aguardar serem descobertos no mundo do espírito!

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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