O Sistema Filosófico (4)

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Filosofia consoladora, que nos fala com a forma mental do Sistema que está no Alto, trazendo luz à forma mental do Anti-Sistema, para levantá-la a ele, até níveis de vida mais adiantados e felizes. Somos infelizes decaídos no caos, nas trevas, no mal, no sofrimento, na morte. Esta filosofia nos mostra que, apesar de tudo e com as aparências que nos deixam acreditar o contrário, nas profundidades do caos há ordem, nas trevas há luz, no mal há o bem; o sofrimento é um meio para se chegar à felicidade, e a morte serve para se ressuscitar numa vida sempre melhor. Assim vemos: além da injustiça domina a justiça, e acima da negatividade destruidora do Anti-Sistema está a positividade reconstrutora do Sistema de Deus. Que coisa diferente e quanto maior se torna a vida – quando a vivemos em profundidade, em contato com Deus, com o mais poderoso centro vital do universo!

A parte mais interessante deste sistema filosófico é o seu aspecto prático, quando descemos ao terreno das suas consequências e aplicações nos casos concretos de nossa vida. Ê pelo fruto que se conhece a árvore, é neste terreno que se pode medir o valor da teoria, quando para controlar. a sua verdade a colocamos em contato direto com os fatos. Se ela nos orienta, explicando-nos o significado das coisas, por sua vez a realidade em que vivemos tem de concordar com a teoria até às últimas consequências práticas, tudo fundindo no mesmo sistema filosófico que, assim, embora baseando-se sobre os longínquos princípios abstratos do absoluto, pode ser vivido em todos os seus pormenores em nossa vida miúda de cada dia.

Isto é o que temos procurado fazer nós mesmos e de duas maneiras: 1) por mais de meio século na minha vida observando e controlando se os meus conhecimentos pessoais e os dos outros confirmavam a interpretação filosófica do universo oferecida por esta teoria; 2) racionalmente coordenando e logicamente controlando os frutos destas observações, para construir uma norma de conduta humana ou ética, não mais empírica, como as que estão vigorando, não mais fruto de desabafo de instintos em vez de conhecimento e de uma compreensão do problema, mas uma ética positiva, filha da lógica dos fatos, racionalmente demonstrada até à primeira fonte da qual deriva, apoiada sobre bases cósmicas que a justificam; moral biológica, resultado objetivo das leis da vida e não da vontade do legislador ou dos instintos das massas.

Este trabalho foi realizado em vários livros meus, sobretudo nos últimos quatro que se seguiram ao volume: O Sistema que até agora completa a exposição da teoria filosófica. Eles são: A Grande Batalha, Evolução e Evangelho, A Lei de Deus e o presente: Queda e Salvação.

Tudo isto nos autoriza a acreditar que este sistema filosófico não é fantasia, se os fatos o justificam e, quanto mais o controlamos, tanto mais vemos que ele corresponde à realidade. Por mais que se queira negar e não ver, estão aí para dar testemunho toda a minha vida, os acontecimentos da vida alheia e milhares de páginas escritas.

Fica valorizado o sistema filosófico, porque ele representa as premissas cósmicas racionais duma norma de vida humana, norma justificada porque acertada em função das origens e funcionamento do universo. O trabalho de construir um tal sistema não fica tão somente no terreno abstrato e teórico, não representa apenas a produção filosófica dum castelo de ideias, mas se dirige para a realização dum melhoramento nas duras condições da vida humana, demonstrando que elas são, em grande parte, devidas à nossa ignorância do caminho certo, ao longo do qual nos deveríamos movimentar. Neste caso o trabalho da construção filosófica não tem somente escopo e sentido intelectual, mas se santifica pelo seu objetivo: beneficiar o homem e, ao mesmo tempo, libertá-lo o mais rápido possível dos seus sofrimentos.

O fruto, para nós útil, de tudo isto, é o ter descoberto que existe uma Lei que representa o pensamento de Deus e a presença Dele em nosso mundo, Lei que tudo dirige, sempre funcionando para todos, à qual todos estão sujeitos, conheçam-na ou não, admiram-na ou a neguem; Lei cujo conteúdo é possível descobrir, isto é, os princípios diretores, os impulsos de ação e reação, a técnica de funcionamento, o objetivo final a atingir. Essa Lei é viva, operante entre nós, sempre presente em ação. Ela não é só pensamento, mas também uma poderosa, irrefreável vontade de realizar.

Eis o que nos mostrou a visão da teoria geral deste sistema filosófico; eis o que vamos estudando nestes nossos livros, e vamos expondo como resultado de nossa investigação conduzida com o método positivo da ciência, o da observação e da experimentação. Isto quer dizer: ou observando, como dissemos, a minha vida e a dos outros, ou seja colocando o seu conteúdo sobre o banco do laboratório desta nova ética experimental para calcular os efeitos de cada movimento nosso no terreno da dinâmica moral e espiritual.

Nós temos estudado essa Lei, porque o seu conhecimento nos ensina as regras da conduta certa e com isso nos revela o segredo para evitar a reação da Lei que se chama dor. Só quem conhece a Lei pode viver orientado, porque compreendeu o significado da sua vida até às suas primeiras origens e últimas finalidades, em função da gênese, estrutura e supremos objetivos do funcionamento orgânico do Todo.

O universo é um sistema inteligentemente dirigido, e é lógico que, quem nele quer viver com o menor dano e a maior vantagem possível, tenha que se comportar com inteligência e consciência, resolvendo os seus problemas até os pequeninos de toda hora, em função da solução dos problemas máximos, dos quais os menores dependem. Só conhecemos a razão e a finalidade de tudo o que somos e fazemos, se tivermos nas mãos a chave de nosso destino e com ela a possibilidade de construí-lo como melhor quisermos. Com os nossos pensamentos e atos, livremente semeando as causas, ficaremos fatalmente amarrados.

A Lei representa uma construção lógica que pode ser estudada como se estuda uma teoria matemática. Com este escopo fizemos neste volume um esquema gráfico, representando, em síntese, uma expressão geométrica dos princípios fundamentais que regem o funcionamento da Lei. É possível, portanto, medir o valor quantitativo e qualitativo dos diferentes impulsos que movimentam o ser e as correspondentes reações da Lei. O ser está livre de movimentar-se à vontade, mas logo depois, destes movimentos se apoderam as forças da Lei que fatalmente os guiam para os seus efeitos. Eles são calculáveis, porque estão regidos por princípios de equilíbrio e justiça bem definidos. A Lei é inteligente, poderosa, sensível, e não há movimento que não se repercuta, não há impulsos c sucessivos deslocamentos que não sejam percebidos pela Lei e contra os quais ela não reaja. Ela quer a ordem do Sistema, e não o caos do Anti-Sistema.

Na substância, a reação da Lei não é senão a continuação de nosso próprio impulso, que se ricocheteia e se volta contra nós devolvendo-nos o que nós lançamos aos outros. Assim, cada força que em sentido negativo projetamos contra o próximo, se transforma numa força inimiga, que se volta contra nós, nos agredindo; e cada força que em sentido positivo projetarmos para o próximo, se transforma numa força amiga, que se volta para nós, nos favorecendo. A conclusão é sempre a mesma: recebemos de volta o que lançamos aos outros. Pode-se então estabelecer este princípio da Lei, que diz: “Quem faz o bem, como quem faz o mal, acaba fazendo-o a si mesmo”.

No campo de forças do Todo são possíveis três situações fundamentais: o impulso positivo do Sistema, o negativo do Anti-Sistema e o do ser, indeciso, que quer dirigir-se ora para um, ora para o outro. A positividade do Sistema está em luta contra a negatividade do Anti-Sistema, filha da revolta, para corrigir a desordem, reconduzindo-a para a ordem. A negatividade do Anti-Sistema está em luta contra o Sistema, para destruí-lo e substituir-se a ele. O ser está existindo dentro desse dualismo de impulsos opostos. Mas dos dois termos, o mais poderoso é o Sistema em que ficou Deus no seu aspecto transcendente, mas ao mesmo tempo presente também no Anti-Sistema, do qual, para salvá-lo, dirige os movimentos no processo evolutivo. Dualismo temporário, fechado dentro da unidade que ficou íntegra, do monismo, dono de tudo.

Então o que tudo domina é a Lei, que expressa a positividade do Sistema, o princípio de ordem, de equilíbrio e justiça. Este é o campo de forças em que o ser está livre de movimentar-se, mas só em função da vontade da Lei que quer realizar os seus princípios, que são os do Sistema que ela representa. Então em cada movimento seu o ser tem de levar em conta a presença dessa Lei que, embora deixando-o livre, está sempre impulsionando-o para a frente, para que ele volte ao Sistema. Mas ele pode, também, dirigir-se no sentido oposto, para o Anti-Sistema, isto é, não conforme à vontade da Lei, mas contra ela. No primeiro caso, pelo fato de que o ser se colocou na corrente das forças da Lei, esta o ajuda; no segundo caso, pelo fato de que ele quis andar contra aquela corrente, a Lei se rebela e reage.

Eis a relação que existe entre os três impulsos fundamentais, que se encontram no campo das forças cio Todo. O que o nosso mundo não quer levar em conta é o fato de que, se ele está livre de dirigir-se para o Anti-Sistema, que é o mal, tem fatalmente de receber o choque da parte da Lei que reage, porque a vontade dela é, pelo contrário, a de ir para o Sistema, que é o bem.

Nunca esqueçamos que, acima dessa luta entre positividade e negatividade, há Deus que a dirige e, afinal de contas, tudo tem de desenvolver-se conforme a Sua vontade. Se assim não fosse, a evolução poderia representar apenas uma tentativa duvidosa, para acabar, se ela não alcançasse sucesso, na falência da obra de Deus, que com a evolução não conseguiu salvá-la da sua derrota final, representada pela vitória definitiva do Anti-Sistema. Na lógica do desenvolvimento dos impulsos do campo de forças do Todo, é necessidade absoluta o aniquilamento completo de toda a negatividade e o triunfo completo de toda a positividade, sem resíduo algum. Se qualquer traço do mal sobrevivesse, isto representaria a derrota de Deus, que é o bem. Todos os efeitos da queda têm de ser destruídos definitivamente, realizando-se a reconstrução integral do Sistema.

Este, em síntese, é o terreno dentro do qual se movimenta a nossa conduta ética, num jogo de ações e reações, entre os impulsos do ser e a vontade da Lei, da qual nunca se pode esquecer a presença. O ser age livremente, porque tem de experimentar para aprender e subir; a Lei reage deterministicamente para que o ser suba para o Sistema e nele encontre a sua salvação. O afastamento da Lei é o que se chama: erro; a reação da Lei ao erro é o que se chama: dor.

No esquema gráfico o comprimento da linha do erro, na direção da negatividade, nos expressa a medida do mal cometido; o comprimento da linha da dor, que leva o ser na direção da positividade, nos expressa a medida do trabalho do endireitamento necessário para voltar à ordem da Lei. O ser está livre de cometer erros, mas tem depois de aceitar a reação corretora da Lei, à força, cujos equilíbrios não podemos violar, sem devolver tudo à justiça de Deus, pagando á nossa custa.

Pode-se assim chegar a estabelecer o princípio de reação nestes termos: “Cada ação do ser contra a vontade da Lei excita e gera uma reação inversa e proporcional, de mesma natureza ou qualidade e de mesma medida ou quantidade”.

Estudando as regras que dirigem o funcionamento da Lei, pode-se chegar a calcular as consequências fatais dos nossos ates, podendo deste modo, com uma conduta mais inteligente, eliminar o mais possível as causas primeiras de tantos sofrimentos, que agora vemos como sejam devidos ao rato de nos querermos colocar fora do caminha certo da Lei.

Mas o homem não sabe ou não quer saber estas coisas e continua errando e pagando. Não adianta explicar. Então para ensinar a um ser que tem de ficar livre, não resta, na inviolável lógica da Lei, senão o azorrague da dor, que é o raciocínio compreendido por todos.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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